Entrevista exclusiva com o Papai Noel

papai_noel.jpgPassada a correria de Natal, o Papai Noel arranjou tempo para conceder a este blogue uma entrevista exclusivíssima.

Periscópio: Papai Noel, o senhor existe?

Papai Noel: Você aprendeu a fazer perguntas com o Cabrini?

Periscópio: Por favor, não fuja pela tangente. Existe ou não existe?

Noel: Você nunca leu aquele editorial do New York Sun? É claro que existo.

Periscópio: Então, o senhor existe como descrito no editorial de Francis Church?

Noel: É claro que não. Mas o texto de Francis e a idéia que ele defende tiraram das minhas costas o peso de ter que estar sempre provando que eu existo.

Periscópio: Onde o senhor mora?

Noel: Nasci e cresci na Lapônia, mas me mudei para Paris depois que o negócio começou a prosperar de verdade. Também tenho um apartamentinho em Roma e um chalé em Seychelles para passar o verão.

Periscópio: Quando o senhor nasceu?

Noel: Em 25 de dezembro de 1748.

Periscópio: Então, antes disso as crianças não recebiam presentes no Natal?

Noel: Sempre houve pais que deram presentes aos filhos. Eu apenas me dei conta do potencial comercial do Natal e soube tirar proveito disso. Apesar do que diz a Coca-Cola, quem inventou a economia do espírito fui eu.

Periscópio: Para o senhor, o Natal é apenas uma data comercial?

Noel: Para você não é?

Periscópio: Como o senhor lucra com o Natal?

Noel: Basicamente, direitos de imagem. E também tenho ações de algumas redes hoteleiras e companhias dos setores de brinquedos e transporte de cargas. Os pais não acreditam na minha existência, mas compram para os filhos presentes fabricados pelas minhas empresas.

Periscópio: Então, não é o senhor que fabrica os brinquedos na sua oficina?

Noel: No começo, eu fazia isso. Mas consumia todo o meu tempo. Do ano inteiro! Um pobre velho merece descansar. E ainda havia todos aqueles processos na Justiça do Trabalho, movidos por aqueles duendes vagabundos. Foi aí que decidi terceirizar. Hoje, quase todos os brinquedos são feitos na China.

Periscópio: E a entrega ainda é feita no famoso trenó voador?

Noel: Claro que não. Eu usava um trenó no início da carreira. E ele não voava. Mas a expansão do negócio me obrigou a contratar transportadoras.

Periscópio: E o que o senhor fez com as renas?

Noel: Churrasco. Com exceção de uma, que vendi para a fábrica de salsichas do Franz Holopainen. E ele nunca me pagou! Velho sovina…

Periscópio: O senhor atende os pedidos de todas as crianças que lhe escrevem?

Noel: Só daquelas cujos pais podem pagar pelo presente.

Periscópio: E as crianças pobres?

Noel: Essas eu não preciso ajudar. Para isso existem as campanhas dos Correios e as ações dos voluntários.

Periscópio: Existe uma Mamãe Noel?

Noel: Existiu, há muito tempo. Nos separamos e nunca mais nos vimos. Hoje, namoro uma ex-top model cujo nome prefiro manter em segredo. Questão de privacidade, entende?

Periscópio: O senhor não tem medo de ficar desacreditado, após essa entrevista?

Noel: Não.

Periscópio: Por quê?

Noel: Primeiro, porque ninguém lê o seu blogue. Depois, porque os que lerem vão dizer que você inventou isso tudo.

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6 comentários em “Entrevista exclusiva com o Papai Noel”

  1. Acho que foi ele que colocou cocaína na Coca-Cola, em 1929. Fato que obviamente deu um avolumado incremento nas vendas dessa bebida nefasta.
    Depois dele, o outro velho a se aproveitar da mesma foi Bezerra da Silva, com o hit “Tem coca aí na geladeira”. Sim, ele deve ter pago royalties pro Papai Noel.

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