Bial no paredón!

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Ainda bem que eu não sou moralista. Se fosse, eu seria obrigado a iniciar uma marcha até Brasília, para riscar o carro do ministro das Comunicações com um prego enferrujado. O carro particular, não o oficial, fique bem entendido. Talvez até o oficial, para que o protesto atraísse mais a atenção da mídia.

O motivo? Este trecho de matéria, publicado em um site noticioso:

“Depois da festa no BBB da noite de quarta-feira, a gaúcha Natália mostrou os seios ‘acidentalmente’ para as câmeras. Alcoolizada, a miss foi resgatada por Thatiana do futon, onde estava deitada há algum tempo. A brasiliense leva a amiga até o Quarto Muuu para ajudá-la a vestir seu pijama.”

Nada tenho contra seios. Aliás, sou completamente a favor. Minha crítica não é ao uso que se possa fazer dessa salutar particularidade anatômica feminina, mas sim à falta de controle do percentual de coliformes fecais presentes na programação da TV aberta. Trocando por miúdos: por que raios essa merda de programa continua no ar?

Não assisto ao BBB. Sim, sou o tipo de pessoa que as outras pessoas denominam “chato de galocha”. Mas, pelo que ouço falar, muita gente assiste. E torce. E paga para tirar ou para deixar alguém na “casa”. E vibra ou se entristece com cada resultado de paredão (eu preferia que fosse “paredón”, no sentido cubano do termo). Dirão os liberais que cada um vê o que quer, que é preciso liberdade, que há outras opções em outros canais, e que proibir a exibição de programas é censura. Eu digo: basta!

Então, em nome de uma suposta “liberdade”, podemos exibir em horário nobre uma “casa” cheia de boçais que passam o dia e a noite bebendo e se exercitando na arte da intriga e da vadiagem? A quem isso interessa? Interessa aos pais que seus filhos vejam e aplaudam uma mulher tão bêbada que sequer consegue vestir o pijama? Interessa ao governo, que sempre faz campanhas e cria leis contra o abuso de álcool, que a embriaguez inconseqüente seja alçada à condição de virtude? Interessa à sociedade que paguemos pessoas para se tornarem celebridades sem que tenham feito nada mais notório que tomar um porre em rede nacional?

O programa tem classificação etária? Mesmo que tenha, para que serve isso? Algum menor deixa de ver programas de TV ou de acessar sites “impróprios” para a sua idade só porque há um aviso dizendo que é preciso ter 18 anos? E os pais? Ora, os pais estão junto com os filhos no sofá, pedindo que o Júnior passe logo a pipoca.

Meus amigos, estamos diante de um círculo vicioso, viciante e viciado. O povo só terá condições de decidir o que ver na TV (e, por extensão, condições de tomar outras decisões importantes, como o voto) quando tiver capacidade genuína de “discernimento”, e só terá capacidade genuína de discernimento quando os fatores que moldam a consciência crítica (entre eles, e talvez principalmente, a TV) fizerem a sua parte.

Alguém precisa quebrar esse círculo, e com certeza não será o Pedro Bial. Nem a… como é mesmo o nome dela?

Tirar do ar programas dessa laia não é censura, nem ditadura. É uma necessidade, pelo bem do que ainda resta de civilizado em nós. Isso não é ser moralista, é ser razoável. No sentido iluminista do termo.

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7 comentários em “Bial no paredón!”

  1. Já vi essa história antes, era sobre um país chamado Lisarb.
    Lisarb continua o mesmo. Infelizmente.

    BTW, a concessão da Globo foi renovada?

  2. Que demaaaaais auahuahauah… A parte do “A gaúcha Natália mostrou os seios ‘acidentalmente’ para as câmeras.” me fez rir bastante pensando na coincidência de nomes e localidade natal.

    Sobre o BBB, devo me restringir ao que penso… Enquanto DENTRE as pessoas que se indignarem com essa aculturização que nos temos existirem elementos que são partidários do “faça o que eu digo, não o que eu faço”, as coisas não vão mudar. Enquanto, por exemplo, tivermos várias pessoas em universidades federais, cheios de acesso ao conhecimento, que não conseguem sequer enxergar que a maconha-de-final-de-semana que consomem alimenta o tráfico, permaneceremos apenas rotando a oligarquia que sobe ao poder [algo que até vimos em teoria política, mas que não me recordo com clareza], jamais efetivamente beneficiando o povo. Porque hoje esses revolucionários de apartamento são apenas maconheiros chatos; amanhã, dado ao engajamento político de alguns mais espertos, estarão no senado dando uma de Calheiros 2 – A Missão. E possivelmente os caras que estão lá hoje foram caras que eram assim no passado. O tal de BBB é só a ponta do iceberg.

    E, céus, eu falo demais.

  3. Será exagero? Será mesmo discernível a anti-culturalização?

    Eu tenho meu ponto de vista que é extremamente xiita contra a imbecialização. Agora, o que faremos se a maioria apóia essa banalização brasileira?

    Abraço.

    Retórica à parte…

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