Caso de polícia é tratado como brincadeira de criança

O que você faria se alguém ameaçasse matar você, e estivesse falando sério?

Nesta semana, um aluno da rede municipal de um certo município gaúcho (estudante que tem 16 anos e está no Ensino Fundamental, turma matinal) prometeu matar uma professora de Português. O que fez ela para merecer a morte? Exigiu que o aluno tivesse uma postura respeitosa e se empenhasse nos estudos.

O caso foi levado à Secretaria de Educação do referido município. Qual foi a orientação dada pela Intelligentsia educacional? Mandaram prender o quase- bandido? Encaminharam-no para o Conselho Tutelar? Prometeram transferi-lo para outra escola? Procuraram os seus pais ou responsáveis para informar que eles criaram um assassino?

Não.

Os sábios tecnocratas disseram que se deve resolver a questão tomando-se as seguintes medidas:

1) A professora deve chamar o assassino em potencial para uma conversa reservada.

2) Se isso não funcionar, a equipe diretiva da escola deve conversar com ele.

3) Se nem isso adiantar, o Conselho Escolar deve ter uma conversinha com o bom rapaz.

Nesse meio-tempo, ele terá todas as oportunidades do mundo para cumprir a promessa que fez.

Detalhe: na semana passada, um professor do mesmo município foi executado com cinco tiros quando chegava em casa. Há rumores de que os assassinos são dois de seus alunos do período noturno.

Em tempo: A Intelligentsia dessa secretaria de Educação encontrou uma maneira genial de resolver os problemas sociais do município. A partir de agora, os professores estão PROIBIDOS de dizer que os seus alunos vêm de famílias desestruturadas. A nova nomenclatura oficial é “famílias com cultura diferenciada”.

Por essas e por outras é que a Educação no Brasil está essa merda (com o perdão dos moralistas): ao invés de atacar os problemas de frente, inventam-se outros nomes para eles.

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12 comentários em “Caso de polícia é tratado como brincadeira de criança”

  1. Os episódios de agressão de alunos a professores sempre são relatados dessa forma simplista como você o fez. A imprensa pinta os alunos como verdadeiros monstros e o pior é que não existe dissidência, todos concordam, sem questionar. Vamos usar o bom senso e a um pouco de inteligência que nos resta? Você acha possível que um jovem ameaçaria uma professora de morte pelo motivo que expôs acima??? Não teríamos de concluir que, se esse motivo fosse o verdadeiro, ele ameaçaria todos e não só essa professora de Português, porque todos os professores exigem uma postura respeitosa e empenho nos estudos. Raciocínio correto? Então seria hora de se aprofundar nas causas de um aluno ficar tão exasperado a ponto de ameaçar esta professora. De que forma ela faz exigências? Ameaçando, humilhando, provocando? Não acredito que um aluno teria essa reação do nada. Isso não existe. Fui professora de escola pública durante 28 anos, nunca fui ameaçada ou mesmo destratada por meus alunos. Enfim, vamos tratar essas questões com mais cuidado e profissionalismo. E acima de tudo, com amor e respeito pelos alunos. esteja certo que este é o caminho.

  2. Prezado Eduardo, gostei muito do seu texto sobre as “professoras cacarejantes”, mas fiquei muito decepcionada com este!
    O que se passa dentro das escolas públicas, principalmente aqui no Estado de São Paulo, é puro tabu. Só os alunos e seus pais sabem. No meu caso, tenho três filhos que só estudaram na rede pública e posso afirmar que um dos grandes problemas é a mídia, que deturpa os acontecimentos e está a serviço de uma corporação relapsa e mal acostumada pela impunidade.
    O aluno de quem você fala está preso, não teve qualquer direito de defesa e não foi divulgado que, antes de ele agredir a professora, foi ela que o ameaçou de morte e chamou a mãe dele de nomes inconfessáveis. Eu mesma já fui chamada de – no mínimo – porra louca, nas escolas onde meus filhos estudavam. Apenas por reivindicar seu direito a uma educação no mínimo decente.
    Gostaria que você lesse, com atenção, os dois primeiros posts do blog EducaFórum, http://educaforum.blogspot.com, que contêm dois dossiês típicos de casos de perseguições e represálias contra alunos. Trata-se, nos casos relatados, de pessoas como eu e você, ou seja, pessoas no mínimo bem alfabetizadas e que souberam ensinar a seus filhos os princípios básicos da boa conduta. Mesmo assim, estão sofrendo na carne os males do corporativismo e da perversidade da classe docente brasileira. Em especial, entenda a “saga” da aluna de 15 anos que foi acusada injustamente de colocar fogo na lixeira da classe.
    Conto com a sua inteligência e bom senso para aprofundar o assunto que você tratou, a meu ver, de forma muito superficial.
    Um abraço!

  3. Giulia, não sei de que caso você está falando. O aluno a que me referi estuda em uma escola do Rio Grande do Sul, não foi preso e continua indo às aulas numa boa, com a cabeça erguida de quem confia na impunidade (amparado por uma legislação nefelibata e utópica).

    Quanto a ter tratado o caso de forma superficial, uma análise mais profunda exige um texto mais longo e denso, que pretendo produzir assim que o meu escasso tempo permitir. Mas mesmo aqui, nesse curto espaço, tenho algo a dizer: se você acha normal um adolescente ameaçar quem quer que seja de morte, eu não acho.

    Em todo caso, obrigado por ler e participar do blogue. E mande um abraço à Cremilda.

  4. Eduardo, não acredito no que você respondeu! Você me perguntou se acho normal um adolescente ameaçar quem quer que seja de morte???
    Vou devolver esta pergunta para você: você acha normal professor ameaçar aluno de morte?…
    Ao fazer sua análise mais profunda, leia com atenção os dois dossiês que publicamos no EducaFórum. Análise depende de boa informação, você não acha?

  5. No caso do meu post, sei que a informação é quente porque o fato ocorreu na escola em que EU trabalho.

    Não considero normal que qualquer pessoa ameace outra de morte.

    E não defendi tal absurdo em momento algum.

    Quem chegou a tal conclusão a partir da leitura do meu texto está muito mal intencionado ou tem sérios problemas cognitivos.

  6. Desculpe, Eduardo, tomei alhos por bugalhos. O caso ao qual me referia aconteceu em Ribeirão Preto, São Paulo. Por ter tido repercussão nacional, pensei que você estivesse falando disso. Aqui no estado, já há alguns anos, a moda é chamar a polícia na escola e mandar prender os adolescentes a bel prazer. As unidades de internação daqui, as famigeradas Febens, mudaram de nome para “Casa” apenas para disfarçar, mas são campos de concentração como manda o “figurino”…
    Um abraço.

  7. “Não acredito que um aluno teria essa reação do nada. Isso não existe. Fui professora de escola pública durante 28 anos, nunca fui ameaçada ou mesmo destratada por meus alunos.”

    Prezada Gloria. A escola na qual você lecionou há 28 anos atrás não existe mais. Hoje em dia professores dão aula para alunos que andam armados, ameaçam de morte, riscam o carro do professor, agridem-no fisicamente. os casos abundam na imprensa. Só não enxerga quem não quer. Atacar professor virou a nova moda. Ele é sempre o vilão, é sempre o culpado pela violência que sofre. E os alunos são sempre os coitadinhos. A senhora mesma usou como pressuposto de que a professora humilhou o aluno, quando nem ao menos sabe o que aconteceu. De gente como a Cremilda eu espero tudo, mas de uma pessoa como a senhora, ex-professora, eu peço apenas que ACORDE PARA A REALIDADE em que vive. Converse com professores da ativa e terá muitas história para refletir. A senhora lecionou em condições MUITO DIFERENTES das que os professores lecionam hoje.

  8. DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

    Hoje faz aniversário o caso da Escola Octacilio de Carvalho Lopes.Zona Leste de São Paulo
    O professor acusado de espancar um aluno na sala de aula e de chamá-lo de bicha.Na averiguação fajuta que a Diretoria Leste 4 fez,ela considerou normal professor chamar aluno de bicha.O professor foi promovido a Coordenador Pedagõgico na Escola Adelaide Ferraz de Oliveira num acerto entre o Conselho de Escola e a Diretoria de Ensino.Ficou até o ano passado,quando abriram os concursos.
    Quando professor é acusado de promover bulliyng, espancar e ofender aluno É PROMOVIDO
    Outro lado é do aluno que se defendeu de uma agressão da professora em Riberião Preto.
    Um caso onde a imprensa fez um barulhão tão grande e transformou um aluno de 13 anos que se defendeu da agressão e reagiu diante da ofensa.A professora teria xingado sua mãe e investido contra ele.
    Quem viu a declaração dos dois ficou evidente que o aluno teve uma reação normal, mas que os apresentadores torciam e incitavam a opinião pública contra o aluno.
    Foi uma comoção geral
    Não soube de nenhum órgão em defesa do adolescente que tivesse se pronunciado
    Nem Condeca, nem Conanda e nam Comissão dos Direitos Humanos. Nenhum deles.
    Até onde se sabe em notinhas minúsculas, o aluno está preso por 45 dias em medida preventiva e pode pegar tres longos anos.
    O PROFESSOR É PROMOVIDO
    e na mesma situação
    O ALUNO É PRESO.

  9. Gostei do seu texto. Não costumo generalizar; existem injustiças da parte do corpo docente, e injustiças provindas do corpo discente. Fato. São todos grupos de SERES HUMANOS, e seres humanos podem ser justos ou injustos, independente de serem professores ou alunos, maiores ou menores de idade.

    Sobre menores de idade irem presos a torto e a direito: um adolescente que esfaqueou e quase matou o vizinho em minha cidade está solto nas ruas, como qualquer cidadão de bem. Há casos e casos.

    Eu mesma uma vez tentei me defender de ofensas e desacato, e fui simplesmente rechaçada inclusive pela direção da escola onde lecionava, sendo tratada como criminosa ou ainda pior. Isso porque apenas me defendi, e em momentio algum agredi física ou verbalmente. Acontece, seja com alunos, seja com professores.

  10. Há 2 anos tive uma experiência muito desagradável. Um aluno do segundo ano do Ensino Médio noturno, 18 anos, passou 2 perídos de Português conversando, sem tomar conhecimento sequer de que disciplina eram aqueles períodos. Era expositiva por se tratar de revisão e solução de dúvidas. No início da aula, eu havia dito que os alunos que necessitariam refazer determinado trabalho deveriam sentar separados dos demais. O aluno em questão era um deles. Sequer tomou conhecimento. Passados os dois períodos e, dado o sinal, ele se levantou, colocou o livro sob o braço e fez menção de sair. Havia mais aula. Disse-lhe: “A aula não acabou!” De pé, olhando-me com muita irritação, respondeu-me: ” Então, continua tua aula…” Falei: ” Você não tem o direito de falar desse jeito, pois passaste os dois períodos conversando, nem sabes o que estudamos. Além disso, há duas semanas que não vens à aula.” Nem bem terminei de dizer isso, ele veio em minha direção ameaçadoramente e disse aosa colegas: ” Vocês não sabem a vontade que eu tenho de quebrar a cara desse palhaço, sem vergonha, vagabundo…” e aí foi tecendo suas ameaças, abriu a porta e, de fora, continuou sua ladainha de ameaças. Relatei o fato à direção da escola. Quiseram tomar alguma atitude, mas foram barrados até pelo Regimento que proíbe sequer que se use o termo “suspensão”. Alguns dias depois, após ter ficado, por vontade própria, em casa, lá estava ele na T 202.
    E aí? Se eu, como professor, disser qualquer coisa para esse aluno em sala de aula, posso ser suspenso, processado ou até demitido. É a realidade do nosso Ensino…

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