Mais uma dica tardia

Tenho a estranha mania de só indicar livros e filmes depois que todo mundo já leu/assistiu.

Por exemplo, só ontem consegui ver Ensaio Sobre a Cegueira, filme dirigido pelo Fernando Meirelles e baseado em um romance do José Saramago, que, aliás, é um quase-blogueiro (explicações aqui).

Ler um livro do Saramago é um dos meus projetos para a aposentadoria. Já ouvi falar sobre todos eles, mas ainda não arranjei tempo para ler. Logo, peguei o filme na locadora pelo Meirelles, um dos meus diretores preferidos, e não pelo Saramago, que, diga-se de passagem, ouvi no Fórum Social Mundial e achei um chatolino de marca maior.

Tratemos do filme: é um soco no estômago.

Assim como Dogville, é uma metáfora da condição humana, que mostra o que nós temos de pior – como se a nossa sociedade fosse colocada diante de um espelho capaz de mostrar detalhes de nós mesmos que antes nos passavam despercebidos.

No filme de Meirelles, uma epidemia de cegueira atinge os habitantes de uma grande cidade. A princípio, os cegos são jogados em um sanatório abandonado e se obrigam a criar uma sociedade própria. Nem é preciso dizer que o pior acontece, pois os seres humanos são sempre seres humanos – mesmo cegos.

Moral da história: estamos tão acostumados à nossa própria cegueira, que não nos damos conta da nossa condição de cegos. A sociedade mostrada no filme não é a de cegos num sanatório; é a nossa.

Uma dica para as três pessoas que ainda não viram o filme: vejam.

Os Mutantes – a melhor coisa que a Record já criou

mutantes

Devo ter sido a última pessoa do mundo a descobrir Os Mutantes – Caminhos do Coração, da Rede Record do Reino de Deus, e preciso confessar que estou viciado.

A novela já nasceu como clássico. Clássico trash. É daquelas produções que, de tão ruins, tornam-se excelentes (mas só se você souber apreciá-las com o estado de espírito adequado).

Faz poucos dias que assisto, religiosamente, e, mesmo adorando, ainda não entendi lhufas. Existem umas mil tramas paralelas, terrivelmente mal amarradas.

A sopa de letrinhas contém ingredientes de todo tipo de mito, fábula, série de TV, lenda e filme de ficção científica. É um cozido de intermináveis referências pop, selecionadas a esmo, sem qualquer critério aparente, o que só aumenta a graça.

A trama traz X-Men mutantes com super-poderes, vampiros, imbecis vestidos com roupas que misturam as indumentárias Hobbit e Jedi, mocinhas usando capas da invisibilidade, um robô copiado de “Eu, Robô”, cartomantes e magos, bebês sagrados, um John Connor viajante do tempo que volta ao passado para evitar que seus pais sejam mortos, uma mulher biônica, uma polícia especial chamada Depecom (que caça mutantes do mal), uma ilha de Lost, uma Liga do Bem, uma espada Excalibur, um cetro do poder, alienígenas reptilianos, uma sereia que canta (!!!) e até um paspalho permanentemente vestido de músico peruano.

Incrível. Não é à toa que eu nunca entendo o que está acontecendo.

O texto é um primor. O autor, Tiago Santiago, já é um dos meus ídolos. São tantos clichês, tantos chavões, tantas frases épicas, que a média de gargalhadas da audiência é de uma a cada 2,6 frases.

Pérolas como “Se forem reptilianos, vocês escolheram o homem errado. Eu sou o Pai da Humanidade”, “Devolva-me o cetro do poder”, “Cala a boca, sua Lata de Sardinha” e “Eu senti através dos meus poderes” são deliciosas de se ouvir, principalmente quando ditas por péssimos atores, que, aliás,  superpovoam a novela.

O elenco é algo digno de menção honrosa. São dezenas de fracassados globais, ex-iniciantes-com-futuros-promissores e desconhecidos igualmente desprovidos de talento. Muitos são canastrões, outros são apenas ruins, mesmo. A pior de todas, com larga vantagem, é a magnífica, a fantástica, a fabulosa Bianca Rinaldi, uma atriz (sic) que consegue proezas como dizer “Eu te amo” com cara de “Tô com uma coceira na bochecha…” e “Vou te matar” com cara de “Putz, onde esqueci o meu haxixe?” O mais divertido é que há duas dela – irmãs gêmeas, uma boa e outra má, igualmente canastras, o que não poderia faltar em qualquer obra-prima do gênero.

bianquinhaLa Rinaldi em uma de suas primorosas atuações

Há ainda saudosos sobreviventes dos últimos expurgos  da Globo: Raul Gazola, Cláudio Heinrich, Felipe Folgosi, Taumaturgo Ferreira, André Di Biase (pô, o cara era o Lula do Juba & Lula e agora tá sempre vestido de Tom Jobim), Patrícia Travassos e outros de nível semelhante, para deleite dos espectadores.

teofilo
Teófilo (Zé Dumont): Pai da Humanidade e Rei dos Canastrões

Porra, até o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum tá nos Mutantes! Tem como não assistir a um programa desses? Espero que a Record tenha tino comercial suficiente para continuar por vários anos e, depois, vender os boxes das temporadas. Se fizerem isso, vocês já sabem o que me dar no Natal.

[O post foi atualizado]

Refforma ortographica no ditongo dos outros é refresco

Todo  mundo fala (quase só se fala, pois escrever ninguém mais sabe) na nova reforma ortográfica assinada pelos países lusófonos (eu sempre quis usar essa palavra). O acontecimento é destaque em vários sites e blogues, incluindo o das gurias do Diva Diz, que dá aqueles detalhes que eu tive preguiça de pesquisar…

Hoje, enquanto saboreávamos um delicioso almoço no RU da UFRGS (arroz, feijão, repolho cozido e carne de panela), falávamos nisso e na burrice (ou má-fé) de quem inventa tais modas. Pois a reforma, ao invés de simplificar o já escabroso Português, tornou-o ainda mais assustador.

Por exemplo, os hífens presentes ou ausentes e os ditongos acentuados ou não. Ao invés de padronizar de vez, no sentido de TUDO ACENTUADO/HIFENIZADO x NADA ACENTUADO/HIFENIZADO, apenas mudaram a frágil relação de regras x exceções.

Ah, e os tremas e acentos diferenciais farão muita, muita falta. Sentirei saudades.

Em tempo: quem ainda não viu precisa ver o genial post da Nova Corja que mostra como o presidente Lula “assinou” o acordo. Sim, deveras preconceituoso, mas muito, muito engraçado.

O periscópio e a megalomania

Todos os dias, os motores de busca trazem a este blogue vários internautas sequiosos por informações sobre o periscópio. De acordo com os termos usados nas buscas, eles querem saber “quem inventou o periscópio”, “como funciona o periscópio”, etc.

Por uma questão de respeito com esses pobres náufragos errantes que aqui chegam sem querer, vou tentar dar um fim à angustiante dúvida sobre tão salutar aparelho. Notem que não tenho qualquer qualificação técnica para tanto. Não sou uma autoridade em Óptica ou em Engenharia. Apenas sei duas ou três coisas sobre pesquisa em sites de buscas.

O periscópio teria sido concebido primeiramente pelo russo Drzewiecki, em 1863. Entretanto, o primeiro aparelho de que se tem notícia foi construído só em 1894, pelo italiano Angelo Salmoiraghi. O nome vem do grego periskopein, que significa “ver em volta”.

Todo mundo que assistiu a filmes de submarinos sabe como ele é: um longo tubo que permite, graças a espelhos colocados estrategicamente acima e abaixo, ver coisas num plano acima do nosso campo de visão, mais ou menos como na figura:

Se você clicar aqui, leitor-que-quer-saber-sobre-periscópios, encontrará informações muito mais detalhadas e abalizadas sobre o tema – e até um guia passo-a-passo que ensina como montar o seu próprio periscópio.

Mas o que tudo isso tem a ver com megalomania? Ora, o título deste blogue não foi escolhido por acaso. A analogia com o periscópio significa que eu, o todo-poderoso Editor do site e comandante da embarcação, mostrarei aos leitores coisas que estariam além do seu “campo de visão”. Pretensão? Sim, é claro, mas é justamente isso que traz tanta gente à blogosfera.

E o Velho Lobo se entregou

Fausto Wolff não vai para o céu, pois nunca acreditou nele. Tampouco irá para o inferno do esquecimento, pois soube em vida, como poucos, construir sua morada na Alameda Eternidade.

Sim, uma introdução pra lá de piegas, mas estamos falando de um dos meus heróis de cabeceira, pombas!

Faustino von Wolffenbüttel nasceu no Rio Grande do Sul, em 1940, mas era carioca por opção e merecimento. Entrou para uma redação de jornal ainda adolescente, numa época em que isso era possível e permitido. Sempre crítico e contundente, exilou-se no período do governo militar, indo viver na Itália e na Dinamarca, terra que sempre citou como exemplo de igualdade e liberdade. Voltou, com a Abertura, para um Brasil modificado por vinte anos de torniquete.

O Velho Lobo costumava descrever a si próprio como “comunista, jogador, bêbado e decadente”. Foi um dos maiores e mais notórios beberrões de que se tem notícia. Foi, também, comunista até o fim. Engajou-se no PDT de Brizola, que tanto admirou e criticou, e ousou pensar e pregar uma sociedade mais justa e mais humana.

Fausto orgulhava-se de nada possuir. Vivia do que escrevia, e gastava em prazeres simples o dinheiro que ganhava escrevendo. E como escrevia… Seus textos jornalísticos e literários eram sempre carregados de paixão e sempre calcados na vida real, mesmo quando a fantasia tomava conta do autor e da obra. Muitos dizem que ele era pessimista, por trazer à tona os males que o afligiam e angustiavam. Discordo. Ele foi, e sempre será, um otimista incorrigível, pois acreditava no ser humano. Assim como tantos outros heróis românticos, Wolff acreditava que a dor e a opressão desapareceriam quando fossem cortadas as amarras que aprisionam as pessoas, principalmente a propriedade privada e a miséria cultural. Para mim, era esse o principal defeito do Mestre: ele era otimista demais.

Descobri Fausto Wolff na finada Revista Bundas, e desde então o acompanhei no também finado O Pasquim 21, no quase finado Jornal do Brasil e nos seus livros.

É de um de seus livros (A Imprensa Livre de Fausto Wolff, p. 180) o artigo que cito, escolhido a esmo, para mostrar aos meus quatro leitores um pouco do que escreveu o Mestre:

BOM HUMOR & POESIA

E continuamos a plantar rosas sobre o pus, continuamos jogando basquete no pântano, continuamos tapando o sol com a peneira, continuamos matando quem deveria estar vivo e quem ainda não nasceu. Perdão, leitores, estou começando a ficar como esses bêbados que vemos pela rua praguejando contra deuses desconhecidos, perseguidos por cachorros e gozados pelas crianças. Nós – eu e vocês, leitores – continuamos tentando pagar nossos impostos, aluguéis e trabalhando; morrendo de medo de que nos demitam sem indenização ou que mandem nos queixarmos ao bispo Macedo ou ao juiz Lalau. São eles que continuam roubando e matando, esta máfia asquerosa e sem vergonha chamada Poder. Afinal, com raras exceções são todos Oliveiras, Silvas, Rodrigues, Santos e Joãos Antônios, e Josés Carlos, e Eduardos Jorges, e Luízes Maurícios e Paulos Augustos. Nem eu que sou jornalista há mais de 45 anos lembro os nomes de uma décima parte desses gatunos.

Aposto o que vocês quiserem que eles estão se lixando para os eventuais insultos. Afinal de contas, as pessoas que lhes interessam também são ladrões e assassinos e os amigos dos filhos e das filhas também são filhos de ladrões e assassinos prontos para seguirem a carreira paterna. Será que não há uma maldita lei nesta nossa colcha de fétidos retalhos chamada Constituição que proíba que filhos de ladrões se elejam com dinheiro roubado do povo? O roubo, o assassinato e o genocídio são crimes perante a lei mas a nossa justiça só é cega para os crimes cometidos pelos ricos.

Quando me candidatei a deputado federal para a Constituinte, meus amigos mandaram confeccionar uma única faixa com meu nome e número. Filhos de amigos carregariam essa faixa pelos locais movimentados do Rio. Disse carregariam, pois essa minha única faixa foi apreendida pela legislação eleitoral no primeiro dia. Para vocês terem uma idéia da farsa: duas famílias inteiras votaram em mim numa zona eleitoral de Icaraí, bairro de Niterói, onde nem fiz campanha com meu único carro emprestado que vivia enguiçado. Foram 33 votos e nas urnas apareceram apenas 3. Um mês antes das eleições, O Globo publicou que eu seria um dos candidatos a deputado federal mais votados do Rio de Janeiro. Tive menos de 10 mil votos e a pesquisa avaliava que minha votação seria superior a 50 mil votos. Mais tarde, uma velha raposa política me disse: “Eleição se ganha depois da eleição, junto aos apuradores”. Em matéria de pesquisa, nossa classe política seria uma verdadeira Disneyworld para Lombroso. Imaginem políticos que vêm se elegendo desde 1964 e têm o físico do papel sempre com votações esmagadoras embora jamais tenham praticado uma boa ação. Vocês nunca se perguntaram como essas caricaturas de seres humanos continuam se elegendo mesmo sem fazer campanha? Cada um deles tem currais ou chiqueiros e cada curral ou chiqueiro das regiões mais pobres do Brasil têm capatazes que vendem os votos dos seus pobres porquinhos a um, cinco ou dez reais cada um, dependendo da pobreza da região. O capataz garante mil votos e recebe cinco mil reais. Quatro vão para o bolso dele e o resto para os porquinhos. Troço nojento, não é? Pois os palhaços somos nós.

Nosso sistema previdenciário sempre foi dirigido por uma corja de ladrões e precisa ser mudado, precisa ser dedetizado. Deve haver um teto, sim, para o funcionalismo de colarinho branco que em geral acumula funções mas deve haver um mínimo digno para todos os trabalhadores, a começar pelos mais humildes e que menos ganham, a começar pelas pobres professoras primárias que não têm nem condições de estudar o que ensinam. A base de tudo o que aprendi na vida devo a cinco mulheres elegantes, inteligentes, bem vestidas e cujo salário permitia que vivessem com dignidade e sustentassem seus filhos: dona Candinha, dona Norma, dona Zuleika, dona Aracy e dona Marina, professoras do primeiro ao quinto ano primário do Grupo Escolar 1° de Maio, de Porto Alegre. Nós, garotos pobres, em nossos tapapós brancos, cantávamos orgulhosos todas as manhãs – entre os anos 45 e 50 – o Hino Nacional. Não sabíamos ainda dos planos de Dutra de trocar matéria-prima por matéria plástica. Felizmente, minhas professoras estão mortas e não precisam ver o pantanal em que se transformou o ensino no nosso país. Estou falando da educação, pois a cultura – a verdadeira arma de defesa pessoal de um povo, que garante sua integridade e individualidade -, esta lhe foi roubada há muito tempo pelo poder e pelos meios de comunicação.

Lula não tem culpa disso e sempre lutou contra isso. É vergonhoso, porém, que, por causa de uma minoria de safados, queira punir todo o serviço público. Concordo com ele quando pergunta: “Por que o cortador de cana se aposenta aos 60 e o professor aos 53?”. Minha pergunta para ele, porém, é a seguinte: qual é a justiça que existe em punir o professor e manter o cortador de cana na miséria? Antes que alguém suspeite de que tenho interesse pessoal na matéria, vou logo informando: nunca fui funcionário público. O que insulta a minha inteligência são os novos Torquemadas do PT não informarem o que querem fazer com a previdência e quererem que tenhamos fé. Que diabos? Voltamos à Idade Média? E se voltamos, deveríamos aproveitar, pelo menos, o que ela tinha de positivo. Parágrafo para explicar e botar as idéias no lugar.

Na Idade Média era considerado crime grave cobrar juros pelo uso do dinheiro. O empréstimo a juros era proibido pela maior potência do mundo, a Igreja. Para ela, emprestar a juros era usura e usura era pecado. Quem violasse essa lei da Igreja era ameaçado com danação eterna, o que não era pouco numa época em que acreditar em Deus era tão natural quanto o ar que se respirava. Mas não era apenas a Igreja que condenava a usura. Os governos municipais e mais tarde os estaduais baixaram leis contra ela. Uma lei contra a usura aplicada na Inglaterra dizia: “Sendo a usura, pela palavra de Deus, estritamente proibida, como vício dos mais odiáveis e detestáveis (…), fica determinado que ninguém pratique usura sob pena de confisco e prisão.” Depois a Igreja tornou-se sócia do mercado mas naquela época os banqueiros iam para o inferno. Falar nisso, Lula, faz alguma coisa para que eu, teu eleitor, possa te defender. Que tal aplicar a lei (está na Constituição) de autoria de Fernando Gasparian que limita os juros bancário a 12% ao ano, o que, ainda assim, nos países que fazem parte dos sete grandes, é considerado escorchante?

A verdade é que os pobres ajudam (ainda?) os pobres e ficam mais pobres e os ricos ajudam os ricos e ficam mais ricos. Eu nada teria contra a taxação de quase 27% se ela fosse aplicada apenas aos ricos mas que, ao mesmo tempo, a reforma tributária previsse o confisco do lucro excessivo, previsse a prisão do empresário que decreta falência e depois vai passar as férias nas Bahamas ou Cayman ou Jersey. Essa taxação, porém, é criminosa porque pune quem trabalha honestamente. O empresário ladrão internacional simplesmente fechará sua fábrica em Madureira para implantá-la na Malásia, onde o poder não tem escrúpulos e o empregado é escravo. Se não fechar suas portas e ocasionar desemprego (e olhem que segundo a Câmara de Comércio da ONU, o operário brasileiro é considerado o mais trabalhador, responsável e cortês do mundo), o empresário ladrão simplesmente repassará os preços para a população. Esta – a que ainda está acima da linha da miséria – desconta imposto na fonte. É o catch 22: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Gostaria que os novos inquisidores do PT (se vocês disserem que eles são de direita, fazem caras e bocas) me informassem os itens da reforma que falam de trabalho infantil, de obrigatoriedade escolar, de prostituição infantil, de trabalho escravo, das punições para empregadores que não assinam carteira, das reformas hospitalares tão severas que deixariam os planos de saúde apenas para os muitos ricos como ocorre, por exemplo, nos países escandinavos. Vamos lá, Lula, faz alguma coisa aí para que a gente possa aplaudir como aplaudimos seus comícios, mesmo os mais palatáveis à burguesia, durante a campanha eleitoral. Não deixa um delinqüente como o FHC ficar te gozando.

Os jornalões continuam como sempre. Perderam a capacidade de se estarrecerem, se é que um dia a tiveram. Desde 64 que leio: “O governo promete”; “A Câmara vai instaurar CPI”; “Ministro prevê melhorias”; “Presidente anuncia queda do dólar para o ano que vem”; “Presidente do Banco Central pede paciência”. Eles apenas anunciam, prevêem, acham, pedem, prometem, criticam, apelam mas a única coisa que fazem é baixar as calças para o FMI e é disso que trata a Reforma da Previdência. De positivo somente o fato de o PT ser um partido de palavra; um partido que, como todos os outros, com raríssimas exceções, cumpre o que prometeu aos nossos exploradores. Às vezes, porém, algum editor descuidado de um jornalão dá espaço a vozes dissidentes e honestas. No mesmo jornal que anuncia que o Estado vai contratar mais dois mil PMs por ano e que militares vendem armas a traficantes, foi dado um espaço para Cristovam Buarque, o ministro da Educação, um homem corajoso que declarou na ONU: “Concordo que se faça da Amazônia uma reserva ecológica internacional desde que se internacionalize a ONU, os museus, o petróleo, o gás, etc”. Pois bem, ele agora alerta o governo, o governo do PT, para risco de fracasso na área social. Para ele a burocracia é uma fábrica de indiferença. Ele teme que após seis meses de governo (faltam menos de duas semanas) os petistas se tornem tolerantes (bom eufemismo, digo eu) com a tragédia social brasileira. Lembrou finalmente que Lula foi eleito para mudar o país. Cristovam não descobriu a América. Já sabíamos disso tudo. O que não sabíamos é que o PT seria conivente com isso.

Comecei este artigo falando em genocídio e depois mudei de assunto para deixar o item para o final do cardápio. Sou contra a pena de morte, menos para os genocidas. Na minha opinião ladrões como os do Banestado, do Propinoduto deveriam ser fuzilados em praça pública pois são genocidas. Quem rouba dinheiro do povo provoca morte, miséria, delinqüência, desemprego, divide famílias, coloca marido contra mulher, pais contra filhos. Gente que rouba centenas de milhões de dólares (como em alguns poucos casos isolados) condenam à morte e à miséria milhões de pessoas. Quero dedicar aos genocidas do Banestado e do Propinoduto um poeminha do meu livro O pacto de Wolffenbüttel:

“Se todos disséssemos “não”/ e agüentássemos as conseqüências / os ratos teriam de se devorar entre eles / teriam de roubar uns aos outros / sodomizar os próprios filhos, prostituir esposas e crianças. / Talvez, depois disso, pudéssemos todos cantar, orgulhosos, novamente, o Hino Nacional”

Farás falta, seu velho bagaceiro.

Sinopses concisas para filmes de ficção científica

(mais uma daquelas bobagens divertidas que a gente recebe por e-mail)

– 2001: uma odisséia no espaço – Um bloco de ônix e um computador cantor deixam dois astronautas em apuros.

– Alien – O oitavo passageiro – Uma gata agressiva sobrevive a situações tensas a bordo de uma espaçonave.

– O dia em que a terra parou – Um andarilho ajuda um idoso com problemas de matemática.

Contatos imediatos de terceiro grau – Alienígenas frágeis visitam a Terra em busca de roupas, música, amigos e possivelmente equipamentos de ginástica.

– Tropas estelares – Insetos corajosos tentam repelir invasores totalitários.

– ET, o extraterrestre – Um nerd de outro planeta sai para andar de bicicleta e pedir doces no Halloween.

– Stargate – Kurt Russell passa a perna no cara que fez o papel da garota que era um garoto em Traídos pelo desejo.

– O predador – O futuro governador da Califórnia e o futuro governador de Minnesota vão fazer uma caminhada.

– Indiana Jones e o reino da caveira de cristal – Um professor de arqueologia tenta arrumar dinheiro para se aposentar da faculdade e procurar um bom reumatologista.

– Jornada nas estrelas IV: a volta para casa – Kirk, Spock e McCoy quase passam incólumes na São Francisco do final do século 20.

– Robot monster (de 1953, não lançado no Brasil) – Um sujeito com roupa de gorila e máscara de mergulho sobe  e desce uma colina sem nenhuma razão aparente.

– Homem de ferro – Um fabricante de armas se vê atolado até o pescoço, mas dá a volta por cima.

– Matrix – Um homem descobre seu verdadeiro destino.

– Guerra nas estrelas – Um adolescente descobre seu verdadeiro destino.

– Harry Potter e a pedra filosofal – Um garoto descobre seu verdadeiro destino.

O senhor dos anéis: a sociedade do ane l– Um hobbit descobre seu verdadeiro destino.

Steve Mirsky, As Alegrias Resumidas do Cinema. Scientific American Brasil agosto 2008

Mais da série “Eu morro e não vejo tudo”

Você percebe o quanto uma ex-celebridade está desesperada com o anonimato ao zapear pela TV no domingo à tarde.

Hoje, foi hilário ver a jornalista (sic) Mônica Veloso no “Qual é a Música”, disputando espaço na telinha com as colegas de equipe: Carla Perez e uma outra que nunca vi na vida.

A propósito, será que o povão lembra por que a Mônica ficou famosa?

O típico post de domingo

Quem imaginaria que um dia um filme do 007 teria uma canção de abertura tão espetacular?

Está lá, nos primeiros minutos de Casino Royale, uma espécie de “James Bond Begins” que apresenta o 007 mais macho de todos os tempos, encarnado por Daniel Craig.

A música, You Know My Name, é assinada por Chris Cornell, que, apesar do bigodinho de bicheiro, é o melhor dos cantores em atividade, na opinião do editor deste blogue: