Mais sobre o desmonte da escola pública

A prefeitura do município onde trabalho deixou bem claro que lá a Educação é uma questão de grana.

Ano passado, o então secretário de Educação (que também era e é vice-prefeito) exigiu que as escolas reduzissem o índice de reprovação, porque o fracasso escolar gera despesas para o município, que tem que dar escola por mais tempo aos repetentes. Isso mesmo. A justificativa não foi sequer a necessidade de melhoria do aprendizado, o compromisso com os alunos, etc. Assumiram, no maior caradurismo, que encaram a escola como um negócio COM fins lucrativos.

Obrigaram as escolas a aprovar alunos que precisavam de mais de 30 pontos em Matemática e/ou Português, e neste ano comemoraram a diminuição do número de alunos reprovados. Sim, uma piada. Todos sabem que a melhoria no índice foi obtida por canetaço, às custas da aprovação artificial de alunos sem as mínimas condições de avanço.

Calma, leitor. Tudo sempre piora.

Durante as últimas férias de verão, o prefeito baixou o seguinte decreto: escolas com menos de 300 alunos não terão mais secretário, bibliotecário, vice-direção, supervisão e poderão ter no máximo UM servente para cuidar da limpeza e merenda. A justificativa é que “em escolas pequenas esses profissionais não são necessários porque a direção e os professores podem dar conta do recado.”

A próxima medida talvez seja demitir todos os professores e entregar a Educação aos Amigos da Escola.

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4 comentários em “Mais sobre o desmonte da escola pública”

  1. Sou professor há 35 anos e, há trinta e cinco anos discute-se avaliação nas escolas. O fato é que, após esse tempo todo, a maioria dos professores ainda não aprendeu a avaliar. Quando o que reprova, em Português, um aluno de quarta ou quinta série, é o fato de ele não saber o que é hiato, ditongo,… dígrafo e por aí a fora, passo a pensar que tem que mandar aprovar….. Valoriza-se o que não interessa e aquilo que tem valor, quase não se faz: ler/escrever; escrever/ler; ler/escrever… pena que há muito colega que usa a avaliação como bengala para sua “autoridade”.

  2. Você está se queixando ( e criticando a prefeitura do município onde trabalha) é porque não viveu outros tempos de prefeitura. Tempos em que se recebia menos que o salário mínimo, tempos em que o pagamento estava atrasado 4 meses, tempos em que os prefessores municipais “daquele” município onde trabalhas tinham vergonha de ser professores. Hoje, pelo menos a auto-estima está resgatada porque não se recebe atrasado e estamos entre os que melhor pagam. Isto não significa acomodação, mas para quem viveu o inferno dá para dizer que estamos melhor. Tínhamos inveja do estaduais, hoje estamos muito melhor do que eles. Acho que foste influenciado por alguém que conheço que só o que faz é criticar a Prefeitura… como entender certas pessoas, depois que tiveram sua faculdade paga pela prefeitura, hoje são críticos ferrenhos? Será a saudade das “cebolas do Egito”?

  3. Amigo Iva, será que essa regularização do pagamento tem algo a ver com o fato de ter começado a entrar uma grana preta do Fundef para pagamento dos professores?

    Sim, comemoro que hoje estejam pagando os salários em dia, mas isso justifica todas as ações da Prefeitura? Todos os pecados que a administração petista possa vir a cometer estão perdoados de antemão, só porque antes era pior?

    Isso soa como o coro das ovelhas na Revolução dos Bichos:

    “Duas pernas ruim, quatro pernas bom!”

  4. Eduardo, já ouvi muitas vezes essa história de que o FUNDEF é que fez melhorar a situação em Viamão. Só que o que mudou não foi apenas a questão salarial. Houve uma mudança radical. Parece que antes não havia dinheiro e nem boas intenções ou competência… Por outro lado, estranho muito que pessoas que tiveram sua universidade paga pela prefeitura sejam tão ácidos críticos contra essa mesma prefeitura. Há colegas que só o que fazem, dentro da escola, é criticar, chamar os outros de incompettentes, vagab… essa ideologia é perigosa. Para esses, não bastam 4 patas, é necessário uma centopéia…

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