Um presidente chamado Delay

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Os americanos têm um congressista chamado Tom DeLay. Dizem que ele é o último a rir das piadas e sempre pede, para um assessor, uma explicação à parte sobre as matérias em votação no plenário, para saber de que diabos todos estão falando.

Nós, brasileiros-que-não-desistimos-nunca, temos um presidente chamado Delay. Ontem, dia 24 de janeiro de 2008, ele deu-se conta de que o desmatamento na Amazônia está meio que demais, e realizou uma reunião ministerial para tratar do tema. No ano que vem ele vai descobrir que a violência urbana passou dos limites e no terceiro mandato, em 2014, vai começar a desconfiar que tem alguma coisa errada no nosso ensino público.

Tenho, por enquanto, 26 anos e, desde criancinha, ouço as pessoas dizerem que o desmatamento está acabando com a Amazônia. Tudo bem, o lugar é bem grande, mas um dia a falta dessas árvores vai realmente fazer diferença, o que é deveras assustador, já que nós precisamos delas para manter confortável o clima do planeta.

Dirão os lulistas mais empedernidos, como o professor Ivalino, de Itapuã, que pelo menos o Delay está tentando fazer alguma coisa e que é melhor tomar providências agora do que mais tarde.

Certo, Iva, mas o que exatamente será feito? O problema é tão superlativo que não pode ser resolvido com medidas paliativas como cadastramento de madeireiras e cotas de extração. O negócio é radicalizar. Proibir o corte de árvores nativas da selva e promover os madeireiros ao status de terroristas, para que sejam caçados pelos Navy Seals (sim, isso foi uma brincadeira de mau gosto). Falando sério, devemos sim endurecer, e muito, a fiscalização, mesmo que isso signifique perder a ternura de vez em quando. É preciso, também, vedar certas áreas ao extrativismo, aumentando (muito) o território livre de desmatamento e, aos poucos, fomentar a criação de gado em confinamento e educar a sociedade para o uso de materiais alternativos à madeira-de-lei, como, por exemplo, compostos fabricados a partir do lixo reciclado. Mas isso tem que ser feito rápido. Não podemos começar a debater o tema agora… temos é que tomar atitudes antes que seja tarde.

Há, com certeza, maneiras menos prejudiciais de exploração econômica da Amazônia, como a criação de zonas de ecoturismo e resorts de pesquisa científica.

Algumas pessoas preocupam-se com a preservação da natureza por uma questão de charme. É cool ter consciência ecológica, ouvir Seu Jorge e ver filmes do Almodóvar. Mas nem todos esses parentes do presidente Delay se deram conta de que o que está em jogo não é a vida de meia dúzia de macacos-prego, e sim a manutenção do equilíbrio biológico de todo o planeta.

Ah, e precisamos, com urgência, de um Partido Verde com bons quadros.

 

 

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Um comentário em “Um presidente chamado Delay”

  1. “É cool ter consciência ecológica, ouvir Seu Jorge e ver filmes do Almodóvar.”

    Discordo, como diria Calvin e Haroldo, é cool ter um sombreiro e usar calças do mickey mouse! Mas, quando se é cool o mundo te chateia.

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