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Como são burros os nossos sindicalistas

Publicado por: Eduardo em: 13 Fevereiro 2009

yeda

Os sindicalistas gaúchos são mesmo muito burros. São de uma estupidez tão gritante que conseguem agir estupidamente até quando têm uma ideia genial. Um exemplo disso foi amplamente divulgado ontem: um protesto nada convencional contra a governadora do RS, Yeda Crusius.

Durante vários dias, os cidadãos porto-alegrenses viram provocantes outdoors espalhados pela cidade. Os cartazes continham um rosto desfigurado e a seguinte mensagem: “Dia 12, descubra o a face da destruição no Estado”, ou algo parecido. É desnecessário dizer que tal campanha atiçou a curiosidade dos cidadãos e motivou intensos debates sobre a autoria do protesto e sobre quem seria o “dono” do rosto exibido nos outdoors.

Well, o dia 12 chegou e as suspeitas de muitos foram confirmadas: era uma campanha contra a governadora Yeda Crusius, capitaneada pelo Cpers (sindicato dos professores) e outras entidades sindicais ligadas aos servidores estaduais. E é aqui que eu repito: que gente burra!

Sempre fui um crítico das greves e de manifestações do estilo “Vamos trancar o trânsito”. Sou contrário a esses métodos de reivindicação unicamente porque eles não funcionam mais e, ao invés de angariar simpatizantes para a causa, aumentam a rejeição ao movimento.

O Ivalino vai discordar, mas manifestações a la 68 perderam o sentido, pelo menos no Brasil, e especialmente quando envolvem servidores públicos. Pergunte ao cidadão comum o que ele pensa de funcionários públicos que paralisam serviços essenciais ou que interrompem o fluxo de veículos. Por mais nobre que seja a causa (e ela é), ninguém gosta de ficar em filas, de perder tempo ou de ficar parado no trânsito. Por isso, a população se volta, via de regra, contra os grevistas e não contra o governo.

Defendo formas mais criativas e conscientizadoras de reivindicação. Uma destas possibilidades foi explorada (muito mal) no protesto contra a governadora. A ideia em si é genial: outdoors com teasers, exibidos por vários dias consecutivos, culminando num grande ato em que o sentido da campanha é revelado.

Seria um protesto com consequências muitíssimo benéficas para todos, se os responsáveis pelo movimento não tivessem estragado tudo. Lendo (por exemplo, em comentários nesta matéria) ou ouvindo as reações dos cidadãos à manifestação, percebemos o quão tolos são os organizadores da campanha, que desperdiçaram uma ótima chance de serem vistos e ouvidos.

O que aparece no outdoor?
O rosto de Yeda, acompanhado da frase Esta é a face da destruição do Estado. Este foi um erro crasso. O que diz, de concreto, esta frase? Nada. N-a-d-a. É uma acusação infantil, raivosa e maniqueísta, tão típica dos gaúchos. Algo do tipo “Somos contra a Yeda porque ela é feia, boba e malvada”. Isso é absurdo.

No RS, um Estado profundamente marcado pela polarização, frases do tipo devem ser evitadas ao extremo. Qualquer coisa que dê margem à vitimização do oponente deve ser descartada. Agora, muitíssimos acusam os sindicatos de promover ataques gratuitos, pessoais, ofensivos. Os manifestantes conseguiram transformar em vítima o alvo do seu protesto.

Graças à burrice dos líderes sindicais, as pessoas esqueceram o conteúdo do protesto (bem, os próprios autores da campanha esqueceram), para se concentrar na forma.

O que deveria estar no outdoor?

Todos sabem que não se poderia colocar o rosto de uma única pessoa no cartaz – que os culpados pela “destruição” do RS são muitos. Personalizar a campanha é um desastre para os resultados visados. Ao invés desta acusação raivosa e desta frase-lema que nada diz, por que não expor a pauta de reivindicações nos outdoors, de forma criativa?

Por exemplo, Yeda se orgulha de ter acabado com o déficit do Estado. Por que não explorar isso na campanha? Dizendo, por exemplo, que a governadora conseguiu zerar o déficit fazendo coisas como fechar 105 escolas estaduais. Repetindo: a mulher fechou 105 escolas estaduais. Por que não dizer que os professores estaduais ganham menos de R$ 500 por mês, um dos salários mais baixos do Brasil? Por que não dizer que Yeda fez campanha contra o aumento do piso dos professores e, em seguida, aprovou um aumento de 143% para si mesma, sem contar o aumento dos secretários estaduais?

Por que não dizer à população que os professores são obrigados a aprovar alunos sem condições, só para manter em alta os índices? Por que não dizer que os policiais gaúchos arriscam a vida pelo salário mais baixo do Brasil? Por que não dizer que há batalhões da Brigada Militar que contam com apenas uma viatura para patrulhar vários bairros, e que essa viatura nem sempre funciona?

Outros rostos

Outro problema da personalização do protesto é que… Yeda não é a única culpada. Que outros rostos poderiam aparecer nos outdoors? Que tal os dos governadores anteriores, que pouco ou nada fizeram pelos servidores estaduais? Que tal os rostos dos governadores que quebraram o Estado? Que tal os rostos dos servidores estaduais que ganham super-salários? Ou os rostos dos que desviam recursos públicos impunemente? Que tal os rostos dos idealizadores e apoiadores do Instituto de Previdência do Estado, um saco sem fundo cheíssimo de gaiatos mamando tranquilamente nas gordas tetas governamentais?

Por que não colocar também os rostos de Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula? Eles e suas equipes também são culpados por muitas mazelas da Educação. Lula, por exemplo, se orgulha dos índices educacionais brasileiros, mas os professores sabem que mais da metade dos alunos que saem do Ensino Fundamental são analfabetos funcionais.

O que quero dizer é que a questão da “destruição” do Estado é muito mais ampla do que a guerra pessoal contra Yeda, e não se resolve com acusações infantis do tipo “ela é a culpada por tudo.”

Mais uma vez, nada muda.

Que papelão.

9 Respostas para "Como são burros os nossos sindicalistas"

E a grana que eles gastaram nisso? Olhar pros outdoors só faz lembrar o quanto gaúcho é burro (por eleger a Yeda) e prepotente (por seguir acreditando que é um povo politizado).

AHhhhh, poizé, Ane.

O povo daqui acha que “politizado” é sinônimo de “sectário”.

Concordo. Minha única ressalva é a de que, apesar de tudo isso, a campanha não deveria ter sido censurada. Primeiro porque acaba sendo um erro do próprio governo, que, pondo o caso a ferver em fogo alto, dá uma publicidade maior para o que poderia passar muito menos percebido. Depois porque as figuras públicas estão aí para serem criticadas, sem choro. No mais, concordo: a campanha é um tiro no pé, com ou sem censura.

Edu, só agora fui ver que um dos comentários no meu blog era teu. Poxa, é uma honra ter recebido a tua atenção e o teu ‘feedback’. Já respondi lá – inclusive, com uma entrevista do Paulo Visentini que vai bem ao encontro do teu comentário. Grande abraço.

Grande, Edu, meu ex-colega de aula. Parabenizo-te pelo blog, muito bem escrito, com idéias claras, objetivas, através de pensamento coerente, inteligente e embasado.

Quando você escreveu da burrice dos nossos sindicalistas, fez-me rir. Pelas verdades que você logo descreveu.

Concordo em gênero e grau.

Abraço

Caro colega:
Mais uma vez vem você “apedrejar” a entidade de classe à qual você pertence. ( Ou deveria pertencer,pois, acho que estás mais para a dos jornalistas ou RBS, porque já falas como um Lasier, um Mendelski, um Pugina, um Brrionuevo… é preciso citar mais?) Há alguém que não saiba que esta professora/governadora/paulista é quem está enxovalhando o magistério e a educação gaúcha? Quem não sabe que ela fechou essas escolas, entrou no Supremo contra o merreca de 950 reais de básico, e alguém disse alguma coisa? E, agora tenho de ouvir a pérola: o Lula é o responsável pelos alunos serem aprovados analfabetos. Por que não citas as mais de 500 mil novas vagas no Ensino Técnico? A coragem que nenhum seu antecessor teve de estabelecer um piso nacional? Eduardo, nada pessoal, mas quem sabe tu não te deixes “levar” tanto pelo encanto de estar na RBS e passas a “bater” menos nos teus colegas e na entidade que te representa aqui no estado. Desculpe discordar de ti, mas, burrice seria dizer a mesmice: citar todos aqueles que prejudicaram o Estado seria absolver quem o está arrebentando de maneira tão autoritária como essa govenadora está fazendo agora. E ainda sai pelo Brasil, como nosso dinheiro, mentir, dizendo que o saneou. Foi buscar no Nazismo a tática de que uma mentira dita cem…… Engraçado que um jornalista e escritor do gabarito de Juremir Machado da Silva pensa exatamente o contrário e tu buscas a quem? O David Coimbra. De sã consciência, como eu poderia concordar contigo?

Iva, em momento algum eu neguei a importância das bandeiras do CPERS.

Eu apenas disse que acampanha foi um tiro no pé, pois acabou transformando Yeda em mártir.

Se tu e o CPERS realmente acreditam que Yeda é a única responsável pelo caos, tudo bem, é um direito de vocês. MAs a questão é: por que, então, a campanha não mostra COMO ela destruiu o Estado?

É ISSO QUE EU QUERO DIZER, homem!!!!!! Dizer “esta é a face da destruição” é o mesmo que não dizer nada! É até pior do que não dizer nada, pois atrai a solidariedade da população para Yeda, justamente o que o CPERS menos queria!

Não acho que as reivindicações sejam erradas. Acho apenas que a campanha foi burra, por nada esclarecer e por armar Yeda ao invés de enfraquecê-la.

Um abraço.

Eduardo, você está errado. Os sindicalistas são inteligentes.

Quando se trata de cobrar a contribuição sindical, de impor regras absurdas, de criar reserva de mercado, de ficar encostado e de se lançar a algum cargo político, esse pessoal é bem inteligente.

Agora, quando se trata de defender os direitos dos trabalhadores…

PS: Eu sei que não são todos que são assim. Mas, infelizmente, é uma minoria.

Uma coisa é interessante ressalvar: os holofotes foram todos para este anúncio. E teria o mesmo impacto se tivesse a foto de algum ex-governador? Se a Yeda ajuda ou não a classe, o CPERS já perdeu este foco. Ainda mais que qualquer um sabe que o movimento sindical é uma máscara, onde aparecem os vermes políticos do quinto escalão. Mas do ponto de vista comunicacional, acho que não foi totalmente inválido. Talvez tenha sido contraproducente, mas acho que não, em virtude da já existente rejeição que o povo tem a respeito da governadora. Quem sabe foi uma estratégia para provocar isto, e não uma utópica busca de direitos.

Acho que a justificativa da “destruição” do Estado poderia ser divulgada em um discurso anterior à revelação, chamando a atenção dos jornalistas. Acho que seria publicado como as justificativas do ato. Mas isso já é um tiro cego meu…

Em tempo: a pauta da Zero Hora posterior à revelação era algo do tipo “Governo irá tomar providências”. Um sutil desvio de foco. Ou será que é isso que o leitor quer saber?

concordo com o ivalino…
seu burro…
que fica chamando os professores de burros sendo que eles te ensinaram ganhando uma merreca…
aí pra tirar o foco da governadora fica botando a culpa no Lula ou nos outros…
As escolas são estaduais e não federais(neste caso), seu burro…
A lei obriga de 25% seja encaminhado a educação e a tua governadora só repassou 18%. è uma pena que você tenha dinheiro pra pagar escola particular para teus filhos..por que se fosse o contrário..você os veria algumas vezes chorar de estresse…com 40 lindos bagunceiros na aula…
e novamente…burro é você e mão os sindicalistas…

se não fossem os “burros” sindicalistas você não ganhava 13° e nem férias.

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