Acordo

— Olha só, Seu Procurador, minha empresa compra políticos de diversos partidos, tira e coloca gente nas estruturas de investigação, indica pessoas pra cargos-chave na administração, sou recebido pelo presidente em pessoa pra negociar maracutaias e encomendar políticas… posso me livrar da punição se gravar alguns desses mafiosos com a boca na botija?

— Não, acho que vamos prender é o senhor mesmo…

Imagina que lôco.

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Gestor

Caímos, os críticos de Doria, na ilusão de contrapor seu discurso e marketing de “gestor” com sua prática de violador de direitos civis e comandante de atrocidades como as da última semana.

Mas isso é um erro nosso: não há dicotomia alguma. Para a base social de Doria, o que se espera de um gestor é justamente que esteja disposto a revogar liberdades individuais, roubar cobertor de mendigo e derrubar um prédio com gente dentro – desde que seja gente que eles não considerem gente. O ~gestor~ ideal é um monstro assim mesmo.

pílulas de absurdol #25

Pra não dizer que os protestos populares contra os pacotes de Sartori não tiveram efeito sobre a Assembleia Legislativa, observo que o Parlamento investiu num aparato pra dificultar o acesso de pessoas ao prédio: uma pesada porta giratória, catracas e necessidade de cadastro de visitantes na portaria.

pílulas de absurdol #26

Servidores são atacados com bombas pela Polícia Militar de Sartori em Cachoeirinha.

Como a imprensa da Província noticia o caso? “Servidores e BM entram em confronto”.

Conceito de “entrar em confronto” com que os jornais trabalham: policiais treinados, com pistolas na cintura, vestindo colete e capacete e portando escudos disparam bombas contra pessoas de tênis, calça jeans e camiseta, desarmadas. E, se um ou outro revida, é derrubando um gradil ou juntando no chão uma pedra para jogar.

P.S: Como a imprensa também gosta de trabalhar com noções de comparação, sigo aguardando matéria mostrando quantos professores poderiam ser pagos em dia com a grana preta que Sartori e Schirmer gastam em armamento para uso exclusivo contra manifestantes.

Aula de política

Programa da Namaria passando na TV da sala de espera do consultório médico.

Primeiro, rola matéria sobre uma modelo de 72 anos que impressiona pela jovialidade e beleza. Depois, Namaria apresenta projeções que dizem que em dois mil e sei lá quanto teremos uma população idosa. Em seguida, matéria sobre como envelhecer sendo ativo e produtivo, com o famigerado ~especialista~ dizendo que “muita gente atinge o pico da produtividade com 60, 70 anos”. Depois, entra Glória Maria dizendo como é bom trabalhar até a morte.

Na pauta do Congresso, a reforma da Previdência.

Use a cabeça, Davi

Um dos motivos de estarmos sendo patrolados por Sartoris e Temers (e principalmente por seus patrocinadores) é que ainda não nos demos conta do nosso real tamanho e força. Eles estão, no momento, muito maiores e mais fortes que nós. Nós somos o fracote e não o fortão da rua.

Se o mirrado Davi tivesse tentado sair no braço com o gigante filisteu Golias, teria sido estraçalhado. Davi usou uma funda para acertar uma pedra na cabeça do gigante.

Precisamos achar nossa funda e nossa pedra. Batendo de frente com a muralha de policiais e com o forte aparato de propaganda dos governos, os opositores dos projetos de desmonte do Estado serão massacrados – literal e metaforicamente.

uma nova forma de organização política é necessária

Pensando alto – uma tentativa de sugestão de alternativas pra evitar novas derrotas por goleada no futuro:

À quase totalidade dos pilantras da ALRS que dilapidam a máquina pública a soldo de interesses privados, pouco interessa o que se faz na Praça da Matriz. Estão pouco se lixando se há 10 ou 10.000 manifestantes lá. Tudo que lhes interessa são seus currais eleitorais no Interior.

Lembro que, em 2014, trabalhei com a Cleidi Pereira numa reportagem sobre a evolução patrimonial dos parlamentares que disputavam reeleição. E a assessoria do Edson Brum (bem como o próprio deputado, que ficou muito puto), um dos campeões de enriquecimento, ficou um tempão me pentelhando, exigindo uma correção – que não demos, pois a matéria se baseava em dados que os próprios candidatos informaram ao TSE.

O curioso é que o deputado não ficou puto por causa da matéria em si, e sim porque as rádios do Vale do Rio Pardo, seu curral, estavam repercutindo a nossa reportagem. Acho o exemplo bem representativo do que realmente atinge esses caras.

Vou dizer o óbvio, mas uma obviedade que está sendo ignorada: um possível caminho pra fazer esses matungos sentirem o golpe pode ser interiorizar a pressão:

– catalogar as bases eleitorais de cada deputado governista
– fazer contato com aliados de lá: núcleos de sindicatos, delegados sindicais, membros de coletivos e partidos de oposição, até aquele seu primo que vc só vê quando vai visitar a Tia Cida
– estudar a mídia de cada um dos municípios catalogados: quais são os jornais e rádios, qual a linha de cada um em relação ao parlamentar etc
– orçar anúncios, claros e didáticos, de modo a causar o maior dano possível
– confeccionar adesivos pra colar em pontos de ônibus e locais de concentração de pessoas nesses municípios, panfletos, cards de redes sociais voltados a essas cidades, pra postar em grupos e páginas regionais etc
– fazer vaquinhas pra custear essas ações.

Se houver interessados em fazer algo nesse sentido, sou parceiro pra pensar em ações e pra contribuir na vaquinha. O Inbox está à disposição da Causa.21