Bichinhos bonitinhos também podem ser comidos

Nada tenho contra os vegetarianos. Pelo menos, nada contra os vegetarianos que comem sua alface numa boa e não ficam tentando transformar todas as pessoas em adeptos da sua cruzada para livrar o mundo dos hereges carnívoros.

Você pode me dizer que eles estão certos; pode me falar daquela história de biomassa e me provar cientificamente que consumir vegetais é a maneira mais racional e proveitosa de usar os recursos do solo.

Aceito esse argumento (embora ache que não há nada melhor que um bife mal passado com um ovo frito por cima). Mas não é por isso que os vegetarianos tentam nos catequizar. Eles querem que o mundo pare de comer carne não por preocupação com a sustentabilidade, mas porque têm pena dos pobres animaizinhos.

Obviamente, não estou fazendo uma generalização, mas apenas dizendo que, de todos os vegetarianos que já tentaram me converter, pelo menos 90% usavam como “argumento” a idéia de que é crueldade matar para comer. Que somos seres evoluídos e, por isso, podemos escolher não caçar.

Nem preciso dizer que acho isso tudo uma besteira, que a vida se nutre de vida, que sempre foi assim e que, como escreveu o Douglas Adams, os vegetais têm uma opinião bem séria sobre o fato de serem comidos pelos herbívoros.

O problema de tudo, como você bem sabe, é a solidão da espécie humana.

Somos uma espécie tristemente solitária. Não temos uma outra espécie com quem conversar, a não ser com nossos cães, gatos e peixes, que não devem entender muita coisa. Por isso, antropomorfizamos todos os outros seres vivos. Pintamos rostos humanos e colocamos falas humanas nas bocas de árvores, gatos, ratos, hienas, abóboras, formiguinhas.

Ah, as formiguinhas.

Certa vez, Hollywood fez dois filmes sobre formiguinhas. Li em algum lugar que as empresas de dedetização americanas tiveram uma redução significativa nos lucros daquele ano. Os ianques ficaram com peninha dos insetinhos, depois de vê-los falando, sorrindo e amando nas telas. Pode-se matar iraquianos, mas não formigas.

Mas, voltando aos nossos bichinhos, observe a foto abaixo. Você teria coragem de comer um boi com uma carinha tão meiga?

Eu teria. Então, só porque ele tem um sistema nervoso eu devo poupá-lo da frigideira?

Serei eu um monstro?

[o post foi atualizado]

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  1. Ane Meira

    Acho a experiência de me alimentar de outras espécies enriquecedora. Alimenta e faz crescer. Miúdos são meus pedaços favoritos. E se me fosse oferecida a possibilidade de comer insetos, come-los-ia. Ai se os defensores de animais me ouvirem…

  2. Eduardo

    Meus pais criavam coelhos para corte, lá em São Sebastião do Caí.

    Carne de coelho é uma iguaria. Principalmente assada no forno.

  3. Camomila

    Deve ser bom mesmo, minha irmã – e a família dela – adora.
    Mas da primeira vez que vi achei esquisito. Talvez um dia eu prove.

  4. Ivalino Scanagata

    Estou contigo, Eduardo. Concordo em tudo. Já tive a experiência de estar saboreando o nosso tradicional churrasco e ter que ouvir alguém à mesa fazendo cara de nojo. Só me calei porque estava na minha casa e tive de manter a compostura. O motivo de não comer carne? Exatamente o que você disse: porque o animal sofre e passa essa “angústia” para a gente.
    (É claro que com aquele bife com ovo vai bem aquela salada verde..hummm.)

  5. Gisele

    A meiguice desse touro (aposto que ele é assim feliz porque não foi castrado) me comoveu. Vou fazer um filme de animação sobre bovinos para salvar a vida deles…

    Falando sério: eu até tentei ser vegetariana depois de visitar um frigorífico. É triste a morte dos bichinhos. Passei um mês sem comer carne, mas depois não resisti mais. É nosso instinto: o mais forte como o mais fraco, fazer o quê?

  6. cardoso

    Eu me restrinjo a comer animais burros. Não tenho respeito por bois nem galinhas, já bichos fofinhos como coelhos eu não como.

    Peixe não como pq não gosto do sabor, já golfinho só comi se veio misturado no atum.

  7. Stephen Dedalus

    Alguém já ouviu falar na história dos “Sobreviventes dos Andes” ou no “Donner Party”? As pessoas devem comer para sobreviver, em primeiro lugar…

  8. Eduardo

    Concordo, Stephen, embora o comer humano seja diferente do comer animal… Podemos agregar significado ao ato, como em um banquete diplomático, em um churrasco entre amigos ou em um jantar romântico…

  9. Pingback: Vestiário | Cinco Coisas
  10. Tonetto

    No momento que um boi pasta em um hectare, centenas de pessoas deixam de ser alimentadas por outros produtos que a natureza oferece. Comer animais é uma anomalia, já que está provado cientificamente que o ser humano sobrevive (e muito bem) sem carne. Pensar em apenas se satisfazer com um pedaço de bife é uma medida egoísta, já que a terra tem muito mais coisas a oferecer. Mas, claro, isto é uma visão muito pessoal, e concordo contigo, Eduardo, que é um saco tentar ser doutrinado por qualquer pessoa que seja. O conhecimento está disponível para quem quiser buscá-lo.

  11. Eduardo

    Como eu disse, Tonetto, eu concordo com argumentos.

    Mas os vegetarianos doutrinadores chatos não usam argumentos… Eles dizem que devemos parar de comer carne porque os bichinhos são fofinhos.

    Mas quanto a viver bem sem carne… tenho lá minhas ressalvas… o homem só deu o salto evolutivo que deu porque começou a comer carne.,

  12. Mariana G. Ferreira

    Olá,

    Eu acho que esse assunto de comer carne ou não varia de pessoa a pessoa, cada um tem as suas prioridades. Toda minha família come carne e alguns primos me acham “boba” pq eu não como, eu jamais tentei convencer ninguém, estou aqui numa boa, mas é sempre bom se informar, em fontes confiáveis, a respeito de uma alimentação saudável, sobre a situação do mundo onde vivemos e, principalmente, sobre a degradação sem volta do meio ambiente. Por exemplo, para a criação de gado utiliza-se mais de 1000 litros de água e muitos terrenos são devastados e se tornam posteriormente inférteis após a criação de cereias e grãos para a confecção de ração bovina, grãos e cereais esses que poderiam ajudar a saciar a fome de alguém que precisa. Bem, é apenas uma opinião, mas existem boas razões para argumentar esse assunto. Eu mesma ainda preciso aprender muito, agora se a pessoa não se importa com nada mesmo, o diálogo fica prejudicado…

    Não entendi qual evolução chegamos comendo carne, se possível gostaria que o Eduardo me explicasse, numa boa, estamos aqui para aprender, não é?

    Até mais…

    Mariana.

  13. Eduardo

    Mariana, a evolução foi a seguinte: ao longo do tempo, a mudança na dieta dos hominídeos (de frugívoros para carnívoros) permitiu o consumo de proteínas e gorduras que levaram a um salto no desenvolvimento cerebral.

    Além disso, as elaboradas tarefas relacionadas à caça de grandes animais levaram ao desenvolvimento do raciocínio abstrato, como se fosse uma “ginástica para os neurônios”.

    Abraço e obrigado pela visita;

  14. Elielson

    O problema para se chegar ao vegetarianismo, não é ter pena do que se come.
    É livrar-se do medo de viver sem fazer o mal.
    É saber abrir os olhos para o que realmente está acontecendo.
    É saber que todo o sofrimento que lhe vem por alguns momentos, é apenas um efeito da responsabilidade não assumida.
    Que a causa de tudo que há de mal, é um subproduto de todo nosso ato de negligência e indiferença com a vida.
    Um quê de vingança por sentirmo-nos abandonados por algum Deus que não respeitamos ao fazer com os animais não possam ver em nossa superioridade o mesmo Deus de compaixão que desejamos para nosso entendimento universal.

  15. Elielson

    O problema para se chegar ao vegetarianismo, não é ter pena do que se come.
    É livrar-se do medo de viver sem fazer o mal.
    É saber abrir os olhos para o que realmente está acontecendo.
    É saber que todo o sofrimento que lhe vem por alguns momentos, é apenas um efeito da responsabilidade não assumida.
    Que a causa de tudo que há de mal, é um subproduto de todo nosso ato de negligência e indiferença com a vida.
    Um quê de vingança por sentirmo-nos abandonados por algum Deus que não respeitamos ao fazer com que os animais não possam ver em nossa superioridade o mesmo Deus de compaixão que desejamos para nosso entendimento universal.

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