Publicado por: Eduardo em: 10 Outubro 2008
A coisa mais intrigante nestes tempos de crise nos mercados não é ver os comunistas-de-apartamento ostentando aquele sorriso maroto de “Eu avisei”, nem tentar entender de onde os governos tiram US$ 1 trilhão para dar aos bancos, nem ficar imaginando a real dimensão de US$ 1 trilhão.
O mais embasbacante também não é a gente revisar o próprio cabedal de conhecimentos e dar-se conta de que não entende lhufas de economia.
O absurdo maior é perceber que os caras que supostamente deveriam entender da coisa toda também não entendem lhufas.
Lendo esses infográficos de “entenda a crise”, a impressão que se tem é a de que o mercado financeiro é o País das Maravilhas, onde bancos emprestam dinheiro de que não dispõem (e, para poder emprestar, tomam emprestado de outros bancos que também não têm dinheiro, e assim sucessivamente, até que um Banco Central tem que pagar a conta de verdade), devedores pedem empréstimos para pagar dívidas e usam o dinheiro para contrair outras dívidas, especuladores transformam quantias imaginárias em quantias imaginárias maiores ainda, etc.
O mais estarrecedor é que vivo num mundo em que tais coisas parecem não fazer o menor sentido. O meu mundo, definitivamente, não é o mesmo mundo do mercado financeiro. Vivo num mundo em que se ganha dinheiro trabalhando, produzindo coisas e trocando essas coisas por outras coisas. Vivo num mundo em que o dinheiro é finito e, portanto, eu não posso criar dinheiro do nada ou gastar mais do que sou capaz de ganhar.
O dinheiro do meu mundo é, ainda, excessivamente ligado a um referencial material. Por isso, eu me recuso a entender como é que alguém ganha dinheiro especulando.
Blogues como o Vestiário dizem que é a morte do Capitalismo. Não sei. Acredito que se tenha dito o mesmo em 1929, e o Capitalismo deu a volta por cima. O sistema sempre dá a volta por cima, sempre dá um jeito de transformar tudo em dinheiro. É bem possível que transformem Wall Street em parque temático e ganhem fortunas vendendo ingressos, camisetas e bonequinhos do Alan Greenspan.
Especuladores por especuladores, prefiro os de 1929. Pelo menos, eles tiveram a decência de se jogar do alto do Empire State quando suas empresas faliram.
Eduardo, mas a gente deve lembrar que na crise de 1929, o mundo era bem diferente do atual. Hoje a economia está globalizada, o mundo plano e os governos de vários países menos dependentes dos Estados Unidos.
Se a coisa vai mudar dentro dos EUA, isso acho que ninguém sabe. Mas, o importante pra mim é o Brasil. E, sério. estamos muito bem na fita. e ficaremos assim por um longo tempo.
Governos devem sim intervir em economias. E eu espero que o EUA não acreditem nisso. Por mim, que eles se ferrem de vez e nunca mais se recuperem.
Caro eduardo,
Acho que as notícias sobre a morte do capitalismo estão grandemente exageradas. O mundo continuará capitalista, com especuladores fazendo fortunas de jeitos que as pessoas “normais” jamais entenderão… E o Estado continuará servindo, primordialmente, para intervir a favor dos ricos. No mais é uma guerra de todos contra todos: só que alguns têm dinheiro para contratar mercenários.
11 Outubro 2008 às 12:57 am
Eduardo, eu também não creio que seja a morte do Capitalismo, mas que parte de sua estrutura foi abalada, isso foi.
E não é a estrutura financeira que estou falando, e sim da ideológica. Durante séculos, o Capitalismo (mais precisamente o Liberalismo) fez o mundo acreditar que o Estado não deveria intervir no mercado. A economia seria gerida por uma tal de uma mão invisível.
E nestes dias notamos que essa tal mão invisível não existe. O Estado deve sim intervir na economia. E isso não é nenhuma novidade, na própria crise de 29, por exemplo, isso aconteceu.
Só que desta vez, a coisa veio numa escala maior, tanto dentro e fora dos Estados Unidos.
PS: Eu “errei” a data de nascimento do Capitalismo. :p