O CEO do Wal-Mart Brasil merece uma surra

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Às vezes (no sentido de “quase sempre”), sou tão rabugento que me sinto o próprio Harvey Pekar. Especialmente quando estou numa fila.

Um caso clássico é o da fila da rodoviária. Eu, que sou um brasileiro atípico, só vou à rodoviária quando já sei para onde quero ir, a que horas sai o ônibus e quanto custa a passagem. Logo, o tempo que passo no guichê é mínimo, dependendo da morosidade do atendente.

Mas há pessoas que, diante do referido guichê, parecem não saber a resposta às perguntas “Para onde?” e “Quando?” É tão longo o tempo que demoram para comprar uma passagem, que parece que elas decidem na hora o destino, dado o número de perguntas que fazem para o atendente.

Algumas travam longos diálogos com o vendedor, antes de se decidirem pela compra, e é aí que eu, prestes a ter um ataque cardíaco de raiva, empreendo um esforço kantiano para imaginar que assunto alguém poderia ter com um atendente de rodoviária. Por que diabos conversam tanto, e sobre o quê? Será que são velhos conhecidos que se encontraram por acaso? Por que não vão conversar em casa, liberando o guichê para pessoas que, como eu, realmente querem comprar uma passagem de ônibus?

Um problema ainda mais grave (e, aqui, não sou só eu o estressado, a julgar pela revolta na fila) é o dos supermercados do Grupo WalMart Brasil, proprietário das redes Nacional e Big, entre outras.

Quando estou em Porto Alegre, sempre evito entrar nesses supermercados, pois conheço o atendimento. Mas, quando estou em Gravataí, onde mora a minha namorada, não tenho alternativa a não ser enfrentar as compras no Big. Temos passado horas intermináveis lá dentro, e 90% desse tempo é ocupado com a deliciosa espera na fila do caixa.

Não que não haja caixas no Big. São dezenas, mas a maioria não funciona. Por algum motivo que foge à minha compreensão, o Grupo Wal-Mart acha que contratar pessoal é uma despesa desnecessária. É bem provável que essa seja a razão da diferença de poucos centavos nos preços: gastam menos com mão-de-obra e maltratam o cliente só para poderem dizer que cobram menos.

Além da falta de caixas funcionando, há algum sério problema no esquema de trabalho. A moça do caixa acende aquela luzinha piscante (para chamar a moça dos patins) a cada pagamento efetuado. É incrível! Se ela é chamada sempre, seria mais prático deixar uma moça de patins de plantão ao lado de cada caixa. Ou então substituir as moças dos caixas por moças de patins. Ou a caixa não tem troco, ou há algum problema na maquininha leitora de cartões, ou a rede caiu, ou há divergência entre o valor anunciado na gôndola e o do produto, etc.

Eles até criaram um sistema de “caixa rápido”, para compras de no máximo 30 (!!!) itens. Via de regra, esses caixas são mais demorados que os normais. A fila dá voltas no hipermercado.

Aí, eu acesso o site do grupo (já devidamente linkado, acima) e o slogan no cabeçalho diz: “Wal-Mart Brasil: vendemos por menos para as pessoas viverem melhor”, o que prova que, além do mau atendimento, o humor negro também é um dos pontos fortes da empresa.

Como disse o Kent Brockman no filme dos Simpsons, este blogue não apóia a justiça com as próprias mãos, a menos que dê certo.

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