Copa: bom pra quem?

A Copa de 2014, salvo em caso de grande catástrofe, será no Brasil. É a verdade pura, líquida e certa e, portanto, não há mais espaço para se debater prós e contras, “sim” ou “não”. Devemos, ao invés disso, encontrar maneiras de fazer com que o evento seja proveitoso para o país e para o povo como um todo, de forma efetiva e duradoura.

Apesar da retórica ufanista – que por vezes beira a pieguice – de artigos como o de Frank Damasceno, publicado na internet e na Zero Hora de 1º de novembro, a Copa por si só não será um bálsamo milagroso para todas as mazelas que afligem o povo e o Estado brasileiros. O referido texto – que apresenta o sorriso do brasileiro como virtude que nos credencia a sediar o certame – afirma que os investimentos em infra-estrutura e a geração de empregos melhorarão de forma significativa as condições de vida de toda a população. É preciso, aqui, analisar algumas questões com maior atenção.

Cabe perguntar, em primeiro lugar, de onde sairão esses recursos todos e, em seguida, quem será beneficiado pelas obras. O presidente Lula e os demais envolvidos na materialização do projeto apostam em parcerias com a iniciativa privada. Ora, sabemos que nenhum empresário abre uma empresa para fazer caridade – e nem queremos que eles ajam assim. Logo, os investidores que abraçarem o projeto o farão à espera de que possam explorar economicamente as benfeitorias por eles financiadas. Pagarão os empresários pela construção de hospitais públicos? Mandarão construir escolas de qualidade para as crianças pobres? Investirão em áreas de lazer de uso gratuito? Patrocinarão a formação de bons professores e médicos? Creio que seja desnecessário responder essas perguntas, pois todos sabem como funciona o Capitalismo.

Mesmo que Lula, o seu sucessor e o empresariado consigam promover as obras necessárias à realização da Copa, a desigualdade e a exclusão permanecerão, pois os problemas do Brasil não são mera questão de infra-estrutura. Há metas bem mais sérias a serem atingidas – como a resolução dos problemas da criminalidade, da corrupção institucionalizada, da derrocada dos valores, da Educação de faz-de-conta – e esse gol não pode ser marcado em apenas sete anos.

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