Chega de educação progressista

Ontem, o C. Cardoso escreveu um post sobre a Educação, o Universo e Tudo Mais, destacando a pobreza do nosso ensino e, por extensão, a tosquice da nossa economia em relação a outros países.

Pouca gente sabe, mas o ensino no Brasil só é tão ruim porque é bom demais.

Sim, você não sabia? Nós temos a melhor educação do mundo, segundo os pedabobos pedagogos e antropólogos imbecis nefelibatas que ditam os rumos.

Todos lembram daquele padrão de escola tradicional: carteiras enfileiradas, alunos em silêncio e de cabeça baixa, todos vestidos em tons escuros, todos escrevendo, escrevendo, escrevendo. A professora, deus-nos-livre! Mulher implacável, juíza do bem e do mal, pronta para punir qualquer gaiato que pergunte as horas ao colega ou que deixe de copiar para ler um romance de faroeste. Sentada na sua cadeira, ela fiscaliza tudo, espreitando por cima dos óculos. De repente, levanta e dispara a pergunta à queima-roupa: Joãozinho, quem descobriu o Brasil?

Num belo dia (ou em vários belos dias, pois falamos de várias pessoas em tempos diferentes), pensadores pensaram demais e concluíram que esse modelo de escola é prejudicial, pois limita, oprime, tolhe, molda, cerceia, escraviza, atrofia as pobres mentes das criancinhas. Repetir que “bê mais a é igual a bá” virou pecado dos gravíssimos. Falar de coisas de fora do contexto imediato do aluno tornou-se delito passível de pena de morte. Decorar regras de gramática, a tabuada y otras cositas passou a ser considerado crime contra a humanidade.

No Brasil, muita gente entrou em polvorosa com essas teorias. Estava aí a saída! E tivemos um agravante bastante… grave: o país era regido por uma ditadura militar de direita, que coordenava a rede de ensino. Logo, a educação tradicional passou a ser identificada como instrumento de doutrinação do regime (e realmente era, até certo ponto). Logo, ser contra a ditadura significava ser contra o bê-a-bá, contra decorar a tabuada, contra fazer ditados e sabatinas.

Findo o regime militar, tratou-se de implodir o modelo vigente de ensino. Era cool ser progressista, ser construtivista, ser interacionista, ser freireano, ser piagetano, etc. O importante era que a escola fosse prazerosa e que se aprendesse “CONSTRUINDO O CONHECIMENTO”. Punir a indisciplina dos alunos foi confundido com autoritarismo de direita. Reprovar os que não aprendem foi confundido com autoritarismo de direita. Escrever as notas abaixo da média com caneta vermelha também não pode, pois traumatiza os coitadinhos, além de ser autoritarismo de direita. Mandar decorar as capitais dos Estados do Brasil, adivinhe: é autoritarismo de direita. Cantar o Hino Nacional, então, é o mais terrível exemplo de autoritarismo de direita! É coisa de milico! “Tradicional” virou xingamento, tornou-se sinônimo de “Fascista”

Temos, desde então, a melhor educação do mundo inteiro. Sim, do mundo inteirinho. Nossos métodos são inovadores e sintonizados com a vanguarda do pensamento pedagógico. Nossos alunos não podem mais ser punidos, pois temos a legislação “mais moderna do mundo” para a área. Privilegiamos a riqueza da experiência dos educandos, a construção pessoal e prazerosa do conhecimento, e nossos alunos nunca estiveram tão mal. Nunca, em toda a História.

Quem é professor sabe: a maioria dos estudantes brasileiros sai da 8ª série sem capacidade para resolver um problema matemático de 4ª série ou para entender um texto infantil. Eles não ficam mais lendo romances de faroeste na sala de aula, porque simplesmente não lêem mais nada. Escrever, então, nem pensar. Eles cometem tantos erros de ortografia e concordância, são tão incapazes de se expressar por escrito, que poderiam ser considerados analfabetos no sentido clássico, e não “analfabetos funcionais, como reza a atual nomenclatura. É duro admitir, mas foi nisso que a Educação Progressista nos transformou: num país de analfabetos.

Ao mesmo tempo, citam-se os exemplos de países que vão bem na educação, como a Finlândia, a Coréia do Sul, o Japão. Entrem numa sala de aula desses países e vejam se lá essas teorias de merda libertadoras têm vez. E não adianta dizer que a educação de lá é melhor por causa do dinheiro e da tecnologia. A educação dos países de ponta é melhor porque lá se sabe que só aprende quem estuda. Lá a educação é voltada para RESULTADOS, pois SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM. Eu disse: SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM.

Vivemos aqui também um boom tecnológico. A tal inclusão digital já chegou nas periferias. Quase todos os meus alunos pobres usam computador, seja em casa ou nas lan houses. Mas usam apenas para acessar o Orkut (onde escrevem coisas como “eu é minha amiga adoro ela nós samos show” e o MSN (onde usam nicks como “ale to na pista pra negosio“). Não nos falta tecnologia. Falta rumo.

O futuro da Educação está numa volta ao passado. Não para andarmos pra trás, mas para voltarmos a fazer coisas que antes davam certo, adaptando-as ao invés de implodi-las. Comparem um aluno de 4ª série dos anos 50 com um aluno de 8ª série de hoje e veremos qual é o modelo que realmente funciona.

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85 comentários em “Chega de educação progressista”

  1. Palmas, palmas e palmas!

    Quem viveu/vive esse modelo e conhece bem de perto como ele funciona e os danos que ele causa tem MUITA vergonha da situação e MUITO medo do futuro.

    Mas agora que os alunos estão (muito mal) acostumados com essa educação, será um trabalho heróico colocar este trem desgovernado novamente trilhos.
    Heróico, mas urgentemente necessário.

  2. clap clap clap

    talvez vc devesse disparar isso por e-mail. eu nao gosto dessas coisas, mas talvez alcance uma outra parte da internet que geralmente nao acessa blogs e seja importante atingir.

  3. Ótimo texto.
    Pergunta pra seus alunos o que é caligrafia, bem provável a resposta: “as letras que aparecem no monitor…”

  4. É…basta apenas que o próximo governo que entre entenda que é necessário imediatamente uma reforma no ensino. Ensino é um dos elos básicos que qualquer governo no mundo deveria se preocupar.

    Abs

  5. @lucas
    Se dispararmos isso por email, logo apareceria um “Arnaldo Jabor” como autor xD

    @Eduardo
    Parabéns pelo texto. É difícil acreditar como o professor suporta tanta pressão no trabalho, principalmente em escolas particulares onde o “aluno sempre tem a razão”…

  6. Minha esposa é professora em turma de alfabetização da rede pública do Distrito Federal. É Formada em pedagogia na UnB e recentemente pós-graduada em Psicopedagogia. Ela conhece toda essa tralha teórica dos progressistas mas, do jeito que dá, aplica as técnicas antigas com os alunos. É a professora mais severa da escola. Estranhamente, também é a mais querida. Inclusive pelos alunos de anos anteriores. Ela vive inconformada com a política educacional paternalista, que quer reduzir os números de repetência a qualquer custo, para melhorar o índice do IDEB. Para o governo, basta dizer que não há reprovação (ou que o índice caiu). Para a sociedade, fica o aluno semi-analfabeto cursando séries avançadas sem o conhecimento necessário, estes são os cidadãos do futuro. Tenho certeza que minha esposa vai adorar esse post. Parabéns:clap clap clap!

  7. Renato, nós, professores, passamos por isso todos os anos. A Secretaria de Educação sempre nos obriga a aprovar o maior número possível de alunos, para melhorar os índices… Depois, o prefeito faz, orgulhoso, o anúncio de que os números da Educação no município melhoraram.

    Vivemos no País das Maravilhas.

  8. clap,clap,clap! Parabéns mesmo!

    Eu aprendi a ler e escrever usando a boa e velha cartilha. Usando aqueles caderninhos de caligrafia. Tinha que decorar a tabuada e a professora passava “em revista” todos os dias. E ai de quem errasse!

    Estive conversando com uma amiga que hoje mora na Alemanha e era professora de Inglês aqui no Brasil. Ela, que teve que fazer um curso de alemão por lá, ficou surpresa: enquanto aqui os professores de idiomas inventam joguinhos, brincadeiras, levam filmes, músicas, se desdobram todos para ‘motivar os alunos’, lá na Alemanha o professor chega e passa um monte de verbos para que alunos – sejam alemães ou imigrantes – decorem, façam a conjugação e depois disso possam escrever frases simples.

    Muito raramente rola uma música, um filme ou algum momento mais descontraído. E tem que aprender.

    Parabéns pelo texto. Excelente.

  9. Eu não pego em um livro de ensino médio a 10 anos, acabei de voltar para a faculdade e escrevo muito melhor que os primeiros lugares da sala no vestibular desse ano. Como pode…? 10 anos de diferença e eles estão muito piores! A coisa é gradativa, não é de agora. Isso tá virando esculacho!!!!
    Parabéns, o post é fantástico.

  10. Se você me permitir, posso publicar esse texto no meu blog (http://franc1968.wordpress.com)? Fui professor por longos dez anos e vi o quanto o “progressismo” é perigoso. Para você ter uma idéia, aqui no meu Estado, Rondônia, não se estuda mais gramática e a disciplina de literatura foi extinta…
    Onde iremos parar?

  11. Esse seu texto é simplesmente uma obra prima.

    Se me permite, gostaria de fazer uma pergunta: Quem foi o filho da puta (desculpem-me pelo palavrão) que criou a progressão continuada, achando que parar de reprovar as crianças seria a solução? Gostaria muito de saber quem é o desgraçado para poder matá-lo. Se já não estiver morto.

    Não sei o que o criador da progressão continuada tinha na cabeça para criar essa coisa. A progressão continuada é algo que não ia dar certo nunca, onde quer que fosse aplicada. Poderia muito bem ser aplicada nos EUA, na Rússia, no Canadá, na Alemanha, no Japão. Até mesmo na Finlândia (que dizem ter a melhor educação do mundo), que os resultados seriam os mesmos que no Brasil. Todos esses seriam países de analfabetos.

  12. Seu texto está de uma clareza absurda e com argumentos que não têm como contradizer. O ensino decaiu e esta idéia de nenhum aluno deixado para trás só afunda o barco inteiro. Veja quem freqüenta as faculdades hoje em dia. Analfabetos funcionais é pouco e sem falar nos que se vangloriam do ProUni, que privilegia o menos apto.
    Parabéns pelo texto.

  13. Como filho de professora aposentada da rede pública, só posso aplaudir também. Minha mãe costuma contar que era comum um aluno de terceira ou quarta série pedir “Professora, me ensina a ler?”, porque não sabiam.

    Ela também conta que a antiga Delegacia de Ensino era praticamente um sindicato, inclusive com o tratamento de “companheiro”.

    Que Paulo Freire asse no Lago de Fogo por todo o sempre, amém.

  14. Eduardo, muito bom o texto. Essa é a realidade hoje. Mas, em primeiro lugar, me parece que os progressistas estão sendo confundidos com “petistas”. Quem esculhambou com a educação foi o esquecido Jarbas Passarinho (um coronel ministro) com a famosa 5692, supervisonada pelo Tio Sam. E, mais: não dá para comparar os alunos das décadas de 50,60…quando só ia para a escola quem queria e, se fosse, era para aprender, nem que fosse abaixo de pau. ( Isso ocorreu comigo: apanhei bastante). Hoje, todos, queiram ou não ,tem de ir parta a escola e, aqueles que não querem nem ir nem estudar porque isso nada significa para eles, o que é que você acha que vão fazer lá? Mais, naqueles tempos lembrados no texto havia a escola, às vezes o cinema e o que mais? Hoje, tudo é melhor que a escola: TV, Dvd, celular, INTERNET, carro, moto, shopping…. você acha que vão dar bola para a escola? Entretanto, observe como é valorizado o ensino numa família de classe média alta. Para encerrar, pare de dizer que o prefeito ou secretário de educação obrigam a aprovar. Professor tem total autonomia para aprovar ou reprovar aluno. Por outro lado, numa turma de 30 alunos em que 25 são reprovados, você acha que a culpa é só dos alunos? Assim, meu caro amigo e colega, acho que há montanhas de causas desse total caos na educação e não apenas as mostradas aqui. Isso foi o que aprendi nos meus 36 anos de magistério. Aprendi e trabalhei sob o signo da rigidez e da cobrança, mas só isso não resolve. A não ser que se trate de colégio militar, mas nossa sociedade não é um quartel…

  15. Eduardo, aqui no estado de São Paulo, foi o PSDB que a implantou. E foi a mesma caca que aí no Rio Grande do Sul e que em todo o Brasil.

    E fiu pesquisar na Internet e quem criou a progressão continuada foi Paulo Freire. Por isso que eu entendi a revolta do Ronaldo. :P

  16. Vamos por partes: “professor tem total autonomia para aprovar ou reprovar aluno” – errado! Pelo menos aqui em São Paulo a autonomia é zero: minha esposa tem até uma cartilha para ela, professora, ensinar. Ou seja, ela só pode ensinar o que está na cartilha. “Numa turma de 30 alunos em que 25 são reprovados, você acha que a culpa é só dos alunos?” Não, a culpa é do professor que não enfiou o conteúdo na cabeça dos alunos… Imagine que os 25 não queiram mesmo aprender, não importa o que você fizer: a culpa será do professor? Imagine que os 25 não sejam capazes de entender por não terem aprendido a ler ou escrever ou fazer contas ou algo que fosse pré-requisito para aquela disciplina: a culpa de novo é do professor? Bem, vamos a um caso hipotético: minha filha está doente, e não quer tomar o remédio por ter um gosto ruim. Ela prefere sucrilhos, refrigerante, e outras coisas melhores. O que eu devo fazer: deixar ela sem tomar o remédio, usar um método pedagógico de convencimento ou dar um jeito dela parar de frescura?

  17. ““professor tem total autonomia para aprovar ou reprovar aluno” – errado! Pelo menos aqui em São Paulo a autonomia é zero: minha esposa tem até uma cartilha para ela, professora, ensinar.”

    Eu me lembro de uma reportagem feita aqui em Campinas em que um professor quase perdeu o emprego porque queria reprovar um aluno. Inclusive esse mesmo professor teve de aprovar um aluno que não apareceu durante o ano inteiro.

    Quem não se lembra de uma reportagem em que os pais de uma criança da terceira série queriam que a criança fosse reprovada porque ela não tinha condições algumas de fazer a quarta série?

  18. Dois pontos a serem destacados: a) parece que estão reunindo,escolhidos a dedo, somente os piores seres humanos ( alunos )que se possa imaginar. A realidade não é essa. Devem ter andado vendo algum desses filmes americanos… b) vários estão falando em nome da esposa professora. Daí, qual é sua experiência de sala de aula? São Paulo deve ser um caso à parte, porque aqui ainda é o professor que aprova ou reprova aluno ( melhor dizendo, o aluno se aprova ou reprova, mas o professor assina embaixo e dá a última palavra. A não ser que seja escola particular, daquelas em que o aluno chama o professor de empregado e, que por isso mesmo, pela mesalidade tão cara, o professor não pode reprovar. Não é o secretário que manda, é o pai que demite o professor.) Na verdade, há uma escola para ricos e outra para os outros…e, mais, quando se conhece a realidade familiar dos alunos, passa-se a entender o comportamento dos mesmos. Onde não há valores ( ao menos os tradicionais, aqui reclamados) que valor vai o aluno dar em saber sobra “As Grandes Navegaçãoes?” Além disso, quer escola melhor que a televisão, suas novelas, seus BBBs, seus noticiários? A escola não é um mundo à parte, ela é uma parcela integrante da nossa sociedade.

  19. Bem, quanto aos outros ‘comentaristas’ eu não sei, mas eu sou professor – universitário, de universidade pública, mas ainda professor – há cerca de 6 anos. Já dei aula em dois estados distintos, separados por 1000 e tantos quilômetros e, em ambos os casos, o material humano que compareceu – e comparece – às minhas aulas não foi tão ruim assim, mas também não foi muito bom. Vi, em geral, alunos despreparados, fraquinhos mesmo e que não vêm da periferia, não, o que significa que o ensino anterior deles foi… lamentável. Quanto ao fato de muitos falarem das mulheres professoras, isso só demonstra o valor que nossa sociedade, que é machista, dá ao ensino. Em nossa sociedade, as carreiras mais nobres – que dão mais dinheiro – ficam com os homens e as menos nobres, com as mulheres: é assim, por exemplo, em engenharia (mais homens) e pedagogia (mais mulheres) – quem ganha mais – e tem mais status – são os engenheiros, não as pedagogas. O que eu quero dizer é que, em geral, tenho visto mais mulheres do que homens como professores do ensino público (não sei do privado, mas acho que é similar), e que em geral elas trabalham apenas para que sua família tenha uma segunda fonte de renda: ser professor, hoje em dia, para muitos não é uma profissão, é um bico. Quanto a concorrer com os BBBs, quem disse que o professor – e a escola – devem fazer isso? Se a molecada não quer estudar e acha outras atividades mais prazerosas, eles devem aprender com essa escolha, pois toda escolha traz conseqüências: reprovação neles! O ambiente familiar talvez explique o comportamento dos alunos, mas não justifica – não é por eles serem de família assim ou assado que “tudo bem, eu entendo, então deixa ser assim mesmo”. E, por fim, há uma escola para ricos e outra para pobres, sim: a escola para ricos é particular, privada, enquanto a para pobres… É como a saúde: há o SUS e os planos de saúde, e eles são diferentes.

  20. “Se a molecada não quer estudar e acha outras atividades mais prazerosas, eles devem aprender com essa escolha, pois toda escolha traz conseqüências: reprovação neles!”

    Bravo, Kinch!

  21. Parabéns pelo texto. Muito bem articulado.
    “professor tem total autonomia para aprovar ou reprovar aluno” – no meu estado, Santa Catarina, não tem! Somos pressionados a aprovar.
    “Numa turma de 30 alunos em que 25 são reprovados, você acha que a culpa é só dos alunos?” Não, a culpa é do professor que não enfiou o conteúdo na cabeça dos alunos… Imagine que os 25 não queiram mesmo aprender, não importa o que você fizer: a culpa será do professor? Imagine que os 25 não sejam capazes de entender por não terem aprendido a ler ou escrever ou fazer contas ou algo que fosse pré-requisito para aquela disciplina: a culpa de novo é do professor? Bem, vamos a um caso hipotético: minha filha está doente, e não quer tomar o remédio por ter um gosto ruim. Ela prefere sucrilhos, refrigerante, e outras coisas melhores. O que eu devo fazer: deixar ela sem tomar o remédio, usar um método pedagógico de convencimento ou dar um jeito dela parar de frescura?
    Parabéns, colega, concordo contigo. Teremos alguma chance de formar alunos que dominem o conhecimento a despeito do ECA, da aprovação automática e da recuperação paralela, se os pais obrigarem seus filhos a estudar. Como isso não acontece, é urgente rever a LDB, ECA e outras melecas. Acabo de me lembrar de uma frase que li não sei onde: ” A democracia é um dos caminhos para o caos”…se indevidamente conduzida, é claro. E é o que vemos hoje; falta o rumo. Crise valores: o lazer é mais importante do que o dever. Crise de limites: só faço o que tenho vontade e, detalhe, na hora em que eu bem quiser…é assim que anda a cabeça da moçada.

  22. Algumas considerações: a) concordo em tudo com o Stephen. Mas, quando digo que se, numa turma de 30 alunos, 25 reprovam, quero dizer que com isso me lembro de algumas professoras de matemática ( e não era ensino fundamental, portanto os alunos sabiam ler, sim senhor), cujas distintas, no conselho de classe, mostravam a lista de determinada turma, “triunfantes”, dizendo: “Vejam! Reprovei 28!” Eu, no lugar delas nem teria coragem de mostrar a lista de alunos… b) Acho que Paulo Freire não poderia ser citado apenas pelo fato da falada “progressão continuada”. Precisaria ver o contexto em que ele a deve ter apresentado. Além disso, trata-se de uma das maiores autoridades em educação do mundo. Aliás, não reconhecido apenas em nosso país e, justamente pelos milicos. Dá para entender. Se o mandarmos para o inferno, para onde deveriam ir tantos outros? Desmerecer um educador da estirpe de Paulo Freire é atitude de um perfeito iconoclasta. c) Concordo em gênero, número e g. com o Ulisses: o texto e muitas opiniões aqui são puro “autoritarismo de diretia”… ET: ser pressionado a aprovar não é obrigatoriedade de aprovar, não é não ter autonomia de fazê-lo. Pressionar, aluno pressiona, pai pressiona, supervisão pressiona, mas isso não retira a autonomia do professor. O que deve haver é justiça, critérios claros…( e, por favor, não me refiro a aluno na oitava série que não ssiba ler…)

  23. Ivalino, primeiro tu dizes que não podemos voltar ao passado, e depois defendes Paulo Freire.

    Ele dava aula para ADULTOS, nos anos 60 e 70!

    Imagina a diferença de atitude, de respeito e de valores desses alunos.

    Se o bom e velho PF estivesse vivo, eu o desafiaria, amigavelmente, a tentar ensinar a minha 5ª série. Ele conseguiria? Seu método continuaria sendo o mesmo?

  24. Simplesmente espetacular seu texto. Realmente a educação de hoje é trágica. Falta professores, falta escolas, falta livros, bibliotecas, palmatória, educação, etc. Hoje, se você analisar, os principais autores no (b)raZil são Paulo Coelho e Bruna Surfistinha… lamentável.

    Belo texto. Parabéns!

    Grande abraço
    Monthiel

  25. Perfeito, Monthiel! Concordo contigo em tudo. Resumiste em poucas linhas tudo. Minha divergência é apenas em que se culpe os chamados “progressistas”- Paulo Freire, etc. pelo fracasso da escola em nosso país. Parece-me um pouco de influência de “Tropa de Elite”.
    Eduardo, não disse que não devemos voltar ao passado. Disse que não dá para comparar as escolas dessas duas épocas: 50, 60, 70… com hoje. O aluno só aprende quando estiver motivado, quando aquilo lhe interessar. Poderá passar decorando, e esquecer tudo ao sair pela porta da sala de aula. Tomo-me por exemplo: entrei para uma escolinha rural, com 5 anos, em 1955. O professor (sala com 5 séries ) usava vara de marmelo. Apanhei bastante. E, daí? Só me alfabetizei com 11 anos. Por quê? Porque simplesmente eu não queria nada. Um belo dia, disse a mim mesmo: “Espera aí, eu preciso aprender a ler..” Nunca mais reprovei. Estudei em escola particular e pública. Cheguei à pós-graduação e hoje sou professor aposentado. ( Eduardo, parabéns, teu texto está dando muito pano pra manga…)

  26. Parabéns pelo texto, muito bom!
    Sou de época mais recente, mas o colégio que estudei, e que mais sinto saudades tinha uma estrutura mais rígida, mas sem perder a ternura jamais :)
    Até porque, ser humano no geral é assim mesmo, precisa de um empurrãozinho pra sair da inércia. Com pedagogia do afeto e assistencialismo não consegue não.
    Não é dar o peixe, mas ensinar a pescar.

  27. Sou professora no ensino público e no privado e afirmo que este cerceamento só existe no primeiro, em que tenho ( e meus colegas também) as mãos atadas para reter (não pode dizer reprovar) um aluno na série por não ter atendido os objetivos mínimos propostos. Já no privado, os resultados são medidos por notas e médias e o aluno tem de estudar para fazer as provas. Tradicional ? Pode ser, mas, certamente, os fins justificam os meios. No caso da educação pública, há muito mais problemas que soluções. A gente acaba dançando conforme a música e somos questionados caso os alunos não são encaminhados para a série seguinte. Eu já desisti de lutar em ponta de faca. Tenho duas personalidades profissionais, uma para cada sistema onde trabalho. Só uma reforma educacional poderia frear este estado de coisas.
    abraço, garoto

  28. Denise, sei de escolas particulares que também aprovam a qualquer custo, por medo de que os pais cancelem a matrícula em caso de reprovação.

    Um abraço

  29. Olá!

    Eu não li os comentários, só o texto principal, mas acho que nunca li tanta besteira dita num único texto, sobre educação!

    A melhor educação do mundo (e isto, óbvio, depende da métrica utilizada), atualmente, é da Austrália e lá eles são contra tudo que você disse no seu texto :-)

    Pra ser sincero, a sua receita é ótima para preparar bem uma pessoa para Era Industrial, digamos preparar alguém bem para viver a 50 anos atrás!

    Enfim, este é texto é uma prova experimental de que reducionismos só produzem conclusões errôneas!

  30. Eu não dei receita nenhuma; apenas critiquei as conseqüências da ruptura total com o modelo tradicional (disse que ele poderia ser modificado, mas não totalmente abandonado).

    Críticas à parte, estou aguardando seus argumentos, Sérgio. Pois, no seu comentário, não consegui identificar nenhum.

  31. Opa Eduardo!

    Você tem razão! Eu que sou contra adjetivar antes de argumentar, cometi o pecado que costumo criticar :-(

    Mas, atendendo ao seu convite, vou aprofundar/estender as conversações!

    Eu diria que a principal crítica que faço ao seu texto é conjecturar que, se voltarmos ao educação tradicional, centrado na rigidez, no ensino, no professor, na transmissão, na repetição, na falta de contextualização do ensino e no ensino enciclopédico teremos uma educação melhor!

    Numa sociedade em que a informação é abundante e disponível, onde as coisas mudam numa velocidade nunca antes imaginada… mais importante que ensinar muitas coisas e de modo “homgêneo” é importante desenvolver nos estudantes a habilidade de aprender como se aprende!

    Sim, mudar o foco do ensino para as apendizagens! Da repetição para a experimentação. Do acerto por repetição para a experimentação que permite o erro criativo.

    Dos dógmas irrefutáveis para a capacidade de críticar (aqui eu preciso melhorar!). Da homogeneização de experiências de aprendizagens para o o convívio com o diferente.

    É verdade que hoje a Educação Brasileira vive um estado sofrível, diria que vivemos uma crise! Mas não é porque abrimos mão do ensino tradicional, mas porque nem este é realizado como nos “tempo do ronca”!

    Enquanto naquele, o professor era bem remunerado, respeitado pela família e pela sociedade, hoje, como bem sabemos, isto não ocorre.

    São salas lotadas, má formação dos professores, péssimos salários e etc…

    Eu concordo com a sua premissa de que vamos muito mal na Educação, mas discordo, pelos motivos expostos acima, do diagnóstico e do remédio proposto!

    Por fim, perdoe o comentário extenso. E parabéns por permitir que as conversações possam fluir, na concordância ou na discordância!

    Pessoalmente um blogue que não se furta ao debate qualificado ganha mil crédito de Karma pra mim :-)

    abraços

  32. Sérgio

    Na minha opinião, a sua “solução” não se diferencia tanto assim da minha.

    A linguagem por vezes nos trai. É comum que pessoas dicordem acirradamente embora, em essência, estejam dizendo as mesmas coisas.

    Concordo que as cabecinhas das crianças não são recipientes para serem “preenchidos” pelo conhecimento dado pelo professor. Acredito, assim como você, que todo aprendizado é aprendizado ativo e, portanto, requer um foco no educando.

    Mas discordo da implosão pura e simples de tudo que se fez antes (o que FOI FEITO NO BRASIL). Muita coisa do método tradicional faz falta hoje.

    Não quero que voltemos a TRANSMITIR conteúdo. Mas quero que se tenha o mesmo rigor que se tinha antes. Quero que se tracem metas para os alunos, em cada sala de aula, e quero que quem for incapaz de atingi-las seja reprovado (e que se estude o caso para saber por que não houve aprendizado, sim, mas SEM APROVAR QUEM NÂO TEM CONDIÇÔES DE AVANÇO).

    Além disso, a idéia de que antes se aprendia mais porque os professores ganhavam mais não é totalmente correta. Com os métodos e posturas que temos hoje, a coisa continuaria igual mesmo que pagássemos R$ 10 mil por mês aos profesores.

    Como exemplo, cito a rede municipal de Porto Alegre. As escolas são modernas e bem equipadas, os professores têm piso de mais de R$ 1,2 mil para 20h semanais, e os alunos saem do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever. Sabe por quê? Porque a educação aqui é ciclada: os alunos progridem automaticamente de um ciclo para outro, independente do aprendizado.

    Essa discussão pode render ainda muito mais, mas fico por aqui neste comentário.

    Abraço

  33. Opa Eduardo!

    A discussão é legal mesmo e, da minha parte, é mais no sentido de dialogar do que de querer “vender” uma verdade!

    Sobre os diagnósticos, continuamos discordando (e não há nenhum mal nisto!). Acho que devido a “não implosão” do sistema tradicional que estamos no atual estado de coisas!

    Veja que o problema não me parece ser o sistema de ciclos em si, mas a forma equivocada com que ele é implantado!

    Ciclo não deveria ser sinônimo de aprovação automática, mas aqui, para se adequar ao sistema seriado e, mais importante, para manter o aluno na escola (e continuara a receber as verbas) se fez esta monstruosidade de se fingir que se ensina (mal e um monte de inutilidades, típica do ensino tradional) e aprová-lo sem que se mudem a estratégias que já foram falhas anteriormente…

    Tem escola que passa “dever de casa” para alunos que sequer tem mesas em casa para estudar! O fato dos alunos ainda sentarem em fila um atrás dos outros (como propuseram os Jesuítas no século XVI, ou por aí…) já mostra quão obsoleta é nossa escola, com suas práticas tradicionais, que você, aparentemente, quer resgatar!

    Eu tenho a impressão que se tivéssemos realmente rompido com a Escola da Era Industrial, os problemas seriam grandes, mas não de falência endêmica do sistema!

    E sim, acredito que parâmetros externos e desempenhos mínmos são caminhos para a qulaidade, mas nenhuma pedagogia moderna é contra isto! Implementações equivocadas (ou mal-intencinadas) delas é que são!

    Mas, cá pra nós, esta discussão é melhor numa mesa de bar :-)

    Tomei a liberdade de lançar teu texto em duas listas de discussão de professores que participo!

    abraços

  34. Sou uma das professoras da lista a que o Sergio se refere: tenho 26 anos de profissão, trabalhei em escola particular católica que aprova 90% no vestibular e em escola pública de reformatório onde alunos chegavam a até se masturbar em sala, ok? Logo, tive de ler MUITO os ensinamentos de Paulo Freire e diferentemente da colega de um dos comentários acima, tinha BASICAMENTE a mesma postura na escola particular (em que ganhava super bem) e na pública – dei muito murro em ponta de faca sim!
    Gostaria que todo Funcionário Público que não aguentasse o tranco de uma sala de aula fizesse como Tropa de Elite, Pede pra Sair!!! Se salário é ruim, condição de trabalho também, vai vender Natura que é mais chique, ok???
    Tem professor por aí que não sabe NADA de seus alunos, nunca bateu um papo, nunca sequer deu uma bronca ou um afago. Indiferença é o pior dos males. Tive um aluno que me disse: Tia, tenho um padrasto que me bate e um pai. Sabe de qual eu gosto mais? Do padastro, porque ele pelo menos lembra que eu existo.
    1- Para fazer qualquer crítica a Paulo Freire, é preciso ler seus livros e conviver em sala de aula por algum tempo….quem aqui fez isso e o condena, me perdoe mas não entendeu xondas do que ele escreveu.
    2- Nada em educação muda de um dia para o outro: estamos colhendo agora, os frutos de um tecnicismo exagerado e de uma péssima interpretação do que é construtivismo (nos anos (70, e 80) em que as escolas achavam que não deveriam sequer ter material escolar.
    3- Todos os políticos burocratas da educação deste país defendem a progressão continuada por pura necessidade financeira! Com tantas crianças na escola e baixíssimos investimentos, não há como manter tantos alunos por tanto tempo…então vamos levar ao pé da letra a teoria, seja lá de quem for, pois jovens e crianças pobres são simplesmente números.
    4- Pra aturar tudo isso, com salários indignos, cabeça cheia de contas e problemas, não será a mídia reacionária com discurso ideológico que resolverá. Educação não é seleção brasileira. Todo brasileiro é formado e pós graduado em Futebol, mas infelizmente a Escola brasileira não precisa só de um Zagalo. Se fosse tão simples assim…

  35. Parabens pelo texto! Só quem vive de verdade a realidade nas escolas públicas compreende de fato oque foi colocado. Entendi q a Educaçao tradicional n deve ser resgatada em sua totalidade, mas nos seus pontos positivos, pois foi completamente abandonada. Concordo que o professor deve conversae e conhecer seus alunos, contudo se o mesmo n atingir o necessario para ser aprovado, n deve passar de série.
    Com certeza,os modelos propostos por esses “pedabobos” contribiu muito para a situaçao que encontramos hj.

  36. Excelente texto.
    Estudo numa escola em que,de forma geral,não são usados os métodos progressistas.A taxa de reprovação é alta,em relação a outras escolas particulares,e pouca gente reclama disso,porque os pais que colocam seus filhos pra estudar nela,sabem da disciplina que existe lá.Não que os alunos não façam nada,sejam santos,mas quando fazem,são devidamente punidos.Alguns acham isso absurdo,que é ensino tradicional(o que,como você falou,é usado como se fosse sinônimo de fascista),mas a verdade é que(para desespero dos pedagogos progressistas) a grande maioria dos pais querem para seus filhos uma educação de disciplina,parecida com a que tiveram.Quando acontece alguma coisa e o coordenador geral precisa suspender alguns alunos,sempre tem algum que diz que vai sair do colégio,e ele sempre fala que o colégio não precisa de maus alunos,que há sempre uma fila de pais que querem pôr seus filhos lá,e que pra eles bons alunos são extremamente importantes,mas maus alunos podem e devem sair do colégio.
    Lá há um sistema de recompensa pra os melhores alunos e para os melhores professores,coisa que,novamente,a grande maioria dos pedagogos acham horrível,porque de acordo com eles separa os alunos,há uma diferenciação.Talvez eles não tenham entendido que um aluno nunca,mas nunca vai ser igual a outro,se houver ou não premiações de incentivo a bons alunos,haverá diferença,sempre.
    Acredito que alguns vão achar que estou me exibindo com a escola,ou qualquer outra coisa do gênero(afinal,nunca podemos falar coisas boas de nós mesmos ou de coisas que participamos,de acordo com nossa cultura) mas foi só um exemplo,pra mostrar que,felizmente,não é a totalidade das escolas que emprega esses métodos de atraso pra ensinar seus alunos.

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  38. Belo texto e indo direto ao ponto. É necessário se salientar ainda que não são OS professores ou OS alunos os errados.A principal responsabilidade está em nossa cultura do “Laissez Faire” e na criminosa omissão de TODOS os governos civis após 1989. Não existe País de primeiiro mundo sem um povo culto e, cultura, não existe sem educação. Este é o verdadeiro resgate social que ainda não foi implementado nesse País.

  39. Um assunto que deveria ser tratado antes é “o que é educação”.

    Caso considerem que educar significa ensinar diversos conteúdos, para assim a pessoa conseguir prestar um vestibular, entrar na universidade e ir ao mercado de trabalho, vocês estão cobertos de razão, mas isto é realmente educar?
    A educação no Brasil não é progressista. Temos um planejamento que deve ser seguido, que tem de onde partir e até onde chegar, através de conteúdos científicos e tão somente. A individualidade é sim oprimida, pois todos aprendem a mesma coisa, todos tem que saber o mesmo, como se a vida de todos e a personalidade de todos fossem iguais. Parece que temos que ser adestrados a seguir regras dentro da escola e buscar o prazer fora dela, para depois trabalhar para buscar o prazer com o dinheiro, mas acho que o prazer tem que ser buscado na vida.
    A educação brasileira é feita para formar uma classe operária, pois o Brasil demanda de um grande crescimento econômico. Quem educado nos moldes brasileiros consegue se destacar na sociedade?
    Caso a necessidade seja apenas inserir na sociedade, a escola programática torna-se extremamente desnecessária, provo isso com os próprios professores. Matemáticos que não conhecem a própria história. Historiadores que não sabem fazer uma equação do segundo grau, etc.

    Ser progressista significa ser a favor da liberdade humana, da construção do conhecimento através da personalidade individual, e para isso seria necessário mudar a base estrutural de toda uma sociedade, mas isso demora muitos anos. Basta ver as transições pela qual a educação humana atravessou desde a Grécia antiga, e como isso refletiu nas estruturações sociais.

    Querer que um ser humano aprenda o que você acha correto que ela aprenda, é sim ser fascista e autoritário. Querer ensinar fórmulas inaplicáveis, biomas invisíveis, ciências avançadas é mesmo necessário a todos?
    Todo indivíduo é único e tem algo especial em que se dedicar, além da vida ser bastante curta e não termos tempo a perder com superficialidades.

    A educação no Brasil está longe de dar certo, pois a maioria dos professores acreditam que a atual organização social é ideal e que eles estão participando do desenvolvimento dela.

    A principal diferença da educação atual para a de 1950 chama-se REDE GLOBO, então, torna-se absurdo e ignorante comparar os dois tipos de educação baseados somente na escola.

  40. Não podemos nem devemos esquecer do passado, pois precisamos conhecer sua formação para entender seus meandros e encaminhamentos.O que temos hoje tem bases bem anteriores, como a filosofia da 5692/71 e seus desdobramentos, como a premissa de “toda criança na escola”.O que observo é que até o final da década de 70, início da de 80, a classe média ainda era uma presença forte na escola. Mesmo porque o número de escolas particulares não era tão grande quanto hoje e as que existiam eram caras para a os menos abastados.
    A mudança de filosofia e o surgimento de escolas até de fundo que quintal (trabalho em uma comunidade que tem escolas dentro da própria favela -“campus avançado” de uma escola religiosa do bairro…) trouxeram para a escola pública aqueles que antes não tinham acesso a mais do que 2ª, 3ª série (a enorme maioria de pais da minha escola não tem nem mesmo a 4ª série).
    A minha geração, dos 40,50 anos,estudou em escola pública e chegou até uma Universidade pública.
    Outro dado relevante é o de que nós não tínhamos os apelos que as novas gerações têm. Mesmo “ficar na rua” era muito difícil…As mães ainda não estavam tão maciçamente no mercado de trabalho, mas sim em casa,orientando,cobrando…
    Ir à escola, além de muito bom para estar com os amigos, que,muitas vezes,passávamos as férias (de três meses!) sem encontrar;era divertido:o modo de ter acesso a novidades, a coisas que não sabíamos!
    Hoje vemos nossos alunos “saberem” mais que nós coisas que estão aparecendo no mundo,como a tecnologia,por exemplo.
    Além do mais, a escola “dava futuro”:estudar era passaporte para o mercado de trabalho, com certeza.Hoje, nem mesmo o curso universitário é segurança de um emprego… E por aí vai.
    Enfim,não há como comparar o “antes” e o “depois”.Nesse meio há um mundo que mudou- para melhor, para pior -mas mudou.E não podemos desconsiderar essas mudanças se quisermos entender o que vivemos hoje.

    Fico imaginando… Se tivéssemos hoje os recursos (minha escola é super-equipada; tem laboratório de informática, data show, material em quantidade e tudo mais), a facilidade de acesso à informação e a liberdade de discussão com AQUELES ALUNOS de 30 anos atrás, AQUELA realidade de escola pública… NOSSA!!! Nem a Finlândia ou o Japão teriam nosso nível de competência!!!

    Mas isso não é possível. Concordo que vivemos uma crise. E acredito que discussões como essa são um grande passo para sairmos dela.

    O ensino não está em crise no Rio, ou em Porto Alegre, ou só onde existe o sistema ciclado. O mundo está em crise; a sociedade está em crise; estamos todos imersos em imensas crises: crise de valores, crise social e familiar… Pensemos. Discutamos. Busquemos caminhos.

    ***

    Em tempo: a “aprovação automática” é o resultado do mau entendimento do que seria “progressão continuada”. Traço importante do sistema de Ciclos de Aprendizagem; teoria cunhada por Wallon na França. Serviu para reorganizar o sistema de ensino no pós-guerra. Tem por base teorias da neurociência, que estuda o desenvolvimento humano e sua capacidade de aprendizagem através das idades. É séria. É conseqüente. E foi eficaz.
    Sua implantação hoje é mal feita e indevida, pois a realidade, os objetivos e – principalmente – sua intenção é outra completamente diferente do que foi nas origens. Não há termo de comparação. Pelo menos no Rio, não temos Ciclo. Nâo temos nada. Há muito tempo. E bem antes da implantação dos Ciclos de Formação.

    Espero ter contribuído para a discussão.

  41. “A principal diferença da educação atual para a de 1950 chama-se REDE GLOBO, então, torna-se absurdo e ignorante comparar os dois tipos de educação baseados somente na escola.”

    Ah, sim claro! Agora a culpa é toda da Rede Globo.

    Que eu saiba, até os anos 80 a educação pública era muito boa e já existia a Rede Globo.

    Ah! Os pedabobos e pedabobas e suas desculpinhas esfarrapadas para tentarem justificar a própria incompetência.

  42. Se me permite, resumo:
    “Entrem numa sala de aula desses países e vejam se lá essas teorias de merda”

  43. a educação era melhor na década de 50 por que era mais restrita aos ricos e influentes, com a democratização da educação os ricos foram para as escolas particulares e os pobres ficaram na pública. Isso explica muita coisa.

  44. Esse é mais um presente da esquerdalha brasileira patrociando pelos partidos PT/PSDB/PCdoB/PTB e tantas outras “agremiações” da nossa esquerdalha caviar. Bom, é só ver que passamos de um arrogante de Soborne para um arrogante de Garanhuns… Viva a esquerdalha brasileira, afinal, família, educação e respeito são valores “facistas”…Ótimo texto.

  45. O problema dos extremos é que se perde o que há de bom em cada método,a educação tradicional é insuficiente no contexto moderno mas tem na disciplina e conteúdo um ponto forte,já a contextualização e o construtivismo são bem interessantes e são usados com sucesso há um bom tempo logo com equilíbrio a gente tira o melhor de cada um…

  46. Concordo plenamente…

    Eu sempre admirei o método de ensino que minha mãe teve…Tinha mais matérias, mais rigidez, se parecia muito com o que eu esperava…
    Ledo engano.Meu ensino médio foi deprimente, alguns alunos nem sabiam ler/escrever direito…
    É vergonhoso.E agora, eu vejo um futuro sombrio para mim.
    Pagar cursinho pré-vestibular, etc. >_<''

    Não acho que teria que precisar disso, se a educação fosse de qualidade.

  47. Concordo com o texto,sobre educação progressista. O que progrediu foi a ignorancia que tampa a visão das pessoas para além, para uma cultura que eleve o ser humano e consequentemente tudo ao ser redor. Passou-se de um extremo a outro e virou essa banalização. Todas as esferas fazem de conta que ensinam e fazem de conta que aprendem. É uma educação toda atropelada, não atende nem atinge a maioria que precisa dela para sair da miseria material, cultural, social, espiritual e tantos “al” que caberiam aqui.
    Olha que sou professora, vejo isso, sinto isso e sofro com isso.
    É preciso ler, é preciso pensar, é preciso perguntar, é preciso se interessar, é preciso ouvir, prestar atenção, querer melhorar, mas, está difícil. Pra quê né? Está tão fácil dar um “jeitinho”, evitar a fadiga, “curtir a vida”, estudar é um saco, exigências causam “traumas” infantis, as leis protegem. Melhor é ser babaca, é única lei vigente funcionando nesse país conveniente a muitos.
    Gostei do texto. Faz refletir sobre nossa educação e ver o caos que anda. faz ver que o é preciso mudar pra ontem ainda, isso se houvesse vontade politica da maioria dos governantes, dos alunos e dos professores, que não fosse apenas para mudar estatísticas.

  48. Parabéns pelo texto!

    Atualmente sou professor de História e Geografia na rede pública em Cuiabá, mas já lecionei na rede particular, no Ensino Fundamental e Ensino Médio, EJA, há pelo menos 10 anos, e em três estados SC, PR e por fim MT.
    Não tenho uma experiência tão vasta na área, como alguns colegas de mais de 20 anos de profissão, mas não sou leigo no assunto. Aqui em MT, já algum tempo a Secretária de Educação vem pressionando as escolas a adotarem o modelo de escola de ciclos de formação humana ou educação progressista, e a partir de 2010, todas as escolas estaduais deverão ser cicladas. Quero deixar minha opinião sobre esse assunto, por motivos óbvios, tão complexo e polêmico, como a educação. A educação Progressista, assim como alguém outra ideologia, sistema, filosofia, tens pontos negativos e positivos, esse sistema de educação não é uma exceção, por isso não podemos defini-lo com radicalismos ou paixões. Considero que a educação progressista discute pontos muito interessantes, como trabalhar temas transversais (sexualidade e drogas) a interdisciplinaridade, a democratização do ensino, no entretanto peca em muitos sentidos, como o processo avaliativo, a extinção das notas, que é considerado pelos progressistas, como o próprio Cardoso fala, “um crime contra a humanidade”. considero um erro comparar alunos da década dos anos 50 com alunos de hoje…. o mundo mudou muito…ainda sequer tínhamos ido a Lua na década de 50…deixando a ironia de lado, percebo, o que é ‘saltado aos olhos” que essa disciplina e rigidez, tão criticada pela EP, não deveria ser extinguida, não podemos simplesmente “jogar fora” anos de experiência educacional e é isso que a educação está fazendo atualmente, apagando seu passado. Como historiador penso que devemos observar o passado com um olhar critico, reproduzindo no presente, aquilo que deu certo e eliminar as experiências infrutíferas. Para finalizar quero deixar uma frase do senador Cristovam Buarque: “O Brasil só alcançará seu progresso, quando uma criança ao nascer, seu pai deseje profundamente que seu filho torna-se professor quando crescer”.

  49. Amei o texto vc esta de parabens,tenho um filho com sindrome de down com 11 anos e ele esta aprendendo o metodo antigo em uma escola que nao e regularizada,pra mim isso nao importa importa que ele esta aprendendo. E ainda um conselho tutelar tem coragem de me dizer que estou sendo negligente de nao colocar meu filho em uma escola regular,como pode se esse metodo nao esta alfabetizando nem crianças “normais”imaginam as que precisam de uma atençao maior?Coloquei ele na rede em um mes ele regrediu,o que ele sabia ele começou esquecer,tirei ele e voltei pra onde ele estava.Estou tendo probelma agora com conselho porque me disse que e lei a criança ficar e uma escola regular,é lei eu deixar meu filho em uma escola que nao da atençao,nao da alfabetizaçao a ele,e errado eu procurar uma escola mesmo que nao seja regularizada mais esta dando o que meu filho precisa,eles querem essas crianças na rede pra ter meta,estatista mais com meu filho nao vai ser assim vou lutar ate o fim mais ele vai ser alfabetizado ao metodo antigo com cartinha caminho suave,e se tivesse poder pra mudar esse metodo com certeza mudaria voltaria o antigo e mais daria bomba porque so assim essas crianças vai vao aprender vao ser alguem na vida futuramente.

  50. muito bom (irronia, vê-se que você é do tempo da ditadura, onde é matar ou morrer….

  51. Olá, querido leitor que se esconde atrás do confortável anonimato.

    Não, não sou do tempo da ditadura.

    E não, não defendo a repressão política e a violência.

    Você, pelo jeito, também não é do “tempo” da ditadura, por ter essa visão tão distorcida das coisas.

    Da expressão “tempo da ditadura”, não defendo a “ditadura”, só o “tempo”. Essa visão modernista e/ou pós-modernista de que tudo que é antigo é ruim e tudo que é novo é bom nem sempre é válida… Nossa sociedade avançou, nessas décadas, em muitos aspectos, mas decaiu em outros… Alguns dos pontos em que decaímos são visíveis nas escolas: a falta de valores, de respeito, de empenho, de devoção no trato com o conhecimento.

    Um abraço

  52. Sabe quando estudamos percebemos o quanto somos pequenos em relação ao mundo e a todas as formas de vida existentes, e querer se achar superior a um inseto, uma formiga, ou qualquer outro ser vivo por que somos seres racionais, é o pior erro que a humanidade comete, pois é nós que com nossa ganancia destruimos o maior bem que temos, o planeta, e somente com uma educação para todos, dialógica, valorizando o conhecimento pré- existente do aluno, e sabendo que quando professores, não sabemos tudo e nunca saberemos, e não é um erro lutar para que a educação evolua para melhor, e deixe de ser auquela educação adestradora, onde o professor é o mestre, e tudo sabe, pois não é verdade, o melhor professor que seja passou pelas mãos de outro professor… pense nisso pois essa sua maneira de achar tudo ruim, vai te amargando enquanto pessoa e você deixará de ver o verdadeiro valor da vida….

  53. Patricia, dá uma olhada nas salas de aula das escolas públicas brasileiras e vê que lindos resultados o mau uso dessas teorias messiânicas tem nos proporcionado.

    Quanto ao teu repúdio pela figura do “mestre”, faço-te uma pergunta. Se tu precisares aprender alguma coisa… por exemplo, escrever corretamente, ou fazer uma corda, ou preparar um bolo de chocolate, ou projetar um motor de carro, quem tu procurarás para te ensinar a fazer essas coisas? Alguém que sabe fazê-las, ou alguém que não sabe? (by the way, isso foi uma pergunta retórica)

    Na minha opinião, uma das causas da M-E-R-D-A que se instaurou na educação brasileira é que as teorias messiânicas solaparam a reverência e o respeito pela fugura do MESTRE.

    Claro que não defendo uma visão de agulha hipodérmica em que se que transmite o conteúdo morto de alguém que sabe para alguém que não sabe. Mas defendo a valorização do papel do MESTRE na construção do conhecimento. Uma construção que não é e não pode ser totalmente igualitária, como pregam os MEssias pedagógicos, pois quem não sabe precisa respeitar e acolher as orientações de quem sabe.

    Você não concorda com isso? Então, abra uma empresa e contrate apenas analfabetos funcionais que passaram pela escola libertadora sem aprender e saíram de lá diplomados. Em quantos meses você vai à falência?

    Um abraço

  54. Olha eu tenho certesa que para a educação está uma merda, como você diz, não é culpa dos professores, nem da educação progressista, mas sim da merda que atualmente chamam de evolução tecnológica, onde na américa do norte querem substituir os cadernos, o contato com a escrita por notbook, agora pode até surgir uma série de problemas com a alfabetização, ese formarem alunos analfabetos funcionais, mas não em decorrência da educação progressista, que vem para valorizar nossos educandos, porém atualmente os alunos que não querem mais buscar o aprender, por causa desse adestramento da escola tradicional que é só decorrar para uma prova e acabou, e esa nova educação busca resgatar o interersse perdido, e fazer o aluno criticar seu contesto histórico atual, e ver que os que mais se destacam no mercado de trabalho são pessoas criticas, e com bom senso, não com as orelhas baixas para a pouca vergonha que um ensino de adestramento nos trás… pelo jeito você é daquelas pessoas que vieram da escola tradicional e que não passaram pelo maravilhoso mundo das dinamicas em sala, praticas, problematização do conteudo, como eu vivencio, claro eu já estudei em escola tradicional, mas atualmente não troco por nada o bom e necessário ensino progressista…

  55. há só para finalizar concordo com o Sérgio, voçê nao pode querer mudar o pensamento dos outros, o ser humano tem livre liberdade para fazer a escolha do que é melhor para ele, e mesmo que queira que todos concordem com você está longe de ser realidade, pois nós pessoas progressistas somos muitas, e vamos lutar para cada vez mais a escola ser um lugar de ter prazer em aprender e não em decorar conceitos e pronto que não são uteis para a vida, e o meu pensamento é um que você pode argumentar o quanto quiser, que não vai conseguir me influenciar com seus absurdos…

  56. 1) Patricia, culpar a tecnologia pelo caos na educação brasileira é um absurdo.

    Principalmente porque esta crise na educação é uma crise eminentemente brasileira. Se formos até a Coreia, o Japão, a Finlândia, a Inglaterra, a Alemanha… ou nem precisamos ir tão longe… basta cruzarmos a fronteira até o Uruguai, veremos escolas com resultados MUITO melhores que os nossos. Estarão esses países imunes à tecnologia?

    Não. A tecnologia também chegou lá. A diferença é que lá eles não deixaram de se guiar pelos resultados e pela excelência.

    2) Também acho absurdo o projeto para substituir cadernos por notebooks ou tablets. Acho a escrita IMPORTANTÍSSIMA. Aliás, sabe um lugar onde não se escreve mais? Salas de aula comandadas por professoras que se dizem progressistas. Conheci várias, em várias escolas, e lá os alunos quase não escrevem mais, em prol de atividades lúdicas e recreativas, ou de recorte e colagem, etc. Uma vez, perguntei a uma menina da quinta série: “Pô, o que vocês faziam nas séries iniciais?” E ela respondeu: “a gente só pintava desenhos”.

  57. Les pido disculpas, entiendo portugues pero no puedo escribirlo. Soy docente de Profesorado de Educación Primaria, Inicial y especial de Argentina. Es increíble cómo nos parecemos Brasil y Argentina en esta problemática. Hay una espiral de silencio. Hay TERROR, MIEDO de exponer al rey desnudo.
    Yo considero a Paulo Freire a la altura de Marx y de Freud. Pero lamento sus intérpretes. Lamento sus apólogos que desarrollan políticas de analfabetismo “inclusivo” y de “retención”
    A los docentes que formamos docentes nos obligan a aprobar gente o somos castigados. Hay presiones indecibles para que todo el mundo siga en el sistema a cualquier precio.
    Es preocupante allá y acá. En todos los niveles. Gracias y abrazos a los hermanos brasileros.

  58. Finalmente achei um blog q faz críticas a este modelo de educação. Mas não vi vc dizer sobre escola ciclada. Aqui no MT não vi até agora nenhum professor q fale bem desse sistema. Realmente vivemos em uma época de trevas para a educação.

  59. Cara, estou começando uma licenciatura na UFRJ, puxei uma disciplina da faculdade de educação e… pu ta q pa riu. A aula é todinha de “educação voltada para a classe popular”, “pedagogia progressista visando a libertação da classe popular” e toda a merda que gira em torno disso. Pensei em trancar, ainda dá tempo, mas depois encarei como um desafio, até porque se quiser terminar esta faculdade (já comecei outras, mas tive que abandonar por motivos pessoais) sei que vou ter que encarar umas viúvas de Paulo Freire no meio do caminho, então que seja. Tenho um relatório para entregar no mês que vem e queria saber se você, como educador, não tem algum livro ou artigo a me recomendar que se oponha em nível acadêmico a esta baboseira toda. Agradeceria muito.

  60. Daniel Valin: aqui em Porto Alegre (rede municipal) a escola é ciclada. E é uma merda. A maioria dos alunos sai analfabeta do ensino fundamental.

    Daniel: deixei de ser educador em 2010. Hoje sou jornalista. Preciso dizer que não conheço autores, na área da Educação, que contrariem essa corrente dominante, pois é muito mais charmoso e romãntico ser progressista e escrever poesia em vez de ensinar de verdade.

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