Ode aos nerds

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O post “Terapia nerd”, publicado anteontem, pode ter causado uma má impressão entre os meus cinco leitores. Caso alguém tenha considerado ofensivo o uso que fiz do termo “nerd”, quero desde já dizer que nada tenho contra os nerds. Pelo contrário, tenho tudo a favor!

Amo os nerds e preciso deles. Muito. Por exemplo, eu não faço idéia de como este texto chegou até o seu monitor, leitor. Tudo que sei é que tive que digitar as palavras, clicar em “Publicar” e esperar que o milagre acontecesse por obra de mecanismos alheios à minha compreensão. Para mim, o interior desta caixa ronronante (que um dia um nerd batizou de “CPU”**) é um mundo mágico e misterioso onde duendes correm para lá e para cá carregando algarismos 0 ou 1 nas costas, enquanto incontáveis escravos chamados transístores remam ritmados, não porque gostem de remar, mas sim porque um feitor armado de chicote os fustiga aos gritos de “Remem, seus molóides!”, já que é preciso atingir a velocidade contratual de sei-lá-quantos-megahertz.

Portanto, quando estou inocentemente usando o meu computador e a tela é subitamente invadida por uma mensagem cretina como “este programa executou uma operação ilegal e será fechado”, e eu perco horas de trabalho, além do acesso a todos os meus arquivos, o que me resta fazer? A única coisa que uma pessoa sensata faria: verificar se há algum nerd online no MSN e pedir-lhe ajuda. A boa notícia é que os nerds estão sempre online. Tanto no MSN quanto em outra dúzia de programas de bate-papo.

Você já viu um nerd tentando resolver algum problema em um computador? É fascinante. Fascinante e assombroso. Eles acessam mil pastas e arquivos de cuja existência você, que é o dono do computador, sequer suspeitava, digitam mil comandos que sabem de cor e não se intimidam com as ameaças e bravatas do seu sistema operacional. Quando surge um problema que eles desconhecem, eles não fazem o que você faria (bater com a cabeça no teclado); eles procuram a saída na internet, em fóruns virtuais onde nerds de todo o mundo trocam tutoriais e dicas sobre a instalação da versão 4.34.1 do MegaXZWare Turbo. Assim, você descobre, não sem espanto, o que os nerds já sabem: que não há falha operacional que algum nerd já não tenha resolvido e divulgado.

Logo, o que torna os nerds especiais é que eles realmente entendem como funcionam os computadores, tanto no plano do software quanto no do harware. Eles são a classe mais importante do mundo! Se eles cruzassem os braços e decidissem parar de “mexer com computadores”, a humanidade como a conhecemos seria extinta! Mas relaxe, isso nunca vai acontecer. Não porque eles sejam bonzinhos, mas porque eles não conseguem ficar longe do computador.

Então, por que raios os nerds são tão maltratados e discriminados? Por que gozam tanto com a cara deles? Por que o simples uso do termo “nerd” tornou-se ofensivo? A imagem arquetípica e preconceituosa de um nerd é a de um cara magro demais ou gordo demais, pálido demais, que usa óculos de aros grossos demais, nunca sai de casa e só tem amigos virtuais. Ele nunca fez sexo fora do Second Life mas, em compensação, sabe de cor os nomes de todos os atores que já participaram de Star Trek e levou apenas dois dias para virar o jogo Super Mario versus Predador, que ainda não foi lançado mas que ele já conseguiu no câmbio negro. Em suma, os nerds são geralmente considerados párias desprezíveis, a quem só dirigimos a palavra quando precisamos de ajuda para atualizar o anti-vírus.

Recentemente, um nerd com o incomum talento para relações públicas cunhou o termo “geek”, para definir uma nova classe de pessoas que, a despeito de saberem tudo de informática e seriados bizarros, têm uma assim chamada “vida social”.

Então, há agora nerds que são chamados de “nerds” e nerds que são chamados de “geeks”. Ao que tudo indica, a única diferença entre um tipo e outro é que o geek é um nerd que tem uma namorada de carne e osso (uma também nerd que ele conheceu em uma convenção de trekkers ou naquela lojinha de hardware de segunda mão que só eles sabem onde fica, cujo proprietário é outro nerd). Os geeks também parecem gostar de festas, mas festas geeks, onde centenas de nerds com camisetas do Radiohead tentam dançar ao som de Indie Rock e ficam contando piadas como a do cara que garante que o seu mouse rouba queijo da geladeira.

Em todo o caso, os nerds, qualquer que seja o termo que usemos para nomeá-los, são pessoas admiráveis e fascinantes, das quais muito precisamos para continuar vivendo. Um viva a todos eles.

 

 

** Adendo tardio: um amigo nerd acaba de informar que o termo CPU refere-se apenas ao processador (aquele barquinho onde os pobres transístores remam), e não à caixa inteira. Eis mais uma prova do total desconhecimento de informática por parte dos não-nerds… Passei anos e anos ouvindo as pessoas dizerem que a CPU era a caixa inteira.

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3 comentários em “Ode aos nerds”

  1. eu já ia deixar um comentário dizendo que um nerd jamais cometeria o erro de chamar um gabinete de cpu, mas tu foste salvo antes por um adendo.
    :P

  2. hahahahah

    Muito bom o texto… me identifiquei um pouquinho, mas fique claro que eu não sou nerd, apesar do meu filho afirmar o contrário!

    Abraço!

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