Publicado por: Eduardo em: 24 Setembro 2008
Diz o Monthiel: “precisamos dizer não ao desmatamento da Amazônia”. Já é lugar-comum. Quase todo mundo se junta a esse coro, até os direitistas desalmados e tão odiados pelo Ivalino.
A novidade (ou nem tão novidade assim, pois muita gente já disse isso, inclusive eu mesmo), o fato quase nunca mencionado é que boa parte da culpa pela falta de conscientização ecológica da população é dos próprios ecologistas, que poderiam aprender um pouco com os direitistas se prestassem mais atenção neles e nas coisas que fazem para dominar o mundo.
Aos olhos da maioria das pessoas, o que é ecologia? Uma filosofia riponga defendida pelos mesmos caras barbudos que exigem a liberação da maconha. Coisa de hippie e/ou de filho-de papai que quer chamar a atenção. A culpa é de quem? Dos ecologistas, que não sabem se organizar decentemente ou apresentar ao mundo a importância da sua pauta. Devemos salvar a Amazônia por amor aos bichinhos? Devemos parar o efeito estufa por peninha dos pobres ursinhos polares? Devemos parar de usar petróleo porque os CEO’s das companhias petrolíferas são ricos malvados? Não.
Devemos preservar a natureza e construir um modelo de desenvolvimento sustentável por uma questão econômica (a parte que fala no fim do mundo também é verdade, mas não adianta dizer isso aos capitalistas, pois eles destruiriam o universo se fosse pra ganhar mais uns bilhões). Não por acaso, ecologia e economia têm a mesma raiz: eco vem do grego óikos, que significa casa. Se a economia é saber administrar a casa, a ecologia é fazer um uso racional da casa. Ecologia e economia são irmãs.
A China, por exemplo, gastou (ou perdeu) em 2007 cerca de 5,8% do seu PIB devido a problemas provocados pela poluição. E 5,8% do PIB chinês é m-u-i-t-o dinheiro. Quem apresentou ao mundo essa estatística? O Greenpeace? Não, eles estão ocupados abalroando baleeiros e escalando chaminés. O dado foi alardeado pelo Grande Satã Banco Mundial.
A estratégia ecologista de propaganda deveria mostrar que reciclar é sinônimo de ganhar dinheiro (tanto para quem recicla quanto para quem compra matéria-prima reciclada), deveria mostrar que poluir é sinônimo de perder dinheiro, deveria mostrar as vantagens econômicas de uma empresa ser reconhecida como “Verde”, etc. Isso está sendo feito, em pequena escala, atualmente. Pelos ecologistas? Não. Pelos profissionais de marketing e administração. Os ecologistas estão ocupados se amarrando em árvores e distribuindo panfletos que serão jogados fora.
A mesma estratégia de convencimento deveria ser usada pelos Partidos Verdes para conquistar o eleitorado e para aprovar seus projetos. Chega de retórica hippie. A direita só domina o mundo porque é pragmática e sabe que o bolso é a parte mais sensível do corpo humano. É hora de os ecologistas deixarem de lado a rebeldia juvenil e assumirem uma postura pragmática e realista.
A outra opção é seguir depredando lojas do McDonalds e continuar sendo motivo de gozação e desprezo.
[...] linguagem sempre nos trai quando não escolhemos as palavras com cuidado. No post Chega de “Salve as Baleias”, por exemplo, dei a entender que só penso em dinheiro e estou pouco me lixando para a natureza, [...]
Muito bom seu post, sem dúvida contém muitas idéias úteis e bem mais produtivas que muitos ecologistas deveriam adotar.
Mas…veja uma coisa interessante, foi e é justamente do excesso de visão pragmática que surgiu o problema em primeiro lugar, precisamos ter pessoas de senso prático, certo, mas o mundo também precisa de pessoas meio “alienadas” que às vezes enxergam o essencial que escapa aos “pragmáticos”…acho que é uma questão de “ter pés no chão” e “sonhar”, precisamos de um equilíbrio entre ambos.
Abraço.
26 Setembro 2008 às 2:04 pm
Eduardo, nem oito nem oitenta. As baleias precisam de proteção ,sim, isto é fato. Quanto aos interesses econômicos, penso que chegamos a um ponto na trajetória do Planeta que, toda ação, seja ela por que interesse for, que tenha como conseqüência a preservação ambiental, é bem-vinda. Os lucros aumentam, os custos são reduzidos? Sim, e daí? A natureza lucra e as futuras gerações também.