Acordo

— Olha só, Seu Procurador, minha empresa compra políticos de diversos partidos, tira e coloca gente nas estruturas de investigação, indica pessoas pra cargos-chave na administração, sou recebido pelo presidente em pessoa pra negociar maracutaias e encomendar políticas… posso me livrar da punição se gravar alguns desses mafiosos com a boca na botija?

— Não, acho que vamos prender é o senhor mesmo…

Imagina que lôco.

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pílulas de absurdol #30

Na sala de edição de uma rádio da Província, a TV mostra cena de execução no Rio de Janeiro. Um técnico diz para outro: “Que barbaridade, isso aí.”

O outro, que até então tava quieto, começa a vomitar uma torrente de frases em sequência:

“Esses vagabundo tem que matar mesmo.”

“Se a polícia não matasse ele, ele mataria mais gente ainda.”

“Cachorro comedor de ovelha, só matando.”

“Esses aí são que nem cara que bate em mulher: dizem que vão parar, mas não param.”

Não sei mais de quem ele tá falando.

Gestor

Caímos, os críticos de Doria, na ilusão de contrapor seu discurso e marketing de “gestor” com sua prática de violador de direitos civis e comandante de atrocidades como as da última semana.

Mas isso é um erro nosso: não há dicotomia alguma. Para a base social de Doria, o que se espera de um gestor é justamente que esteja disposto a revogar liberdades individuais, roubar cobertor de mendigo e derrubar um prédio com gente dentro – desde que seja gente que eles não considerem gente. O ~gestor~ ideal é um monstro assim mesmo.

gauchadas

As estações do ano no RS são explicadas pelas perguntas que o vivente se faz de manhã antes de sair de casa.

Temos: “Será que é real aquela história de que andar nu dá cadeia?”, que vai de novembro a março, “Será que o meu jeito de caminhar vai denunciar que estou com três calças?”, entre julho e agosto, e agora estamos na estação “Devo sair só de camiseta ou com traje completo de exploração do Ártico?”