MEC estuda aumentar o número de dias do ano de 365 para 400

[Novo post em eduardonunes.org]

Saiu ontem a notícia (para ler, clique aqui) de que o ministro da Educação, Fernando Haddad, quer aumentar o número de dias do ano letivo de 200 para 220.

A ideia parece ser: quanto mais tempo a criança passa na sala de aula, mais ela aprende – o que é uma grande falácia, pois o importante não é quanto tempo se passa na escola, e sim o que se faz lá.

Quando eu entrei, como aluno… [para continuar lendo, clique aqui]

All that we can do is just survive…

Não consigo ouvir o álbum Grace Under Pressure, do Rush, sem criar na minha cabeça um cenário pós-apocalíptico. O disco foi lançado em 1984, um ano carregado de significado, em que não vivíamos na Oceania orwelliana mas o temor de uma guerra nuclear entre americanos e soviéticos era uma poderosa pressão psicológica que inspirava cineastas, escritores e músicos.

Um ano antes, o filme O Dia Seguinte tinha acabado com o que restava de ingenuidade quanto às consequências de uma (na época, muito provável) guerra atômica.

Em Grace Under Pressure, o tema do holocausto nuclear foi tocado diretamente em Distant Early Warning, a faixa de abertura, e sugerido em outras canções do álbum.

Uma delas é Red Sector A, a minha preferida deste disco. A magnífica letra de Neil Peart (para ler, clique aqui), profética, fala de pessoas lutando para sobreviver em um campo de concentração, em tempo e lugar indeterminados. A obra não se baseia no futuro pós-apocalíptico da hecatombe nuclear, mas no passado não menos terrível do Holocausto nazista - mostrando que a possível tragédia do extermínio global não é nada mais que o prolongamento da tragédia que começa quando a vida deixa de ser preservada em qualquer nível.

Hoje, procurando por um clipe da música na internet, encontrei o vídeo abaixo, feito com trechos de um dos episódios (será o último? não lembro mais) de Band Of Brothers, em que os rapazes da Companhia Easy se deparam com um campo de concentração no coração do já decapitado Império Nazista.

Se antes eu sempre imaginava um cenário futurista para ilustrar a canção, hoje devo admitir que as imagens de época caíram como uma luva. É de arrepiar.

< Publicado originalmente no meu outro blogue, o Baú do Roque>

Seca? Que seca?

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Nos últimos dias, várias estradas gaúchas e catarinenses foram bloqueadas por agricultores que exigiam uma solução do governo para o problema da estiagem.

Sempre critiquei esse tipo de protesto, por acreditar que tais manifestações servem somente para atrair a antipatia de uma significativa parcela da população: os que são impedidos de se locomover.

Os meus reservatórios cerebrais de ira e cólera sempre têm suas comportas escancaradas quando fico preso no trânsito por causa de pessoas que pedem terras, de fanáticos que protestam contra o movimento de translação da terra ou de estudantes que exigem a socialização da propriedade dos outros.

Mas, depois deste nariz, ou melhor, desta tromba de cera, chamo a atenção dos meus cinco leitores para um fato ligeiramente embasbacante:

METADE dos municípios gaúchos está em situação de emergência devido à seca. E isso no Estado que

a) tem uma das maiores concentrações de água doce por quilômetro quadrado do Brasil e

b) sempre teve na agropecuária um dos alicerces da sua economia.

Alguém poderia alegar que se trata de um fenômeno natural, que vivemos um período de mudanças climáticas e que não temos cojones suficientes para digladiar de igual para igual com a Mãe Natureza.

Mas cabe lembrar que a estiagem que enfrentamos não é um fenômeno isolado e repentino. pelo que posso lembrar, o RS passa por secas anuais há pelo menos uma década. Todo ano é a mesma lengalenga: agricultores perdem a produção, jornais do centro do país publicam fotos de açudes gaúchos com os leitos esturricados à mostra, as prefeituras decretam situação de emergência, até que começa a estação chuvosa e todos esquecem a estiagem – pelo menos, até que ela recomece seis meses depois.

Poha, será que ninguém se deu conta de que a estiagem já faz parte do nosso calendário?

E o que mais estarrece é que o problema não está na quantidade de água que o bom São Pedro despeja sobre a sua província, mas sim na distribuição dessas chuvas ao longo do ano. Mesmo nos anos das mais terríveis secas, sempre temos chuvaradas abundantes no outono e no inverno. Para onde vai toda essa água?

Por que diabos ninguém criou, ainda, um sistema de captação, armazenamento e distribuição capaz de abranger toda a região que comumente é afetada pela seca?

Será que o investimento necessário é maior que os prejuízos de uma década inteira de safras debilitadas?

Quando a governadora Yeda, recém empossada, anunciou a criação de uma secretaria exclusivamente dedicada ao enfrentamento da seca, eu, que não votei nela, comemorei e disse: “Finalmente alguém se deu conta.”

Três anos depois, o que fez a secretaria de Irrigação?

O que ouço é que o estrago provocado na economia do RS pela falta de chuva em 2009 já supera R$ 1,7 bilhão.

Nada que preocupe. Tá começando a chover de novo. Voltamos a falar sobre seca em 2010. Até lá…

Google evolucionista

Legal o logo de hoje do Google:

imagem IDA

Uma referência a Ida, o fóssil encontrado na Alemanha e que está sendo chamado de “elo perdido”, ou seja, o vínculo evolutivo que faltava para provar que nós e os macacos descendemos do mesmo animal.

Apesar de todos os esforços dos políticos para provar que o nosso ancestral era um verme marinho, parece que o Darwin estava certo.

AdSense Fail

E parece que o único alvo atingido pelo míssil norte-coreano foi o desconfiômetro do Google AdSense.

Observe o título do texto do Huffington Post:

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Pois bem.

Observe o anúncio que o AdSense selecionou para este post:

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E aí? Neste climão de paz, alguém está disposto a desfrutar das maravilhas da rede hoteleira da Coreia do Norte?

Como a Coreia do Norte pode salvar o Capitalismo

Ninguém costuma dizer em voz alta, mas o Capitalismo foi salvo pela Segunda Guerra Mundial.

Imagine quanta comida, quanta roupa, quantos veículos (aéreos, terrestres e aquáticos), quanto combustível, quantas armas, quanta munição, quantos pôsteres da Rita Hayworth foram necessários para manter todos aqueles soldados.

A maioria dessas coisas saía de fábricas, minas e fazendas nos EUA. Imagine quantos empregos  gerados, quantos lucros para as fábricas, quanto consumo interno motivado por tanta gente empregada e recebendo. Imagine o aumento das importações dos EUA, para manter esse titânico parque industrial funcionando. Um upgrade e tanto numa economia que tinha sido arrasada em 1929 e vinha crescendo tropegamente desde que Roosevelt aplicou as ideias de Keynes com seu New Deal.

Agora, a crise se repete (guardadas as proporções), a recessão mundial se anuncia e a Coreia do Norte ameaça a todos com uma guerra.

É claro que a Coreia do Norte, essa patética  monarquia absolutista que usa o santo nome de Marx em vão, não chega aos pés da Alemanha nazista ou do Japão de Tojo. Mas um país com um exército de 1,2 milhão de homens e algumas bombas atômicas no paiol não pode ser esmagado sem uma briga demorada.

Será que Obama resistirá à tentação de alavancar a economia às custas de alguns milhares ou milhões de coreanos mortos?

A salvação

E o advogado do Fritzl pensou numa ótima maneira de salvar a pele do seu cliente:

Pediu que os jurados fossem “objetivos” e não se deixassem levar pela emoção na hora do veredito.

O problema (para Fritzl) é que ser objetivo é, nesse caso, muito pior:

- mais de mil estupros

- cárcere privado

- participação na morte de um dos filhos

- sabe-se lá quantos outros crimes.

A prisão perpétua saiu barato. Um tipo desses precisa ser confinado ad eternum ou vaporizado – pelo bem do que ainda resta de humano em nós.

Como são burros os nossos sindicalistas

yeda

Os sindicalistas gaúchos são mesmo muito burros. São de uma estupidez tão gritante que conseguem agir estupidamente até quando têm uma ideia genial. Um exemplo disso foi amplamente divulgado ontem: um protesto nada convencional contra a governadora do RS, Yeda Crusius.

Durante vários dias, os cidadãos porto-alegrenses viram provocantes outdoors espalhados pela cidade. Os cartazes continham um rosto desfigurado e a seguinte mensagem: “Dia 12, descubra o a face da destruição no Estado”, ou algo parecido. É desnecessário dizer que tal campanha atiçou a curiosidade dos cidadãos e motivou intensos debates sobre a autoria do protesto e sobre quem seria o “dono” do rosto exibido nos outdoors.

Well, o dia 12 chegou e as suspeitas de muitos foram confirmadas: era uma campanha contra a governadora Yeda Crusius, capitaneada pelo Cpers (sindicato dos professores) e outras entidades sindicais ligadas aos servidores estaduais. E é aqui que eu repito: que gente burra!

Sempre fui um crítico das greves e de manifestações do estilo “Vamos trancar o trânsito”. Sou contrário a esses métodos de reivindicação unicamente porque eles não funcionam mais e, ao invés de angariar simpatizantes para a causa, aumentam a rejeição ao movimento.

O Ivalino vai discordar, mas manifestações a la 68 perderam o sentido, pelo menos no Brasil, e especialmente quando envolvem servidores públicos. Pergunte ao cidadão comum o que ele pensa de funcionários públicos que paralisam serviços essenciais ou que interrompem o fluxo de veículos. Por mais nobre que seja a causa (e ela é), ninguém gosta de ficar em filas, de perder tempo ou de ficar parado no trânsito. Por isso, a população se volta, via de regra, contra os grevistas e não contra o governo.

Defendo formas mais criativas e conscientizadoras de reivindicação. Uma destas possibilidades foi explorada (muito mal) no protesto contra a governadora. A ideia em si é genial: outdoors com teasers, exibidos por vários dias consecutivos, culminando num grande ato em que o sentido da campanha é revelado.

Seria um protesto com consequências muitíssimo benéficas para todos, se os responsáveis pelo movimento não tivessem estragado tudo. Lendo (por exemplo, em comentários nesta matéria) ou ouvindo as reações dos cidadãos à manifestação, percebemos o quão tolos são os organizadores da campanha, que desperdiçaram uma ótima chance de serem vistos e ouvidos.

O que aparece no outdoor?
O rosto de Yeda, acompanhado da frase Esta é a face da destruição do Estado. Este foi um erro crasso. O que diz, de concreto, esta frase? Nada. N-a-d-a. É uma acusação infantil, raivosa e maniqueísta, tão típica dos gaúchos. Algo do tipo “Somos contra a Yeda porque ela é feia, boba e malvada”. Isso é absurdo.

No RS, um Estado profundamente marcado pela polarização, frases do tipo devem ser evitadas ao extremo. Qualquer coisa que dê margem à vitimização do oponente deve ser descartada. Agora, muitíssimos acusam os sindicatos de promover ataques gratuitos, pessoais, ofensivos. Os manifestantes conseguiram transformar em vítima o alvo do seu protesto.

Graças à burrice dos líderes sindicais, as pessoas esqueceram o conteúdo do protesto (bem, os próprios autores da campanha esqueceram), para se concentrar na forma.

O que deveria estar no outdoor?

Todos sabem que não se poderia colocar o rosto de uma única pessoa no cartaz – que os culpados pela “destruição” do RS são muitos. Personalizar a campanha é um desastre para os resultados visados. Ao invés desta acusação raivosa e desta frase-lema que nada diz, por que não expor a pauta de reivindicações nos outdoors, de forma criativa?

Por exemplo, Yeda se orgulha de ter acabado com o déficit do Estado. Por que não explorar isso na campanha? Dizendo, por exemplo, que a governadora conseguiu zerar o déficit fazendo coisas como fechar 105 escolas estaduais. Repetindo: a mulher fechou 105 escolas estaduais. Por que não dizer que os professores estaduais ganham menos de R$ 500 por mês, um dos salários mais baixos do Brasil? Por que não dizer que Yeda fez campanha contra o aumento do piso dos professores e, em seguida, aprovou um aumento de 143% para si mesma, sem contar o aumento dos secretários estaduais?

Por que não dizer à população que os professores são obrigados a aprovar alunos sem condições, só para manter em alta os índices? Por que não dizer que os policiais gaúchos arriscam a vida pelo salário mais baixo do Brasil? Por que não dizer que há batalhões da Brigada Militar que contam com apenas uma viatura para patrulhar vários bairros, e que essa viatura nem sempre funciona?

Outros rostos

Outro problema da personalização do protesto é que… Yeda não é a única culpada. Que outros rostos poderiam aparecer nos outdoors? Que tal os dos governadores anteriores, que pouco ou nada fizeram pelos servidores estaduais? Que tal os rostos dos governadores que quebraram o Estado? Que tal os rostos dos servidores estaduais que ganham super-salários? Ou os rostos dos que desviam recursos públicos impunemente? Que tal os rostos dos idealizadores e apoiadores do Instituto de Previdência do Estado, um saco sem fundo cheíssimo de gaiatos mamando tranquilamente nas gordas tetas governamentais?

Por que não colocar também os rostos de Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula? Eles e suas equipes também são culpados por muitas mazelas da Educação. Lula, por exemplo, se orgulha dos índices educacionais brasileiros, mas os professores sabem que mais da metade dos alunos que saem do Ensino Fundamental são analfabetos funcionais.

O que quero dizer é que a questão da “destruição” do Estado é muito mais ampla do que a guerra pessoal contra Yeda, e não se resolve com acusações infantis do tipo “ela é a culpada por tudo.”

Mais uma vez, nada muda.

Que papelão.