A melhor trilogia de 5 livros da História

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 Na foto, o andróide Marvin, Zaphod, Ford e Arthur
 na adaptação (ruim) da obra para o cinema

Os papos de bar sempre passam por vários estágios e um deles é aquele em que se comentam as preferências literárias dos ocupantes da mesa. Há, evidentemente, os autores que são bem quistos e os que são odiados. Há, também, escritores cuja simples menção pode levar ao linchamento de quem o citou, como é o caso de Paulo Coelho, muito embora a maioria dos que afirmam odiá-lo nunca tenham lido uma linha sequer do que ele escreveu. Eu, pelo menos, nunca li.

Se você pretende, numa dessas rodas de bar, dizer aos seus amigos que a melhor coisa que já foi escrita por um ser humano é a coleção do Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, esteja preparado para enfrentar as conseqüências. Todos pararão imediatamente o que estiverem fazendo para olhar para você com uma cara de desdém, como se você tivesse dito uma grande asneira. Alguns certamente pensarão tratar-se de uma brincadeira sua e dirão, em tom de repreensão:

– Pô, a gente tá falando sério e tu fica de frescura!

Veja só, até parece que você citou o Paulo Coelho… E você tem uma vontade louca de chamar a todos de Vogons e dizer que você está falando sério, que a série do Guia do Mochileiro das Galáxias é uma crítica à sociedade ocidental, que a saga ridiculariza os nossos maiores defeitos com fina ironia e humor negro. Você quer dizer que o Guia… aborda temas profundos com muita sabedoria e acuidade, apresentando respostas singelas para problemas complexos. Mas não adianta dizer nada disso. Eles não acreditarão, a menos que o livro se chame Crime e Castigo.

Tenho um segredo para contar: a série do Guia do Mochileiro das Galáxias é a melhor coisa que já foi escrita por um ser humano. Como foi mesmo que eu conheci a obra de Adams? Ela me foi indicada por um amigo e, ao ouvir o título, eu parei o que estava fazendo e fiquei olhando pra ele com uma cara de desdém. Mas, depois que ele me passou o livro, e eu abri o livro e li o comecinho – só o comecinho – do livro, eu pedi, implorei que ele me emprestasse o livro. Aquele era o primeiro da série. A coleção é uma “trilogia de cinco livros” (embora alguns não considerem o último livro parte da série):

I. O Guia do Mochileiro das Galáxias
II. O Restaurante no Fim do Universo
III. A Vida, O Universo e Tudo Mais
IV. Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes (o piorzinho)
V. Praticamente Inofensiva

A história concebida por Adams é a saga de Arthur Dent, um inglês arquetípico, em suas viagens pelo Universo. Tudo começa quando Arthur descobre que seu melhor amigo, Ford Prefect, é na verdade um alienígena oriundo de Betelgeuse, justamente no dia em que a Terra é demolida por naves Vogons para facilitar a construção de uma via expressa hiperespacial. Arthur e Ford conseguem fugir de carona num disco voador e acabam sendo resgatados pela nave Coração de Ouro, que foi roubada pelo presidente da Galáxia, Zaphod Beeblebrox, que saiu em busca da resposta para a pergunta pelo sentido da Vida, do Universo e de Tudo Mais. Eles descobrem essa resposta, descobrem também a verdade sobre a criação e a destruição da Terra, a verdade sobre o homem que governa o Universo, a origem dos colchões de molas, do jogo de críquete e o porquê das guerras étnicas, além de ter acesso à mensagem final de Deus às suas criaturas.

Muitas descobertas, como você vê. Adams é iconoclasta e irreverente. Desdenha das instituições e das regras sociais mostrando o ridículo por trás delas. Exercita o sutil humor britânico e o leva à perfeição. Sua galeria de personagens contém alguns dos tipos mais engraçados e originais da Literatura: Arhur, um inglês mau-humorado que nunca entende o que está acontecendo; Zaphod, o playboy egocêntrico que preside a Galáxia mas não governa; Marvin, o andróide-paranóide, pessimista e depressivo, responsável por algumas das melhores tiradas de todos os tempos; Trillian, uma ex-astrofísica desempregada que fugiu com Zaphod em um disco voador; Ford, o repórter que só quer saber de beber e se divertir…

Uma obra de arte, creiam-me. Então, quando você estiver em um bar e alguém mencionar o Guia do Mochileiro das Galáxias, por favor, trate Douglas Adams com o respeito que ele merece.

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6 comentários em “A melhor trilogia de 5 livros da História”

  1. Eduardo, eu achei seu blog através da comunidade do orkut “eu odeio o carnaval”enfim, até fiz um comentario sobre um outro post seu no blog, mas como gostei de suas críticas,e a forma clara a divertida e bem pertinente de escrever, voltei p fuçar mais do blog eheheh.

    enfim…
    realmente o paulo coelho só serviu comoum divisor de águas, entre pessoas que gostam dele X pessoas que realmente não gostam dele(geralmente não o leram) a partir daí vc pode faezr outras observações comportamentais sobre as pessoas que gostam dele…que são as mesmas que…hãnnn deixa p lá ehehehehehe….

    enfim, me chamou a atenção esse seu texto sobre o “guia do mochileiro das galáxias” pois eu vi eu trecho do filme e gostei muito( é eu vi só um trecho mesmo pois estava passando na televisão e eu peguei pela metade, ou seria o final?! pois bem…)
    então apesar de eu ter me interessado pelo filme, eu n entendi muitas coisas, por assitir ele em frações…

    Mas me diga uma coisa, vc chegou assitir o filme?!Vale a pena assiti-lo na íntegra ou é melhor ler os livros mesmo….(o que eu acha que venha ser o caso, pois apesar do filme ser longo, n acredito que seja longo o bastante pra trasnmitir idéias de 5 volumes de livros =O, e quase nunca filmes são totalmente fiéis aos seus livros…)

    bem, gostaria que vc me desse sua opinião, e o que me recomendas?!

    atenciosamente.

  2. Olá, Fernanda

    Primeiro, obrigado pelas visitas ao blogue..,. Pode entrar sempre que quiseres.

    Quanto ao filme do Guia do Mochileiro…, eu não gostei. Simplesmente porque o universo concebido por Adams é tão grandioso que só pode ser vislumbrado no plano da imaginação. Tem muitas coisa do primeiro livro que estão faltando no filme, assim como muitas coisas do filme QUE NÃO ESTÃO EM NENHUM DOS LIVROS.

    À primeira vista, isso pode parecer um estupro da obra, mas quando descobrimos que o próprio Douglas Adams participou da produção e da confecão do roteiro, fica claro que ele quis fazer do filme uma peça independente, relacionada aos livros mas não totalmente fiel.

    Em todo caso, recomendo que se leia os livros ao invés de assistir ao filme. Até porque a trama é tão complexa que só quem já conhece a saga consegue entender tudo que que se passa na tela.

    Um abraço!

  3. Ok Eduardo, obrigada pela resposta.
    Neste caso, vou recorrer mesmo a coleção dos livros, pois me interessei mais ainda pela obra ao saber que se trata de algo mais complexo e mais elaborado do que o filme(que a principio eu gostei sim) mais sabe como é né quando vc lê um livro e vê um filme do mesmo, é sempre um suplício!eheheheh
    então não irei mais desperdiçar uma boa leitura querendo economizar tempo com o filme!!
    ;-)

    mais uma vez obrigada pela dica e atenção!

  4. Depois de tanto tempo no ar, achei este post. Eu li os os cinco livros da trilogia do “mochileiro” e estou lendo o “sexto” (que foi escrito por um autor diferente). São muito bons, leves e bastante críticos à sociedade atual. Vale a pena. Quanto aos “Paulo Coelhos”, li alguns dele. Estilo diferente, propostas diferentes. Acho Paulo Coelho muito superficial e uns livros dele são pra lá de ruins apesar de venderem muito. Nos livros do “mochileiro” se detecta uma visão crítica do mundo, nos “coelhos” isso não existe, foram feitos apenas para serem vendidos. Não há pano de fundo filosófico ou moral consistente, apenas trata de temas que mais dão chamam a atenção. Foram feitos para vender.

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