pílulas de absurdol #23

O dia de hoje é bem representativo do quão danosa é a bolha do Facebook para nossa percepção do mundo.

A julgar pelo que aparece na minha timeline, o Rio Grande inteiro está revoltado e escandalizado com a barbaridade operada por Sartori e sua base nesta madrugada.

Mas, como bem sabemos e como bem descreveu o Adriano Barcelos em um post, é justamente o contrário: a maioria dos gaúchos está a favor, ou nem sabe de que se trata.

A sociedade não é a nossa timeline do Facebook; a sociedade é aquele grupo de tios que ficam perto da churrasqueira da casa da nossa vó dizendo merda toda manhã de domingo.

O Facebook distorce tudo.

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Use a cabeça, Davi

Um dos motivos de estarmos sendo patrolados por Sartoris e Temers (e principalmente por seus patrocinadores) é que ainda não nos demos conta do nosso real tamanho e força. Eles estão, no momento, muito maiores e mais fortes que nós. Nós somos o fracote e não o fortão da rua.

Se o mirrado Davi tivesse tentado sair no braço com o gigante filisteu Golias, teria sido estraçalhado. Davi usou uma funda para acertar uma pedra na cabeça do gigante.

Precisamos achar nossa funda e nossa pedra. Batendo de frente com a muralha de policiais e com o forte aparato de propaganda dos governos, os opositores dos projetos de desmonte do Estado serão massacrados – literal e metaforicamente.

láiques

Segundo o videozim de Retrospectiva 2016 que o Zucka montou pra mim, eu curti 9.532 coisas de 1º de janeiro até hoje.

Isso dá uma média de mais de 27 likes por dia. Interessante ver o quanto a gente contribui, sem querer, pros rumos do algoritmo e pros negócios do Facebook… Bem que podia pingar uma graninha na conta, Mark.

uma nova forma de organização política é necessária

Pensando alto – uma tentativa de sugestão de alternativas pra evitar novas derrotas por goleada no futuro:

À quase totalidade dos pilantras da ALRS que dilapidam a máquina pública a soldo de interesses privados, pouco interessa o que se faz na Praça da Matriz. Estão pouco se lixando se há 10 ou 10.000 manifestantes lá. Tudo que lhes interessa são seus currais eleitorais no Interior.

Lembro que, em 2014, trabalhei com a Cleidi Pereira numa reportagem sobre a evolução patrimonial dos parlamentares que disputavam reeleição. E a assessoria do Edson Brum (bem como o próprio deputado, que ficou muito puto), um dos campeões de enriquecimento, ficou um tempão me pentelhando, exigindo uma correção – que não demos, pois a matéria se baseava em dados que os próprios candidatos informaram ao TSE.

O curioso é que o deputado não ficou puto por causa da matéria em si, e sim porque as rádios do Vale do Rio Pardo, seu curral, estavam repercutindo a nossa reportagem. Acho o exemplo bem representativo do que realmente atinge esses caras.

Vou dizer o óbvio, mas uma obviedade que está sendo ignorada: um possível caminho pra fazer esses matungos sentirem o golpe pode ser interiorizar a pressão:

– catalogar as bases eleitorais de cada deputado governista
– fazer contato com aliados de lá: núcleos de sindicatos, delegados sindicais, membros de coletivos e partidos de oposição, até aquele seu primo que vc só vê quando vai visitar a Tia Cida
– estudar a mídia de cada um dos municípios catalogados: quais são os jornais e rádios, qual a linha de cada um em relação ao parlamentar etc
– orçar anúncios, claros e didáticos, de modo a causar o maior dano possível
– confeccionar adesivos pra colar em pontos de ônibus e locais de concentração de pessoas nesses municípios, panfletos, cards de redes sociais voltados a essas cidades, pra postar em grupos e páginas regionais etc
– fazer vaquinhas pra custear essas ações.

Se houver interessados em fazer algo nesse sentido, sou parceiro pra pensar em ações e pra contribuir na vaquinha. O Inbox está à disposição da Causa.21