Da série “Idéias que poderiam mudar o mundo”

Ontem, um cara veio me pedir dinheiro na rua.

Todo morador de cidade grande passa por situações semelhantes quase todos os dias. Via de regra, contamos aos pedintes sempre a mesma mentira: que não temos dinheiro.

Nos justificamos dizendo que não trabalhamos para sustentar o vício dos cachaceiros, que temos que “correr atrás” e ninguém nos ajuda, que dar esmolas apenas cria dependência e não resolve o problema.

Mas, então, o que resolve o problema, pelamordedeus?

Dar esmolas, realmente, não adianta. É como oferecer um band-aid a alguém que sofreu queimaduras de terceiro grau em 50% do corpo.

Dar trabalho é uma boa ação ao alcance de poucos. Você tem condições de empregar algum desvalido? Eu não tenho.

Exigir que o governo conceda Bolsas Famílias e outros que tais não me parece um bom negócio… soa como uma espécie de esmola institucional.

A melhor solução estaria naquela máxima evangélica: “Não dê o peixe; ensine a pescar”. Ou seja: ao invés da esmola que humilha, dar o emprego que dignifica. Mas será possível criar empregos artificialmente? O sacrossanto mercado tem espaço para todas as pessoas com idade para participar dele?

Teria, se fossem criadas condições para isso. Por exemplo, se o governo obrigasse TODAS as empresas manufatureiras a utilizar uma porcentagem X de matérias-primas recicladas… Imagine a quantidade de papéis, plásticos, metais e outros insumos que seriam reaproveitados. Imagine cooperativas municipais de reciclagem, tirando das ruas, dos aterros e dos riachos toneladas e toneladas de lixo para serem vendidas a compradores garantidos.

Quantos empregos isso geraria? Quanta economia para a indústria? Quantos anos de sobrevida a humanidade ganharia com tal faxina no meio ambiente?

Aqui, chegamos à fronteira entre o sonho e a realidade. Quem apresentará tal projeto de lei? Alguém aí é deputado ou senador? Eu não sou. Farei, então, o que está ao meu alcance: mandarei e-mails ao maior número possível de congressistas, na esperança de que um deles acredite nessa idéia.

Sei que isso parece demasiado utópico, mas é bem melhor do que simplesmente dizer aos pedintes que não tenho moedinhas e depois voltar para casa para dormir o sono dos justos.

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2 comentários em “Da série “Idéias que poderiam mudar o mundo””

  1. Não adianta induzir o fomento apenas da industria da reciclagem. Mas sim da economia como um todo, a industria da reciclagem é pequena, incipiente, incapaz de conseguir empregar a enorme massa de desempregados do Brasil.
    Precisamos de crescimento econômico e melhores condições sociais como um todo…

  2. Marcelo, a “indústria de reciclagem é pequena” AGORA.

    O meu post propôs que uma lei OBRIGUE as indústrias a comprarem matérias-primas recicladas.

    Outra lei, inclusive, poderia obrigar os municípios a reciclarem 100% do seu lixo.

    Você já reparou na quantidade de lixo produzido por uma grande cidade? É algo monstruoso. Recolher e separar todo esse material empregaria muita gente. Muita mesmo.

    E isso acabaria aquecendo toda a economia, pois os trabalhadores das cooperativas iriam consumir mais, o que demandaria maior produção industrial, e assim por diante.

    “Induzir o fomento da indústria como um todo”, como você diz, é algo mais difuso e complicado. A reciclagem e comercialização de TODO o lixo produzido nas cidades pelo menos nos dá uma base por onde começar, podendo partir de um projeto de lei que criasse a demanda, como exposto no meu post.

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