Publicado por: Eduardo em: 25 Janeiro 2009
O David Coimbra escreveu, semana passada, um artigo interessante, reclamando o direito de criticar os professores por ser o seu patrão. Nem é preciso dizer que o texto e o autor foram violentamente atacados por educadores, sindicalistas e outros funcionários públicos.
Acontece que o David tem razão. Ele, eu e todos os demais cidadãos somos patrões dos funcionários públicos e ocupantes de cargos públicos. Não patrões no sentido marxista do termo, mas patrões no sentido de “aqueles que pagam o salário e para quem o serviço deve ser bem feito”.
O maniqueísmo é phoda. Os professores estão entre as categorias que se consideram à prova de críticas. Experimente criticar um professor, e prepare-se para ouvir torrentes de impropérios de proporções bíblicas.
Já que o David, que é patrão, foi julgado por muitos inepto para tratar do tema, eu, que sou professor E patrão dos professores, acredito possuir a legitimidade necessária para falar sobre.
Sim, os professores ganham mal, não recebem suporte, não incentivo para se aperfeiçoar, são obrigados a trabalhar em péssimas condições e precisam passar, todos os anos, pela humilhação de ter que aprovar semi-analfabetos (para quem não sabe, os índices de reprovação só são tão baixos porque as secretarias de Educação obrigam seus professores a aprovar quase todo mundo).
Mas será que ganhar mal é justificativa e escusa para qualquer tipo de comportamento?
Conheço professores que faltam quase uma vez por semana (e põem a culpa nos baixos salários). Meu pai, operário e funcionário da iniciativa privada, ganha ainda menos e nunca falta – porque perde o emprego, se faltar.
Todo trabalhador presta contas do seu trabalho aos superiores – menos os professores da rede pública. Um professor de escola municipal ou estadual é senhor da própria práxis. Ninguém lhe pergunta o que ele faz na sala de aula.
Com o achatamento dos salários, tem caído muito o nível dos professores, de sorte que há muitos educadores despreparados, com sérias lacunas na formação (principalmente no domínio da língua portuguesa) dando aula e recebendo salários pagos pelos contribuintes.
O Ivalino, certamente, vai me atacar duramente e dizer que estou jogando a culpa de todos os problemas da educação nos professores, que, segundo ele, são as maiores vítimas.
Não estou, Iva. Sou um dos maiores críticos das políticas educacionais e da falta de incentivo e suporte aos educadores.
Mas, como trabalhador da educação, sei muito bem que há bons e maus professores. E o número de membros desta última categoria é, infelizmente, cada vez maior.
… o que elas estão fazendo, ou pretendendo fazer. Dá para elogiar, por exemplo, o senador Buarque por suas posições a respeito da questão educacional do Brasil? E quem é o David Coimbra? Mande-o para a sala-de-aula, em 3 turnos, com 50 alunos, não por um dia, ou semana, mas como o professor faz a vida inteira e veremos se ele se preocupa com quem o paga. (Por falar nisso, quem o paga? – A RBS. E de quem eles “tiram” o dinheiro? Parece que o dinheiro para empresa privada cai do céu. Não ele é estorquido do povo…). Só quando se paga salário de funcionário público é que é despesa. Para o setor privado, os altos salários são HONORÁRIOS…
Caro Eduardo, pus no meu blog uma possível resposta a sua pergunta “quem é o patrão dos professores?”.
Um abraço!
Mas não é só no Rio Grande que se vê essas anomalias. Por todo o nosso país vemos que o povo, via de regra, não sabe fazer política. Reclamamos do corporativismo e clientelismo na política brasileira quando no fundo o nosso próprio povo de visão curtíssima constitui a base de todo esse corporativismo. Todos querem levar vantagem. É raro encontrarmos atitudes políticas manifestadas em pró de um ideal. No mais das vezes, todas as manifestações políticas se traduzem em um assistencialismo sempre mais descarado. Não dá pra saber onde isso tudo vai parar. Creio que somente um grande episódio, de nível catastrófico poderia reverter esse quadro de corrupção diária no qual nos encontramos. Quem sabe a vida do brasileiro esteja boa por demais para que ele levante o seu traseiro do sofá e vá para a rua exigir deus direitos e um mínimo de competência de seus governantes, como por um ideal…
Para finalizar, se os gaúchos estão descontentes com seu governo, o que dirão os nordestinos que nem senso crítico tem para que mantenham no poder seus caciques de sempre… Lula, Renan, Sarney dentre tantos, destacando-se nosso querido Collor que voltou à cena política belo e formoso como Senador… eleito por um povo… bem, você sabe… É meu amigo, a coisa tá feia…
25 Janeiro 2009 às 6:05 pm
Caro colega,
Não somos uma categoria dona da perfeição. Vamos repetir o que todos dizem: há maus e bons profissionais em todas as categoria… o que vejo de errado no que tu continuas, teimosamente, repetindo é que só sabes citar as coisas erradas a respeito do magistério. Você seria capaz de me citar categoria da importância da nossa que tenha sido mais achincalhada ( por todos: pais de alunos, alunos, autoridades e, como dizes, “os nossos patrões”) do que o magistério. Por que cotratam incompetentes para o magisério? – Porque é uma categoria que não é valorizada. Por que a maioria absoluta ( acho que 80%) dos professores são mulheres? – Porque o trabalho da mulher não é valorizado como o do homem. O que ela ganha é “bico”, é para comprar suas coisinhas. Não sou eu quem diz isso, são os donos das políticas públicas, são aqueles que mandam seus filhos estudar fora do país e querem ver a maioria ignorante para justificar que eles sejam tão valorizados, enriqueçam da noite para o dia, enquanto a maioria “que viva com o salário mínimo”. ( Não vai faltar quem me chame de comuna… e eu vou mandá-los lá…). Quanto a não comparecer algumas vezes ao trabalho, se fosse para agir como tu dizes que as escolas particulares fazem, hoje tu também já não serias mais professor. Afinal, caro colega, não somos máquinas e nem estamos em regime nazista ou fascista. Se sairem ótimos seres humanos das salas de aula, embora não sabendo nada de Português ou Matemática, o mundo será, com certeza, muito melhor. E, por fim, gostaria verte na TV ou ZH entregando rosas a Mariza Abreu e a Yeda, já que posso tirar a ilação de que estas de acordo com tudo o q