Publicado por: Eduardo em: 30 Junho 2009
Este blogueiro, que agora tem casa própria, mudou-se para o seguinte endereço:
eduardonunes.org
…e aguarda sua visita.
Publicado por: Eduardo em: 29 Maio 2009

Nos últimos dias, várias estradas gaúchas e catarinenses foram bloqueadas por agricultores que exigiam uma solução do governo para o problema da estiagem.
Sempre critiquei esse tipo de protesto, por acreditar que tais manifestações servem somente para atrair a antipatia de uma significativa parcela da população: os que são impedidos de se locomover.
Os meus reservatórios cerebrais de ira e cólera sempre têm suas comportas escancaradas quando fico preso no trânsito por causa de pessoas que pedem terras, de fanáticos que protestam contra o movimento de translação da terra ou de estudantes que exigem a socialização da propriedade dos outros.
Mas, depois deste nariz, ou melhor, desta tromba de cera, chamo a atenção dos meus cinco leitores para um fato ligeiramente embasbacante:
METADE dos municípios gaúchos está em situação de emergência devido à seca. E isso no Estado que
a) tem uma das maiores concentrações de água doce por quilômetro quadrado do Brasil e
b) sempre teve na agropecuária um dos alicerces da sua economia.
Alguém poderia alegar que se trata de um fenômeno natural, que vivemos um período de mudanças climáticas e que não temos cojones suficientes para digladiar de igual para igual com a Mãe Natureza.
Mas cabe lembrar que a estiagem que enfrentamos não é um fenômeno isolado e repentino. pelo que posso lembrar, o RS passa por secas anuais há pelo menos uma década. Todo ano é a mesma lengalenga: agricultores perdem a produção, jornais do centro do país publicam fotos de açudes gaúchos com os leitos esturricados à mostra, as prefeituras decretam situação de emergência, até que começa a estação chuvosa e todos esquecem a estiagem – pelo menos, até que ela recomece seis meses depois.
Poha, será que ninguém se deu conta de que a estiagem já faz parte do nosso calendário?
E o que mais estarrece é que o problema não está na quantidade de água que o bom São Pedro despeja sobre a sua província, mas sim na distribuição dessas chuvas ao longo do ano. Mesmo nos anos das mais terríveis secas, sempre temos chuvaradas abundantes no outono e no inverno. Para onde vai toda essa água?
Por que diabos ninguém criou, ainda, um sistema de captação, armazenamento e distribuição capaz de abranger toda a região que comumente é afetada pela seca?
Será que o investimento necessário é maior que os prejuízos de uma década inteira de safras debilitadas?
Quando a governadora Yeda, recém empossada, anunciou a criação de uma secretaria exclusivamente dedicada ao enfrentamento da seca, eu, que não votei nela, comemorei e disse: “Finalmente alguém se deu conta.”
Três anos depois, o que fez a secretaria de Irrigação?
O que ouço é que o estrago provocado na economia do RS pela falta de chuva em 2009 já supera R$ 1,7 bilhão.
Nada que preocupe. Tá começando a chover de novo. Voltamos a falar sobre seca em 2010. Até lá…
Publicado por: Eduardo em: 20 Maio 2009
Legal o logo de hoje do Google:

Uma referência a Ida, o fóssil encontrado na Alemanha e que está sendo chamado de “elo perdido”, ou seja, o vínculo evolutivo que faltava para provar que nós e os macacos descendemos do mesmo animal.
Apesar de todos os esforços dos políticos para provar que o nosso ancestral era um verme marinho, parece que o Darwin estava certo.
Publicado por: Eduardo em: 5 Abril 2009
E parece que o único alvo atingido pelo míssil norte-coreano foi o desconfiômetro do Google AdSense.
Observe o título do texto do Huffington Post:

Pois bem.
Observe o anúncio que o AdSense selecionou para este post:

E aí? Neste climão de paz, alguém está disposto a desfrutar das maravilhas da rede hoteleira da Coreia do Norte?
Publicado por: Eduardo em: 27 Março 2009

Ninguém costuma dizer em voz alta, mas o Capitalismo foi salvo pela Segunda Guerra Mundial.
Imagine quanta comida, quanta roupa, quantos veículos (aéreos, terrestres e aquáticos), quanto combustível, quantas armas, quanta munição, quantos pôsteres da Rita Hayworth foram necessários para manter todos aqueles soldados.
A maioria dessas coisas saía de fábricas, minas e fazendas nos EUA. Imagine quantos empregos gerados, quantos lucros para as fábricas, quanto consumo interno motivado por tanta gente empregada e recebendo. Imagine o aumento das importações dos EUA, para manter esse titânico parque industrial funcionando. Um upgrade e tanto numa economia que tinha sido arrasada em 1929 e vinha crescendo tropegamente desde que Roosevelt aplicou as ideias de Keynes com seu New Deal.
Agora, a crise se repete (guardadas as proporções), a recessão mundial se anuncia e a Coreia do Norte ameaça a todos com uma guerra.
É claro que a Coreia do Norte, essa patética monarquia absolutista que usa o santo nome de Marx em vão, não chega aos pés da Alemanha nazista ou do Japão de Tojo. Mas um país com um exército de 1,2 milhão de homens e algumas bombas atômicas no paiol não pode ser esmagado sem uma briga demorada.
Será que Obama resistirá à tentação de alavancar a economia às custas de alguns milhares ou milhões de coreanos mortos?
Publicado por: Eduardo em: 20 Março 2009

E o advogado do Fritzl pensou numa ótima maneira de salvar a pele do seu cliente:
Pediu que os jurados fossem “objetivos” e não se deixassem levar pela emoção na hora do veredito.
O problema (para Fritzl) é que ser objetivo é, nesse caso, muito pior:
- mais de mil estupros
- cárcere privado
- participação na morte de um dos filhos
- sabe-se lá quantos outros crimes.
A prisão perpétua saiu barato. Um tipo desses precisa ser confinado ad eternum ou vaporizado – pelo bem do que ainda resta de humano em nós.
Publicado por: Eduardo em: 14 Fevereiro 2009
E o Brasil está prestes a conseguir fazer aquilo que nem Hitler tentou: entrar em guerra com a Suíça.
Publicado por: Eduardo em: 13 Fevereiro 2009

Os sindicalistas gaúchos são mesmo muito burros. São de uma estupidez tão gritante que conseguem agir estupidamente até quando têm uma ideia genial. Um exemplo disso foi amplamente divulgado ontem: um protesto nada convencional contra a governadora do RS, Yeda Crusius.
Durante vários dias, os cidadãos porto-alegrenses viram provocantes outdoors espalhados pela cidade. Os cartazes continham um rosto desfigurado e a seguinte mensagem: “Dia 12, descubra o a face da destruição no Estado”, ou algo parecido. É desnecessário dizer que tal campanha atiçou a curiosidade dos cidadãos e motivou intensos debates sobre a autoria do protesto e sobre quem seria o “dono” do rosto exibido nos outdoors.
Well, o dia 12 chegou e as suspeitas de muitos foram confirmadas: era uma campanha contra a governadora Yeda Crusius, capitaneada pelo Cpers (sindicato dos professores) e outras entidades sindicais ligadas aos servidores estaduais. E é aqui que eu repito: que gente burra!
Sempre fui um crítico das greves e de manifestações do estilo “Vamos trancar o trânsito”. Sou contrário a esses métodos de reivindicação unicamente porque eles não funcionam mais e, ao invés de angariar simpatizantes para a causa, aumentam a rejeição ao movimento.
O Ivalino vai discordar, mas manifestações a la 68 perderam o sentido, pelo menos no Brasil, e especialmente quando envolvem servidores públicos. Pergunte ao cidadão comum o que ele pensa de funcionários públicos que paralisam serviços essenciais ou que interrompem o fluxo de veículos. Por mais nobre que seja a causa (e ela é), ninguém gosta de ficar em filas, de perder tempo ou de ficar parado no trânsito. Por isso, a população se volta, via de regra, contra os grevistas e não contra o governo.
Defendo formas mais criativas e conscientizadoras de reivindicação. Uma destas possibilidades foi explorada (muito mal) no protesto contra a governadora. A ideia em si é genial: outdoors com teasers, exibidos por vários dias consecutivos, culminando num grande ato em que o sentido da campanha é revelado.
Seria um protesto com consequências muitíssimo benéficas para todos, se os responsáveis pelo movimento não tivessem estragado tudo. Lendo (por exemplo, em comentários nesta matéria) ou ouvindo as reações dos cidadãos à manifestação, percebemos o quão tolos são os organizadores da campanha, que desperdiçaram uma ótima chance de serem vistos e ouvidos.
O que aparece no outdoor?
O rosto de Yeda, acompanhado da frase Esta é a face da destruição do Estado. Este foi um erro crasso. O que diz, de concreto, esta frase? Nada. N-a-d-a. É uma acusação infantil, raivosa e maniqueísta, tão típica dos gaúchos. Algo do tipo “Somos contra a Yeda porque ela é feia, boba e malvada”. Isso é absurdo.
No RS, um Estado profundamente marcado pela polarização, frases do tipo devem ser evitadas ao extremo. Qualquer coisa que dê margem à vitimização do oponente deve ser descartada. Agora, muitíssimos acusam os sindicatos de promover ataques gratuitos, pessoais, ofensivos. Os manifestantes conseguiram transformar em vítima o alvo do seu protesto.
Graças à burrice dos líderes sindicais, as pessoas esqueceram o conteúdo do protesto (bem, os próprios autores da campanha esqueceram), para se concentrar na forma.
O que deveria estar no outdoor?
Todos sabem que não se poderia colocar o rosto de uma única pessoa no cartaz – que os culpados pela “destruição” do RS são muitos. Personalizar a campanha é um desastre para os resultados visados. Ao invés desta acusação raivosa e desta frase-lema que nada diz, por que não expor a pauta de reivindicações nos outdoors, de forma criativa?
Por exemplo, Yeda se orgulha de ter acabado com o déficit do Estado. Por que não explorar isso na campanha? Dizendo, por exemplo, que a governadora conseguiu zerar o déficit fazendo coisas como fechar 105 escolas estaduais. Repetindo: a mulher fechou 105 escolas estaduais. Por que não dizer que os professores estaduais ganham menos de R$ 500 por mês, um dos salários mais baixos do Brasil? Por que não dizer que Yeda fez campanha contra o aumento do piso dos professores e, em seguida, aprovou um aumento de 143% para si mesma, sem contar o aumento dos secretários estaduais?
Por que não dizer à população que os professores são obrigados a aprovar alunos sem condições, só para manter em alta os índices? Por que não dizer que os policiais gaúchos arriscam a vida pelo salário mais baixo do Brasil? Por que não dizer que há batalhões da Brigada Militar que contam com apenas uma viatura para patrulhar vários bairros, e que essa viatura nem sempre funciona?
Outros rostos
Outro problema da personalização do protesto é que… Yeda não é a única culpada. Que outros rostos poderiam aparecer nos outdoors? Que tal os dos governadores anteriores, que pouco ou nada fizeram pelos servidores estaduais? Que tal os rostos dos governadores que quebraram o Estado? Que tal os rostos dos servidores estaduais que ganham super-salários? Ou os rostos dos que desviam recursos públicos impunemente? Que tal os rostos dos idealizadores e apoiadores do Instituto de Previdência do Estado, um saco sem fundo cheíssimo de gaiatos mamando tranquilamente nas gordas tetas governamentais?
Por que não colocar também os rostos de Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula? Eles e suas equipes também são culpados por muitas mazelas da Educação. Lula, por exemplo, se orgulha dos índices educacionais brasileiros, mas os professores sabem que mais da metade dos alunos que saem do Ensino Fundamental são analfabetos funcionais.
O que quero dizer é que a questão da “destruição” do Estado é muito mais ampla do que a guerra pessoal contra Yeda, e não se resolve com acusações infantis do tipo “ela é a culpada por tudo.”
Mais uma vez, nada muda.
Que papelão.
Publicado por: Eduardo em: 25 Janeiro 2009
O David Coimbra escreveu, semana passada, um artigo interessante, reclamando o direito de criticar os professores por ser o seu patrão. Nem é preciso dizer que o texto e o autor foram violentamente atacados por educadores, sindicalistas e outros funcionários públicos.
Acontece que o David tem razão. Ele, eu e todos os demais cidadãos somos patrões dos funcionários públicos e ocupantes de cargos públicos. Não patrões no sentido marxista do termo, mas patrões no sentido de “aqueles que pagam o salário e para quem o serviço deve ser bem feito”.
O maniqueísmo é phoda. Os professores estão entre as categorias que se consideram à prova de críticas. Experimente criticar um professor, e prepare-se para ouvir torrentes de impropérios de proporções bíblicas.
Já que o David, que é patrão, foi julgado por muitos inepto para tratar do tema, eu, que sou professor E patrão dos professores, acredito possuir a legitimidade necessária para falar sobre.
Sim, os professores ganham mal, não recebem suporte, não incentivo para se aperfeiçoar, são obrigados a trabalhar em péssimas condições e precisam passar, todos os anos, pela humilhação de ter que aprovar semi-analfabetos (para quem não sabe, os índices de reprovação só são tão baixos porque as secretarias de Educação obrigam seus professores a aprovar quase todo mundo).
Mas será que ganhar mal é justificativa e escusa para qualquer tipo de comportamento?
Conheço professores que faltam quase uma vez por semana (e põem a culpa nos baixos salários). Meu pai, operário e funcionário da iniciativa privada, ganha ainda menos e nunca falta – porque perde o emprego, se faltar.
Todo trabalhador presta contas do seu trabalho aos superiores – menos os professores da rede pública. Um professor de escola municipal ou estadual é senhor da própria práxis. Ninguém lhe pergunta o que ele faz na sala de aula.
Com o achatamento dos salários, tem caído muito o nível dos professores, de sorte que há muitos educadores despreparados, com sérias lacunas na formação (principalmente no domínio da língua portuguesa) dando aula e recebendo salários pagos pelos contribuintes.
O Ivalino, certamente, vai me atacar duramente e dizer que estou jogando a culpa de todos os problemas da educação nos professores, que, segundo ele, são as maiores vítimas.
Não estou, Iva. Sou um dos maiores críticos das políticas educacionais e da falta de incentivo e suporte aos educadores.
Mas, como trabalhador da educação, sei muito bem que há bons e maus professores. E o número de membros desta última categoria é, infelizmente, cada vez maior.
Publicado por: Eduardo em: 23 Janeiro 2009
CENA 1
Ephraim, judeu, e Mohammed, muçulmano, morrem no mesmo dia e vão para o Céu. Ambos se encontram na sala de espera do Paraíso.
EPHRAIM: Você por aqui?
MOHAMMED: Era isso que eu ia dizer, mas em relação a você! Alá é mesmo misericordioso. Quem poderia imaginar? Um judeu no Paraíso!
EPHRAIM: Deve haver algum engano. Essa deve ser apenas a sala de triagem. Daqui a pouco você será mandado para o seu lugar.
MOHAMMED: Impossível. Vou para o Paraíso. Morri como um herói na guerra contra os infiéis. Mal vejo a hora de mergulhar no rio de vinho. Onde será que estão as minhas virgens?
EPHRAIM: Como foi que você morreu?
MOHAMMED: Amarrei uns explosivos na cintura e explodi um ônibus em Jerusalém. Pena que estava vazio. Eu ia descer e embarcar em outro, mas a bomba detonou sozinha.
EPHRAIM: Então foi você, seu miserável! Eu era o motorista daquele ônibus!
MOHAMMED: Bem, agora é tarde pra lamentar.
Nesse momento, um anjo aparece no guichê
ANJO: Os papéis foram liberados. Vocês já podem entrar para ver o chefe.
CENA 2
Eles entram num vestíbulo de luz e se prostram imediatamente. A luz se apaga e um menino está diante deles. Eles levantam a cabeça.
EPHRAIM: Ahn?
MOHAMMED: Ahn?
DEUS: Sim, eu sei. Eu sempre causo essa impressão.
MOHAMMED: Alá?
EPHRAIM: Javé?
DEUS: Nenhum dos dois. Podem me chamar de Júpiter. E fiquem de pé, por favor. Vocês não precisam mais disso. Aliás, nunca precisaram. Não fui eu que inventei essa moda.
EPHRAIM: Então, o vosso nome é… Júpiter?
DEUS: Não. Mas esse é um nome sonoro, poderoso, vocês não acham?
MOHAMMED: Alá, digo, Júpiter, podeis dizer o que faz esse infiel no Paraíso?
EPHRAIM: Era justamente essa a pergunta que eu ia fazer, meu Senhor.
DEUS: No Céu não existe apartheid. E na Terra também não deveria haver. Vocês entenderam tudo errado.
MOHAMMED: Mas Al…, digo, Júpiter, e o Corão? E o Profeta?
EPHRAIM: E a Torá? E os profetas?
DEUS: Um bando de falastrões que achavam que podiam ser meus porta-vozes. Se bem que os livros sagrados de vocês têm algumas passagens engraçadas… Mas não estamos aqui pra discutir Literatura. Antes de mais nada, vocês precisam de um bom puxão de orelhas. Que história é essa de ficarem se matando?
EPHRAIM: Senhor, aquela é a nossa terra! A Terra Prometida! Vós a destes aos nossos antepassados. É nosso dever defendê-la dos gentios.
MOHAMMED: Idem, Senhor.
DEUS: Eu já estou ficando cansado de ouvir essas besteiras. Como escreveu o Michael Moore, vocês acham que eu daria aquela terra a alguém? Aquilo é só um monte de areia e pedregulhos! Eu nunca dei terra alguma a povo nenhum, e nunca tive preferência por este ou aquele povo.
EPHRAIM: Mas Senhor, e toda a ajuda que vós destes ao povo hebreu ao longo da História? A fuga do Egito, o Mar se abrindo, as Muralhas de Jericó, a força de Sansão, Davi matando Golias…
DEUS: Lendas, lendas. Eu não me meto nas suas guerras. Os seus líderes é que fingem estar lutando em meu nome, quando na verdade lutam por poder. E por dinheiro.
MOHAMMED: E a guerra santa? E a promessa de salvação a quem morrer em defesa da fé?
EPHRAIM: E a vinda do Messias?
DEUS: Lamento dizer, mas vocês caíram no conto do vigário. Ou melhor, no conto do rabino e do mulá. Mas agora é tarde pra falar disso. Vocês passaram a vida inteira evitando a carne de porco, as bebidas fermentadas, seguindo leis inventadas pelos homens, mas agora estão livres. Aproveitem a estada no Céu. Vocês terão a eternidade inteira pra aprender a se gostar.
EPHRAIM: Senhor, posso fazer uma última pergunta? Uma pergunta que eu sempre quis fazer?
DEUS: É claro que pode, embora eu já saiba o que você vai perguntar.
EPHRAIM: Qual é o sentido da vida?
DEUS : Quem foi que disse que ela tem que ter um sentido?
[Publicado originalmente em 2006, no meu blogue antigo. Mas, infelizmente, ainda atual]
Publicado por: Eduardo em: 20 Janeiro 2009

— Pai, qual é o motivo dessa guerra?
— Filho, Israel atacou Gaza para que o Hamas pare de atacar Israel.
— Por que o Hamas ataca Israel?
— Porque os palestinos odeiam os judeus.
— E por que os palestinos odeiam os judeus?
— Porque os israelenses fazem coisas que eles não gostam, como cercar a terra dos palestinos, obrigá-los a ficar em filas e matar alguns deles.
— E agora, com essa guerra, os palestinos deixaram de odiar os judeus?
— Na verdade, acho que eles odeiam mais ainda.
— Mas, então…
— Filho, pare de fazer perguntas, que o papai quer prestar atenção no Jornal Nacional.
Publicado por: Eduardo em: 16 Janeiro 2009

Tenho a estranha mania de só indicar livros e filmes depois que todo mundo já leu/assistiu.
Por exemplo, só ontem consegui ver Ensaio Sobre a Cegueira, filme dirigido pelo Fernando Meirelles e baseado em um romance do José Saramago, que, aliás, é um quase-blogueiro (explicações aqui).
Ler um livro do Saramago é um dos meus projetos para a aposentadoria. Já ouvi falar sobre todos eles, mas ainda não arranjei tempo para ler. Logo, peguei o filme na locadora pelo Meirelles, um dos meus diretores preferidos, e não pelo Saramago, que, diga-se de passagem, ouvi no Fórum Social Mundial e achei um chatolino de marca maior.
Tratemos do filme: é um soco no estômago.
Assim como Dogville, é uma metáfora da condição humana, que mostra o que nós temos de pior – como se a nossa sociedade fosse colocada diante de um espelho capaz de mostrar detalhes de nós mesmos que antes nos passavam despercebidos.
No filme de Meirelles, uma epidemia de cegueira atinge os habitantes de uma grande cidade. A princípio, os cegos são jogados em um sanatório abandonado e se obrigam a criar uma sociedade própria. Nem é preciso dizer que o pior acontece, pois os seres humanos são sempre seres humanos – mesmo cegos.
Moral da história: estamos tão acostumados à nossa própria cegueira, que não nos damos conta da nossa condição de cegos. A sociedade mostrada no filme não é a de cegos num sanatório; é a nossa.
Uma dica para as três pessoas que ainda não viram o filme: vejam.
Publicado por: Eduardo em: 15 Janeiro 2009

E começou tudo de novo.
Tão insuportáveis quanto o BBB, o Bial e os imbecis que participam e assistem, são as milhares de críticas que se fazem ao programa todos os anos.
Falar mal do BBB já virou lugar comum (putz, aqui tem hífen ou não?), além de ser “pregação para já convertidos”, como diz o Hisham. Quem gosta do programa vai me achar um nerd-moralista-que-nã0-come-ninguém e continuar assistindo. Quem não gosta vai dizer “é isso aí!”, mas também vai continuar assistindo, só pra ter o que criticar.
É isso aí, nada muda.
Para os que, ainda assim, querem que o Bial e seus cupinchas sejam linchados verbalmente, peço que se contentem com posts do ano passado. A data não importa, já que a merda é sempre a mesma.
Publicado por: Eduardo em: 14 Janeiro 2009
Belo cartum, que encontrei no blogue do Jean Scharlau:

Publicado por: Eduardo em: 13 Janeiro 2009

Às vezes (no sentido de “quase sempre”), sou tão rabugento que me sinto o próprio Harvey Pekar. Especialmente quando estou numa fila.
Um caso clássico é o da fila da rodoviária. Eu, que sou um brasileiro atípico, só vou à rodoviária quando já sei para onde quero ir, a que horas sai o ônibus e quanto custa a passagem. Logo, o tempo que passo no guichê é mínimo, dependendo da morosidade do atendente.
Mas há pessoas que, diante do referido guichê, parecem não saber a resposta às perguntas “Para onde?” e “Quando?” É tão longo o tempo que demoram para comprar uma passagem, que parece que elas decidem na hora o destino, dado o número de perguntas que fazem para o atendente.
Algumas travam longos diálogos com o vendedor, antes de se decidirem pela compra, e é aí que eu, prestes a ter um ataque cardíaco de raiva, empreendo um esforço kantiano para imaginar que assunto alguém poderia ter com um atendente de rodoviária. Por que diabos conversam tanto, e sobre o quê? Será que são velhos conhecidos que se encontraram por acaso? Por que não vão conversar em casa, liberando o guichê para pessoas que, como eu, realmente querem comprar uma passagem de ônibus?
Um problema ainda mais grave (e, aqui, não sou só eu o estressado, a julgar pela revolta na fila) é o dos supermercados do Grupo WalMart Brasil, proprietário das redes Nacional e Big, entre outras.
Quando estou em Porto Alegre, sempre evito entrar nesses supermercados, pois conheço o atendimento. Mas, quando estou em Gravataí, onde mora a minha namorada, não tenho alternativa a não ser enfrentar as compras no Big. Temos passado horas intermináveis lá dentro, e 90% desse tempo é ocupado com a deliciosa espera na fila do caixa.
Não que não haja caixas no Big. São dezenas, mas a maioria não funciona. Por algum motivo que foge à minha compreensão, o Grupo Wal-Mart acha que contratar pessoal é uma despesa desnecessária. É bem provável que essa seja a razão da diferença de poucos centavos nos preços: gastam menos com mão-de-obra e maltratam o cliente só para poderem dizer que cobram menos.
Além da falta de caixas funcionando, há algum sério problema no esquema de trabalho. A moça do caixa acende aquela luzinha piscante (para chamar a moça dos patins) a cada pagamento efetuado. É incrível! Se ela é chamada sempre, seria mais prático deixar uma moça de patins de plantão ao lado de cada caixa. Ou então substituir as moças dos caixas por moças de patins. Ou a caixa não tem troco, ou há algum problema na maquininha leitora de cartões, ou a rede caiu, ou há divergência entre o valor anunciado na gôndola e o do produto, etc.
Eles até criaram um sistema de “caixa rápido”, para compras de no máximo 30 (!!!) itens. Via de regra, esses caixas são mais demorados que os normais. A fila dá voltas no hipermercado.
Aí, eu acesso o site do grupo (já devidamente linkado, acima) e o slogan no cabeçalho diz: “Wal-Mart Brasil: vendemos por menos para as pessoas viverem melhor”, o que prova que, além do mau atendimento, o humor negro também é um dos pontos fortes da empresa.
Como disse o Kent Brockman no filme dos Simpsons, este blogue não apóia a justiça com as próprias mãos, a menos que dê certo.
Publicado por: Eduardo em: 6 Janeiro 2009
Até um porco capitalista pode dizer a verdade de vez em quando, para escândalo do Ivalino.
Uma das máximas liberais cujo sentido mais aprecio é “Não existe almoço grátis”. A frase explica perfeitamente um aspecto fundamental da natureza humana: a necessidade que temos de recompensas palpáveis pelo nosso esforço.
Apesar do que apregoam os comunistas de apartamento e os pedabobos nefelibatas pedagogos progressistas, não podemos basear um projeto de nação na boa vontade das pessoas.
Para começarmos a pensar em mudar a sociedade, temos que ser pragmáticos, seguir o bom exemplo de Hobbes e Maquiavel (sim, eles têm um lado bom) e tomar as coisas e as pessoas como são, não como deveriam ser. E as coisas são assim: as pessoas gostam de ser bem pagas, valorizadas e reconhecidas pelo seu trabalho, e é justamente por isso que os melhores cérebros do mercado estão nas empresas/instituições que sabem disso. Também é por isso, entre outros fatores, que a utopia socialista jamais deixará de ser uma utopia.
Isso nos leva a outro conceito liberal odiado pelos soi disant humanistas: a meritocracia. Desde crianças, nossos pais nos premiam quando fazemos as coisas certas e nos punem quando agimos mal. Nas poucas escolas que ainda ensinam alguma coisa, só é aprovado quem aprende. No vestibular, nos concursos públicos, nas seleções sérias de emprego, são escolhidos apenas os que obtêm os melhores resultados.
Na natureza, somente os espécimes mais adaptáveis, mais versáteis, mais astutos e/ou mais fortes conquistam o privilégio de passar seus genes adiante. Pombas, até o Deus dos cristãos é fã da meritocracia: só vão para os céu os que provarem que merecem.
Então, por que raios os comunistas de apartamento e pedagogos demonizam tanto o oferecimento de recompensas?
(Foi uma pergunta retórica. Depois da pausa para pensar, podemos voltar ao post)
Por que mesmo essa logorréia toda? Para compartilhar com meus seis leitores o meu estarrecimento ao ler esta notícia (isso é um link, Ane. Clique nas palavras sublinhadas em azul para ler o texto indicado): Começa a construção de casas da nova Vila Dique.
Como vocês bem sabem, o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, dá prosseguimento à desatrosa política petista, que funciona assim:
1) As vilas clandestinas surgem, ao natural, e tornam-se bolsões de miséria e criminalidade, muitas delas em bairros nobres.
2) Essas “comunidades” (falta muito para serem comunidades de verdade, mas isso é tema para outro post) tornam-se um problema que precisa ser resolvido.
3) A prefeitura, depois de muita conversa fiada, constrói belas e pitorescas casinhas populares, às vezes no mesmo lugar onde antes ficava a vila clandestina.
4) As casas são geralmente dadas (no sentido de doadas, presenteadas, entregues de mão beijada, grátis, de graça) aos moradores da ex-vila clandestina.
5) Dois anos depois, as casas originalmente tão bonitinhas estão depredadas, pichadas, desfiguradas por puxadinhos, algumas foram parar nas mãos de traficantes. Assim, as vilas populares acabam se tornando novamente bolsões de miséria e criminalidade (para ver um exempli gratia, clique aqui)
Dia desses, eu escrevi que preciso voltar para casa do trabalho em um carro da empresa, por causa da insegurança. Tudo porque existe, no trajeto, uma dessas vilas populares: a Vila Lupicínio Rodrigues, encravada no bairro Menino Deus. Os petistas acreditavam que, doando aos pobres belos sobradinhos com paredes de mosaico, suas vidas mudariam para sempre. Fogaça, pelo visto, também acredita.
Quem duvida da ineficácia dessa política, que experimente passar à noite próximo das vilas Planetário, Chapéu do Sol, Cidade de Deus e tantos outros belos exemplos de como não humanizar os menos favorecidos.
Primeiro: não basta dar casa aos pobres. A miséria também é cultural. Minha vizinha, assistente social, conta que já viu pessoas ganharem uma casa com banheiro sem saber usar uma privada. Resultado: um banheiro cheio de merda pelo chão. Também já viu janelas de madeira sendo usadas como lenha. A política habitacional, para funcionar, deve andar der mãos dadas com políticas educacionais, culturais, de emprego.
Segundo: as casas não podem, em hipótese alguma, ser dadas. Que espécie de lição as pessoas tiram disso? Como isso as educa? Assim, elas aprendem que não é preciso lutar pelas coisas, que a esmolagem é um estilo de vida, que basta ocupar um terreno baldio para ganhar uma casa de R$ 34,5 mil. Mesmo que se cobre R$ 5 por mês, ou a prestação de serviços comunitários, algum tipo de contrapartida deve ser exigido.
Vivemos num regime de divisão social de trabalho. Devemos educar as pessoas para a ajuda mútua, para a troca de valores materiais e simbólicos, e uma troca em que apenas um dos lados é beneficiado deixa de ser uma troca.
Eu tenho dois empregos e ainda não consegui comprar o meu apartamento. Isso me faz pegar uma bandeira e exigir que me deem uma casa de graça? Não, porque eu sei que não existe almoço grátis, e também sei que só serei recompensado se fizer por merecer.
Publicado por: Eduardo em: 1 Janeiro 2009
A perguntinha que não quer calar:
Será que conseguiremos aprender todas as mudanças ortográficas antes da próxima reforma?
Publicado por: Eduardo em: 31 Dezembro 2008

Devo ter sido a última pessoa do mundo a descobrir Os Mutantes – Caminhos do Coração, da Rede Record do Reino de Deus, e preciso confessar que estou viciado.
A novela já nasceu como clássico. Clássico trash. É daquelas produções que, de tão ruins, tornam-se excelentes (mas só se você souber apreciá-las com o estado de espírito adequado).
Faz poucos dias que assisto, religiosamente, e, mesmo adorando, ainda não entendi lhufas. Existem umas mil tramas paralelas, terrivelmente mal amarradas.
A sopa de letrinhas contém ingredientes de todo tipo de mito, fábula, série de TV, lenda e filme de ficção científica. É um cozido de intermináveis referências pop, selecionadas a esmo, sem qualquer critério aparente, o que só aumenta a graça.
A trama traz X-Men mutantes com super-poderes, vampiros, imbecis vestidos com roupas que misturam as indumentárias Hobbit e Jedi, mocinhas usando capas da invisibilidade, um robô copiado de “Eu, Robô”, cartomantes e magos, bebês sagrados, um John Connor viajante do tempo que volta ao passado para evitar que seus pais sejam mortos, uma mulher biônica, uma polícia especial chamada Depecom (que caça mutantes do mal), uma ilha de Lost, uma Liga do Bem, uma espada Excalibur, um cetro do poder, alienígenas reptilianos, uma sereia que canta (!!!) e até um paspalho permanentemente vestido de músico peruano.
Incrível. Não é à toa que eu nunca entendo o que está acontecendo.
O texto é um primor. O autor, Tiago Santiago, já é um dos meus ídolos. São tantos clichês, tantos chavões, tantas frases épicas, que a média de gargalhadas da audiência é de uma a cada 2,6 frases.
Pérolas como “Se forem reptilianos, vocês escolheram o homem errado. Eu sou o Pai da Humanidade”, “Devolva-me o cetro do poder”, “Cala a boca, sua Lata de Sardinha” e “Eu senti através dos meus poderes” são deliciosas de se ouvir, principalmente quando ditas por péssimos atores, que, aliás, superpovoam a novela.
O elenco é algo digno de menção honrosa. São dezenas de fracassados globais, ex-iniciantes-com-futuros-promissores e desconhecidos igualmente desprovidos de talento. Muitos são canastrões, outros são apenas ruins, mesmo. A pior de todas, com larga vantagem, é a magnífica, a fantástica, a fabulosa Bianca Rinaldi, uma atriz (sic) que consegue proezas como dizer “Eu te amo” com cara de “Tô com uma coceira na bochecha…” e “Vou te matar” com cara de “Putz, onde esqueci o meu haxixe?” O mais divertido é que há duas dela – irmãs gêmeas, uma boa e outra má, igualmente canastras, o que não poderia faltar em qualquer obra-prima do gênero.
La Rinaldi em uma de suas primorosas atuaçõesHá ainda saudosos sobreviventes dos últimos expurgos da Globo: Raul Gazola, Cláudio Heinrich, Felipe Folgosi, Taumaturgo Ferreira, André Di Biase (pô, o cara era o Lula do Juba & Lula e agora tá sempre vestido de Tom Jobim), Patrícia Travassos e outros de nível semelhante, para deleite dos espectadores.

Porra, até o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum tá nos Mutantes! Tem como não assistir a um programa desses? Espero que a Record tenha tino comercial suficiente para continuar por vários anos e, depois, vender os boxes das temporadas. Se fizerem isso, vocês já sabem o que me dar no Natal.
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Publicado por: Eduardo em: 19 Dezembro 2008

Teve repercussão (até agora, 221 comentários) a publicação, no Youtube, do vídeo “Pollyshop – Kit Left Revolution” – uma paródia daqueles deliciosos comerciais de quinquilharias vendidas por telefone. O produto oferecido é um kit para virar comunista.
Nem preciso dizer que adoro idéias do gênero – tanto de direita quanto de esquerda.
Mas algumas pessoas levaram a coisa toda a sério e iniciaram uma discussão sangrenta. O Flávio Aguilar, por exemplo, assumiu a defesa da esquerda mundial e tornou-se o centro da polêmica, enfrentando praticamente sozinho uma falange de liberais.
Obras desse tipo são uma armadilha. Qualquer que seja a sua opinião sobre elas, você sempre será enquadrado em algum “ismo”. Você será sempre um dos outros.
Tropa de Elite, por exemplo. Quem gostou é fascista, quem não gostou é maconheiro. No caso de Pollyshop – Kit Left Revolution, quem gostou é lacaio do capital espoliativo internacional, quem não gostou é comunista-de-apartamento, e por aí vai. Os chavões são muitos, de ambos os lados.
A moral da história não é que todos os esquerdistas são vagabundos sonhadores ou que todos os direitistas são insensíveis mal-intencionados, mas sim que os seres humanos podem ser uns escrotos, quando deixam de usar aquela coisinha supérflua chamada razão.
Sim, é muito charmoso ser de esquerda. Milhares de jovens de classe média adoram posar de conscientes, defender a socialização da propriedade dos outros, fazer discurso contra tudo enquanto matam aula pra jogar sinuca.
Sim, é muito cômodo ser de direita. Usar “argumentos” darwinistas e supostamente realistas é uma boa pedida para justificar o próprio egoísmo. Transformar indiferença em “pragmatismo” é mais que um mero malabarismo lingüístico (vou sentir saudade do trema). É má-fé.
Agora é a hora em que o Ivalino me pergunta: Eduardo, afinal, de que lado tu estás?
Acho o vídeo perfeito para descrever vários comunistas-de-apartamento que conheci na faculdade e nos botequins da vida (claro que um filme semelhante poderia ser feito para satirizar o outro lado, os egoístas travestidos de pragmáticos).
Se eu participasse do debate no fórum do Youtube, eu não xingaria a mãe do Lênin nem a vó do Bush, como muitos fizeram, mas elencaria duas ou três coisas em que acredito:
- Existe, sim, a luta de classes. Mas não no sentido proposto por Marx. O barbudo achava que os proletários queriam acabar com os patrões por quererem a igualdade entre as gentes. Ledo engano. O que os proletários querem é assumir o lugar dos patrões.
- Não haverá uma revolução comunista no Brasil. E, provavelmente, em nenhum outro lugar. A burguesia aprendeu que é fácil deixar um pobre contente. Basta dar-lhe um celular com câmera e um programa Big Brother para comentar.
- Esse papo de “construa escolas ao invés de presídios” não funciona. Não devemos contrapor repressão x educação. O que precisamos é nos dar conta de que a repressão educa. Uma sociedade com muitas escolas e nenhum presídio acabaria virando um inferno, mais ou menos como o Brasil, onde as escolas não ensinam e os presídios são a Casa da Mãe Joana. Mesmo uma pessoa bem educada precisa obedecer regras e sofrer punições quando ultrapassa os limites.
- Matar aulas para ir beber no bar da Tia Vilma não vai ajudar os necessitados do mundo. E nem melhorar a universidade pública. Se você está revoltado com as injustiças do mundo, estude, progrida no seu emprego, conquiste uma posição de destaque pra fazer a diferença. As pessoas ouvirão com muito mais atenção o que você tem a dizer se você lhes parecer digno de atenção.
- Se greves ainda servissem para alguma coisa, os professores gaúchos seriam milionários. Há que se buscar outros instrumentos para atrair a atenção da sociedade para os problemas dos trabalhadores. Instrumentos que façam o cidadão comum dizer “Bah, os professores merecem ser mais valorizados” ao invés de “Esses professores são mesmo uns vagabundos. Se EU fizer greve, sou demitido”.
[o post foi atualizado]
Sem internet, graças à Brasil Telecom.