Da série “Idéias que eu queria ter tido”

Uma das principais facetas da grande revolução cultural promovida pela Internet é a possibilidade de ligação direta entre gênios amadores e um público de milhões de pessoas. Graças ao Youtube, produções caseiras de orçamento quase inexistente tornam-se fenômenos de audiência.

Uma delas é essa fantástica saga de oito episódios inspirada no universo de Star Wars: Chad Vader, o Gerente do Turno do Dia, em que o irmão mais novo de Darth Vader dirige um supermercado como se fosse uma Estrela da Morte.

Episódio I

Episódio II

Episódio III

Episódio IV

Episódio V

Episódio VI

Episódio VII

Episódio VIII

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Diálogo improvável, mas não impossível

Depois de uma retumbante derrota no Senado, César teria perguntado a um de seus mais sábios conselheiros:

 — Estariam as pessoas desconfiando da minha competência como articulador político?

— É justamente o contrário, ó Magnânimo. Vossa incompetência é que é absolutamente fidedigna.

Segundo fontes historiográficas apócrifas, aquele teria sido o primeiro Conselheiro imperial a ser jogado aos leões.

Entrevista exclusiva com o Papai Noel

papai_noel.jpgPassada a correria de Natal, o Papai Noel arranjou tempo para conceder a este blogue uma entrevista exclusivíssima.

Periscópio: Papai Noel, o senhor existe?

Papai Noel: Você aprendeu a fazer perguntas com o Cabrini?

Periscópio: Por favor, não fuja pela tangente. Existe ou não existe?

Noel: Você nunca leu aquele editorial do New York Sun? É claro que existo.

Periscópio: Então, o senhor existe como descrito no editorial de Francis Church?

Noel: É claro que não. Mas o texto de Francis e a idéia que ele defende tiraram das minhas costas o peso de ter que estar sempre provando que eu existo.

Periscópio: Onde o senhor mora?

Noel: Nasci e cresci na Lapônia, mas me mudei para Paris depois que o negócio começou a prosperar de verdade. Também tenho um apartamentinho em Roma e um chalé em Seychelles para passar o verão.

Periscópio: Quando o senhor nasceu?

Noel: Em 25 de dezembro de 1748.

Periscópio: Então, antes disso as crianças não recebiam presentes no Natal?

Noel: Sempre houve pais que deram presentes aos filhos. Eu apenas me dei conta do potencial comercial do Natal e soube tirar proveito disso. Apesar do que diz a Coca-Cola, quem inventou a economia do espírito fui eu.

Periscópio: Para o senhor, o Natal é apenas uma data comercial?

Noel: Para você não é?

Periscópio: Como o senhor lucra com o Natal?

Noel: Basicamente, direitos de imagem. E também tenho ações de algumas redes hoteleiras e companhias dos setores de brinquedos e transporte de cargas. Os pais não acreditam na minha existência, mas compram para os filhos presentes fabricados pelas minhas empresas.

Periscópio: Então, não é o senhor que fabrica os brinquedos na sua oficina?

Noel: No começo, eu fazia isso. Mas consumia todo o meu tempo. Do ano inteiro! Um pobre velho merece descansar. E ainda havia todos aqueles processos na Justiça do Trabalho, movidos por aqueles duendes vagabundos. Foi aí que decidi terceirizar. Hoje, quase todos os brinquedos são feitos na China.

Periscópio: E a entrega ainda é feita no famoso trenó voador?

Noel: Claro que não. Eu usava um trenó no início da carreira. E ele não voava. Mas a expansão do negócio me obrigou a contratar transportadoras.

Periscópio: E o que o senhor fez com as renas?

Noel: Churrasco. Com exceção de uma, que vendi para a fábrica de salsichas do Franz Holopainen. E ele nunca me pagou! Velho sovina…

Periscópio: O senhor atende os pedidos de todas as crianças que lhe escrevem?

Noel: Só daquelas cujos pais podem pagar pelo presente.

Periscópio: E as crianças pobres?

Noel: Essas eu não preciso ajudar. Para isso existem as campanhas dos Correios e as ações dos voluntários.

Periscópio: Existe uma Mamãe Noel?

Noel: Existiu, há muito tempo. Nos separamos e nunca mais nos vimos. Hoje, namoro uma ex-top model cujo nome prefiro manter em segredo. Questão de privacidade, entende?

Periscópio: O senhor não tem medo de ficar desacreditado, após essa entrevista?

Noel: Não.

Periscópio: Por quê?

Noel: Primeiro, porque ninguém lê o seu blogue. Depois, porque os que lerem vão dizer que você inventou isso tudo.

Questão de Advérbio

Lembram do Osvaldo?

Ele estava

Redondamente

Enganado

Ao Amar

Intensamente

Uma Mulher

Que o deixava

Completamente

Enfeitiçado

E que obrigava

A falar

E escrever

Eternamente

Rimado

E dava a entender

Que o amava

Loucamente

Coitado!

Acreditava

Piamente

Naquela que

Pelo Padeiro

O tinha

Vilmente

Trocado

Copa: bom pra quem?

A Copa de 2014, salvo em caso de grande catástrofe, será no Brasil. É a verdade pura, líquida e certa e, portanto, não há mais espaço para se debater prós e contras, “sim” ou “não”. Devemos, ao invés disso, encontrar maneiras de fazer com que o evento seja proveitoso para o país e para o povo como um todo, de forma efetiva e duradoura.

Apesar da retórica ufanista – que por vezes beira a pieguice – de artigos como o de Frank Damasceno, publicado na internet e na Zero Hora de 1º de novembro, a Copa por si só não será um bálsamo milagroso para todas as mazelas que afligem o povo e o Estado brasileiros. O referido texto – que apresenta o sorriso do brasileiro como virtude que nos credencia a sediar o certame – afirma que os investimentos em infra-estrutura e a geração de empregos melhorarão de forma significativa as condições de vida de toda a população. É preciso, aqui, analisar algumas questões com maior atenção.

Cabe perguntar, em primeiro lugar, de onde sairão esses recursos todos e, em seguida, quem será beneficiado pelas obras. O presidente Lula e os demais envolvidos na materialização do projeto apostam em parcerias com a iniciativa privada. Ora, sabemos que nenhum empresário abre uma empresa para fazer caridade – e nem queremos que eles ajam assim. Logo, os investidores que abraçarem o projeto o farão à espera de que possam explorar economicamente as benfeitorias por eles financiadas. Pagarão os empresários pela construção de hospitais públicos? Mandarão construir escolas de qualidade para as crianças pobres? Investirão em áreas de lazer de uso gratuito? Patrocinarão a formação de bons professores e médicos? Creio que seja desnecessário responder essas perguntas, pois todos sabem como funciona o Capitalismo.

Mesmo que Lula, o seu sucessor e o empresariado consigam promover as obras necessárias à realização da Copa, a desigualdade e a exclusão permanecerão, pois os problemas do Brasil não são mera questão de infra-estrutura. Há metas bem mais sérias a serem atingidas – como a resolução dos problemas da criminalidade, da corrupção institucionalizada, da derrocada dos valores, da Educação de faz-de-conta – e esse gol não pode ser marcado em apenas sete anos.

Até Deus riu desta piada

Minha mãe e outros milhões de cristãos ficariam horrorizados se assistissem ao vídeo abaixo.

Eu, pessoalmente, não vejo contradição entre a fé e o auto-deboche, principalmente quando a gozação não questiona nenhum dos dogmas em que se acredita (como é o caso deste filme).

E eu aposto que o próprio Deus, caso exista da maneira antropomorfizada em que somos ensinados a crer, já deu umas boas risadas desta e de outras boas piadas (que ficam muito melhores quando legendadas em português de Portugal).

O presente ausente

Quando perguntaram a Clóvis o que ele queria ganhar no Natal, a resposta foi curta, vaga e politicamente corretíssima:

— Ah, nada. O que vale é a intenção!

Chegou o Natal e ele ganhou dos amigos um lindo embrulho. Vazio. Haviam dado com a melhor das intenções, pois todos gostavam muito de Clóvis.

Na festa, Clóvis foi o único que não sorriu.

 

Moral da História: o que vale é a intenção, mas o que agrada mesmo é o presente.

 

A heresia da vez

E a Igreja Católica começou outra Cruzada contra um filme que, supostamente, ofende os seus dogmas ou ameaça a sua hegemonia (já há muito perdida). A heresia da vez é A Bússola de Ouro, uma obra no estilo O Senhor dos Anéis que, se entendi bem, trata da luta de uma garotinha para salvar os ursos polares da extinção após o derretimento do gelo ártico.

Não sei se desta vez os beatos e beatas do mundo deixarão de ver o filme para agradar o bispo, mas o fato é que, via de regra, os boicotes que a Igreja organiza contra livros e filmes acabam se tornando um tiro no pé. Isso porque o esperneio dos padres em relação a produções heréticas gera uma enorme publicidade (gratuita) para as referidas obras, ao mesmo tempo em que incita a curiosidade do público, que vai correndo ao cinema ou à livraria para sentir aquele gostinho de coisa proibida.

Seja como for, eu provavelmente não verei A Bússola de Ouro. E não é por imposição eclesiástica, mas sim porque eu não tenho mais saco para esse tipo de filme. A não ser que o Sméagol esteja no elenco.